Nem só da riqueza do açúcar vivia a economia do Brasil holandês.
A exploração do pau-brasil, árvore chamada pelos índios de ibira pitanga (madeira vermelha), utilizada para tingimento de tecidos de luxo, era monopólio da Cia. das Índias Ocidentais.
"Há um lugar muito grande e habitado, chamado Mata do Brasil, o qual está situado a cerca de 9 ou 10 milhas ao sul de Pernambuco para o interior. Ali moram muitos camponeses que fazem considerável porção de pau-brasil com seus negros e brasilienses [índios], sendo ali livre o corte do pau-brasil. Depois de limpo, é trazido em carros para um lugar de nome São Lourenço onde é vendido aos contratantes do rei, que dão por cada 128 libras ou 4 arrobas, de 1 cruzado a 480 réis." Adriaan Verdonck, 1630.
"O pau-brasil é a fonte de renda que se segue ao açúcar. Cresce de 10 a 12 milhas para o interior, achando-se nas matas fechadas, uma árvore aqui, outra ali. Arranca-se a casca branca que recobre o tronco, pois somente o miolo da árvore é vermelho e possui valor corante." Adriaan van der Dussen, 1639.
Em Amsterdam, Holanda, havia até uma prisão conhecida como Rasphuis (casa de ralar) onde os condenados, geralmente jovens delinquentes, trabalhavam raspando toras de pau-brasil, cujo pó seria transformado no corante denominado brasilina de altíssimo valor comercial.
Espaço dedicado à cidade do Recife, ao período do Brasil holandês e ao príncipe Johann Moritz von Nassau-Siegen
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
José Hygino Duarte Pereira
Nascido em Recife no dia 22 de janeiro de 1847, o advogado, professor, deputado, senador, secretário da província de Pernambuco, membro da Academia Pernambucana de Letras e ministro José Hygino foi o primeiro pesquisador pernambucano a utilizar os extensos arquivos dos Estados Gerais e da Cia. das Índias Ocidentais na Holanda onde obteve copias e traduziu centenas de documentos sobre o período do Brasil holandês, como delegado do Instituto Arqueológico e Geográfico Pernambucano.
Morreu em 11 de dezembro de 1901 quando exercia o cargo de Delegado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário na 2ª Conferencia Pan-americana na cidade do México.
O trabalho de José Hygino transformou-se numa coleção com 32 volumes e 11.500 páginas manuscritas em língua holandesa, hoje depositada no IAGP. O projeto Monummenta Hyginia da UFPE em parceria com a Embaixada dos Países Baixos e o Governo de Pernambuco tem por objetivo digitalizar a obra de Hygino e proporcionar o livre acesso a esta coleção.
Morreu em 11 de dezembro de 1901 quando exercia o cargo de Delegado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário na 2ª Conferencia Pan-americana na cidade do México.
O trabalho de José Hygino transformou-se numa coleção com 32 volumes e 11.500 páginas manuscritas em língua holandesa, hoje depositada no IAGP. O projeto Monummenta Hyginia da UFPE em parceria com a Embaixada dos Países Baixos e o Governo de Pernambuco tem por objetivo digitalizar a obra de Hygino e proporcionar o livre acesso a esta coleção.
sábado, 3 de setembro de 2011
O Forte do Brum
Está localizado junto ao porto do Recife na direção norte e teve sua construção iniciada pelos portugueses em outubro de 1629, sob a responsabilidade do engenheiro militar Diogo Paes, onde havia uma antiga trincheira. Seu objetivo era a proteção da barra de entrada do porto.
Com a invasão das tropas holandesas em Olinda e depois Recife, foi tomado em fevereiro de 1630 ainda em obras. Em maio daquele ano as obras da estacada dupla de madeira preenchida com areia foram re-iniciadas pelos engenheiros Tobias Commersteyn, Andréas Drewich e Pieter van Bueren, tendo sido denominado Forte Bruyne em homenagem ao conselheiro Johan Bruyne.
Em 1654 a Inssureição Pernambucana retomou o forte que foi batizado de Forte de São João Batista.
Foi palco de diversos episódios na Revolução Pernambucana de 1817, Confederação do Equador (1824) e Revolução Praieira (1848).
Durante a 1ª Guerra Mundial foi utilizado pela 2ª Bateria do 4º Batalhão de Posição. Permaneceu abandonado durante bom tempo, abrigando famílias de baixa renda, até 1938 quando foi tombado pelo IPHAN. Serviu como depósito da 7ª Região Militar e como posto de alistamento militar.
Atualmente administrado pelo Exército Brasileiro, sofreu pesquisa arqueológica em 1985 pelo Laboratório de Arqueologia da UFPE, em colaboração com o Comando Militar do Nordeste, a 7ª RM e a Fundação Joaquim Nabuco, encontrando-se restaurado e aberto ao público, onde funciona o Museu Militar do Forte do Brum, que exibe armamento e peças arqueológicas.
Com a invasão das tropas holandesas em Olinda e depois Recife, foi tomado em fevereiro de 1630 ainda em obras. Em maio daquele ano as obras da estacada dupla de madeira preenchida com areia foram re-iniciadas pelos engenheiros Tobias Commersteyn, Andréas Drewich e Pieter van Bueren, tendo sido denominado Forte Bruyne em homenagem ao conselheiro Johan Bruyne.
Em 1654 a Inssureição Pernambucana retomou o forte que foi batizado de Forte de São João Batista.
Foi palco de diversos episódios na Revolução Pernambucana de 1817, Confederação do Equador (1824) e Revolução Praieira (1848).
Durante a 1ª Guerra Mundial foi utilizado pela 2ª Bateria do 4º Batalhão de Posição. Permaneceu abandonado durante bom tempo, abrigando famílias de baixa renda, até 1938 quando foi tombado pelo IPHAN. Serviu como depósito da 7ª Região Militar e como posto de alistamento militar.
Atualmente administrado pelo Exército Brasileiro, sofreu pesquisa arqueológica em 1985 pelo Laboratório de Arqueologia da UFPE, em colaboração com o Comando Militar do Nordeste, a 7ª RM e a Fundação Joaquim Nabuco, encontrando-se restaurado e aberto ao público, onde funciona o Museu Militar do Forte do Brum, que exibe armamento e peças arqueológicas.
sábado, 13 de agosto de 2011
Mauritsstadt
"Havia na chamada ilha de Antônio Vaz (tal era o nome do antigo possuidor) ampla área de terreno entre o forte Ernesto e das Cinco Pontas, situado entre o Capibaribe e o Beberibe. Era uma planície sáfara, inculta, despida de arvoredos e arbustos, que por estar desaproveitada cobria-se de mato.
Não obstante, ao conde aprouve furtar aos olhos aquele terreno desnudo, sombreando-o com uma plantação de árvores não só para não ficar exposto às ofensas do inimigo, mas ainda para os cidadãos e soldados, durante as quadras ásperas, delas tirarem o alimento e o refrigério dos frutos, encontrando também ali os habitantes um abrigo seguro.
Por conseguinte, Nassau, para não pesar ao tesouro e prover ao bem público, adquiriu à sua custa aquele terreno, transformando-o num lugar ameno e útil tanto à sua saúde e segurança como à dos seus. O conde, edificando, teve o cuidado de atender à salubridade, procurando o sossego e obtendo a segurança do lugar, sem descurar também da amenidade dos hortos.
O palácio por ele construído tem duas torres elevadas, surgindo do meio do parque, visíveis desde o mar a uma distância de seis a sete milhas e servem de faróis aos navegantes. Ainda hoje pompeia, em seu esplendor, o palácio de Friburgo, protegendo a ilha de Antônio Vaz e deleitando os cidadãos, como perene monumento da grandeza nassóvia no outro hemisfério."
Gaspar Barléus: Rervm per octennivm in Brasilia...
Não obstante, ao conde aprouve furtar aos olhos aquele terreno desnudo, sombreando-o com uma plantação de árvores não só para não ficar exposto às ofensas do inimigo, mas ainda para os cidadãos e soldados, durante as quadras ásperas, delas tirarem o alimento e o refrigério dos frutos, encontrando também ali os habitantes um abrigo seguro.
Por conseguinte, Nassau, para não pesar ao tesouro e prover ao bem público, adquiriu à sua custa aquele terreno, transformando-o num lugar ameno e útil tanto à sua saúde e segurança como à dos seus. O conde, edificando, teve o cuidado de atender à salubridade, procurando o sossego e obtendo a segurança do lugar, sem descurar também da amenidade dos hortos.
O palácio por ele construído tem duas torres elevadas, surgindo do meio do parque, visíveis desde o mar a uma distância de seis a sete milhas e servem de faróis aos navegantes. Ainda hoje pompeia, em seu esplendor, o palácio de Friburgo, protegendo a ilha de Antônio Vaz e deleitando os cidadãos, como perene monumento da grandeza nassóvia no outro hemisfério."
Gaspar Barléus: Rervm per octennivm in Brasilia...
quarta-feira, 13 de julho de 2011
Os Judeus no Brasil Holandês
Com a conquista de Pernambuco pelos holandeses, os judeus que viviam em grande número na Holanda, vindos principalmente de Portugal e Espanha além de outras partes da Europa como Alemanha e Polonia, fugindo da Inquisição, vislumbraram boas oportunidades no Brasil e passaram a emigrar para o Recife. Alguns cristãos-novos que já residiam em Pernambuco re-assumiram sua condição judaica sob o domínio e tolerância dos invasores da Cia. das Índias Ocidentais.
A partir da consolidação das conquistas no Brasil, o contingente de judeus cresceu e eles se estabeleceram como empreendedores em diversos ramos como o comércio do açúcar e do tabaco, cobrança de impostos, empréstimo de dinheiro e tráfico de escravos. A maioria dominava tanto o português quanto o holandês o que lhes conferiam imenso diferencial nos negócios. Tinham seu próprio cemitério, escolas e organizações de ajuda às viúvas e órfãos.
Em 1636, os principais comerciantes judeus compraram um terreno no Recife onde se instalaram. O local ficou conhecido como Jodenstraat ou Rua dos Judeus. Com a expulsão dos holandeses, foi rebatizada como Rua do Bom Jesus.
Chegando ao Recife em 1637, Nassau procurou desenvolver a tolerância entre os holandeses (calvinistas), portugueses (católicos) e judeus com o objetivo de incrementar o comércio e a paz entre esses povos. Segundo o professor Ronaldo Vainfas: "o conde de Nassau foi, sobretudo, um administrador de conflitos na sociedade pernambucana".
Nassau teve tanto sucesso na sua política com os judeus que estes, ao saberem de sua volta para a Europa, ofereceram ao conde, caso ele permanecesse no cargo, uma doação mensal de três mil florins, segundo o documento chamado Petição da Nação Hebraica.
A partir da consolidação das conquistas no Brasil, o contingente de judeus cresceu e eles se estabeleceram como empreendedores em diversos ramos como o comércio do açúcar e do tabaco, cobrança de impostos, empréstimo de dinheiro e tráfico de escravos. A maioria dominava tanto o português quanto o holandês o que lhes conferiam imenso diferencial nos negócios. Tinham seu próprio cemitério, escolas e organizações de ajuda às viúvas e órfãos.
Em 1636, os principais comerciantes judeus compraram um terreno no Recife onde se instalaram. O local ficou conhecido como Jodenstraat ou Rua dos Judeus. Com a expulsão dos holandeses, foi rebatizada como Rua do Bom Jesus.
Chegando ao Recife em 1637, Nassau procurou desenvolver a tolerância entre os holandeses (calvinistas), portugueses (católicos) e judeus com o objetivo de incrementar o comércio e a paz entre esses povos. Segundo o professor Ronaldo Vainfas: "o conde de Nassau foi, sobretudo, um administrador de conflitos na sociedade pernambucana".
Nassau teve tanto sucesso na sua política com os judeus que estes, ao saberem de sua volta para a Europa, ofereceram ao conde, caso ele permanecesse no cargo, uma doação mensal de três mil florins, segundo o documento chamado Petição da Nação Hebraica.
terça-feira, 5 de julho de 2011
História dos Feitos Recentemente Praticados...
Tendo voltado para a Europa em 1644, Nassau encarregou o historiador e poeta belga Caspard van Baerle, mais conhecido pelo nome latino de Gaspar Barleus, de escrever um relato de suas atividades à frente do Brasil holandês.
Rervm per octennivm in Brasilia et alibi nuper gestarum, sub praefectura Illustrissimi Comitis I. Mavritti Nassoviae & c. Comitis, nunc Vesaliae Gubernatoris & Equitatus Foederatorum Belgii Ordd. sub Avriaco Ductoris (História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil e noutras partes sob o governo do Ilustríssimo Conde J. Maurício de Nassau, ora Governador de Wesel, Tenente-General da Cavalaria das Províncias Unidas, sob o Príncipe de Orange) foi publicado em latim em 1647 através da renomada tipografia Ioannis Blaeu de Amsterdã.
Mesmo nunca tendo estado no Brasil, Barleus teve acesso aos arquivos de Nassau e produziu um dos mais belos e importantes livros sobre o Brasil holandês e do século XVII, ricamente ilustrado com desenhos e mapas.
Originalmente o livro tinha 340 páginas no formato 49x29 cm, com 56 ilustrações, sendo 27 de Frans Post, mapas de Georg Marcgrave, um mapa de Cornelis Golijath e um retrato de Nassau por Theodoro Matham. Além de aspectos do Brasil, contém informações da África e do Chile. Nassau enviou exemplares da obra para diversos nobres europeus como divulgação de seus feitos nas terras de além-mar.
Foram publicadas edições em alemão (1659), holandês (1923) e português (1940). Em 1980 foi publicada uma edição pela fundação de Cultura da Cidade do Recife em homenagem ao terceiro centenário da morte de Nassau. O Instituto Ricardo Brennand possui dois exemplares desta obra, sendo um de 1659 e outro de 1660.
Rervm per octennivm in Brasilia et alibi nuper gestarum, sub praefectura Illustrissimi Comitis I. Mavritti Nassoviae & c. Comitis, nunc Vesaliae Gubernatoris & Equitatus Foederatorum Belgii Ordd. sub Avriaco Ductoris (História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil e noutras partes sob o governo do Ilustríssimo Conde J. Maurício de Nassau, ora Governador de Wesel, Tenente-General da Cavalaria das Províncias Unidas, sob o Príncipe de Orange) foi publicado em latim em 1647 através da renomada tipografia Ioannis Blaeu de Amsterdã.
Mesmo nunca tendo estado no Brasil, Barleus teve acesso aos arquivos de Nassau e produziu um dos mais belos e importantes livros sobre o Brasil holandês e do século XVII, ricamente ilustrado com desenhos e mapas.
Originalmente o livro tinha 340 páginas no formato 49x29 cm, com 56 ilustrações, sendo 27 de Frans Post, mapas de Georg Marcgrave, um mapa de Cornelis Golijath e um retrato de Nassau por Theodoro Matham. Além de aspectos do Brasil, contém informações da África e do Chile. Nassau enviou exemplares da obra para diversos nobres europeus como divulgação de seus feitos nas terras de além-mar.
Foram publicadas edições em alemão (1659), holandês (1923) e português (1940). Em 1980 foi publicada uma edição pela fundação de Cultura da Cidade do Recife em homenagem ao terceiro centenário da morte de Nassau. O Instituto Ricardo Brennand possui dois exemplares desta obra, sendo um de 1659 e outro de 1660.
terça-feira, 28 de junho de 2011
As Moedas Holandesas
As primeiras moedas feitas no Brasil foram cunhadas pelos holandeses quando do cerco que sofreram em Recife pelas tropas luso-brasileiras. Foram chamadas de moedas obsidionais.
Sem meios para pagamento dos soldados, a Companhia das Índias Ocidentais produziu as moedas obsidionais com as marcas GWC (Gheoctroyeerde West-Indische Compagnie ou Cia. Privilegiada das Índias Ocidentais), Brasil e Anno 1645 ou 1646 (de acordo com o ano). As moedas foram cunhadas com o ouro de um carregamento destinado à Holanda e eram no valor de 3, 6 e 12 florins. Em 1654 com a rendição dos holandeses e a restauração pernambucana, ainda foram cunhadas moedas de prata, estas sem o nome Brasil.
Obsidional significa sítio, cerco ou risco de detenção.
Sem meios para pagamento dos soldados, a Companhia das Índias Ocidentais produziu as moedas obsidionais com as marcas GWC (Gheoctroyeerde West-Indische Compagnie ou Cia. Privilegiada das Índias Ocidentais), Brasil e Anno 1645 ou 1646 (de acordo com o ano). As moedas foram cunhadas com o ouro de um carregamento destinado à Holanda e eram no valor de 3, 6 e 12 florins. Em 1654 com a rendição dos holandeses e a restauração pernambucana, ainda foram cunhadas moedas de prata, estas sem o nome Brasil.
Obsidional significa sítio, cerco ou risco de detenção.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
A Importância da Guerra Contra os Holandeses
O historiador Francisco Adolfo de Varnhagen destacou a enorme importância da resistência e reconquista do solo brasileiro, principalmente o pernambucano, no conflito contra o invasor holandês, comparado-o com a Guerra do Paraguai.
A Guerra do Paraguai foi o maior embate em território sul-americano, envolvendo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, 400 mil combatentes e resultou na morte de cerca de 350 mil pessoas entre civis e militares. Durou de dezembro de 1864 até março de 1870 (menos de 6 anos).
Cita Varnhagen: "Estavamos a serviço em Petrópolis e ainda estava por decidir a titânica luta que o Brasil sustentou com o Paraguai e éramos testemunhas do desfalecimento de alguns, que já se queixavam de uma guerra de mais de dois anos. Para avivar-lhes a lembrança, apresentei-os o exemplo de outra mais antiga, em que o Brasil, ainda insignificante colônia, havia lutado 24 anos sem descanso e por fim vencido, contra uma das nações naquele tempo mais guerreiras da Europa".
A Guerra do Paraguai foi o maior embate em território sul-americano, envolvendo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, 400 mil combatentes e resultou na morte de cerca de 350 mil pessoas entre civis e militares. Durou de dezembro de 1864 até março de 1870 (menos de 6 anos).
Cita Varnhagen: "Estavamos a serviço em Petrópolis e ainda estava por decidir a titânica luta que o Brasil sustentou com o Paraguai e éramos testemunhas do desfalecimento de alguns, que já se queixavam de uma guerra de mais de dois anos. Para avivar-lhes a lembrança, apresentei-os o exemplo de outra mais antiga, em que o Brasil, ainda insignificante colônia, havia lutado 24 anos sem descanso e por fim vencido, contra uma das nações naquele tempo mais guerreiras da Europa".
terça-feira, 21 de junho de 2011
Os Nomes do Recife
Pero Lopes de Souza em seu Diário de 1532 trata o Recife como Barra do Arrecife.
Em 1537, o donatário da capitania de Pernambuco, Duarte Coelho Pereira, refere-se ao Recife como Ribeira do Mar dos Arrecifes dos Navios. Também era citada naquela época como Povo (povoado) dos Arrecifes.
James Lancaster, corsário inglês à serviço da Coroa britânica, invadiu o Recife em 1595 e fez um valiosíssimo saque. Ele chamava o local de Cidade Baixa.
No século XVII, com tomada das capitanias do norte pelos neerlandeses da WIC, o povoado do Recife foi muito desenvolvido pelo Conde Maurício de Nassau, sendo denominado Maurícia ou Mauritsstad.
O governador de Pernambuco, Sebastião de Castro Caldas, no dia 19 de novembro de 1709, elevou o Recife à categoria de vila com a designação de Santo Antônio do Recife, restringindo-se seu território aos atuais bairros do Recife, Santo Antônio e São José. As outras localidades como Várzea, Boa Vista, Afogados e Jaboatão continuavam vinculadas a Olinda.
O Recife passou à categoria de cidade pela Carta Imperial de 5 de dezembro de 1823 e a capital de Pernambuco em 15 de fevereiro de 1827.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
O Arraial Novo do Bom Jesus
Por determinação do mestre-de-campo João Fernandes Vieira, inicou-se em setembro de 1645 a construção de uma fortificação na zona oeste do Recife, próximo à várzea do Capibaribe, ficando conhecida posteriormente por Forte ou Arraial Novo do Bom Jesus.
Era destinado a armazenar víveres e material bélico para as tropas luso-brasileiras na guerra contra os holandeses e estava armado com canhões conquistados aos invasores em outras localidades.
Concluída sua construção de terra batida em janeiro de 1646, foi o ponto inicial do movimento das forças aliadas que venceram os holandeses nas duas batalhas dos Guararapes em 1648 e 1649 e na reconquista do Recife e Maurisstadt em 1654.
Localizado no atual bairro do Engenho do Meio, em uma praça na Av. do Forte, possui uma coluna comemorativa erguida pelo Instituto Histórico e Geográfico de Pernambuco em 1872 e restaurado em 1917. Atualmente não existe nenhuma ação de recuperação ou pesquisa arqueológica no local.
Era destinado a armazenar víveres e material bélico para as tropas luso-brasileiras na guerra contra os holandeses e estava armado com canhões conquistados aos invasores em outras localidades.
Concluída sua construção de terra batida em janeiro de 1646, foi o ponto inicial do movimento das forças aliadas que venceram os holandeses nas duas batalhas dos Guararapes em 1648 e 1649 e na reconquista do Recife e Maurisstadt em 1654.
Localizado no atual bairro do Engenho do Meio, em uma praça na Av. do Forte, possui uma coluna comemorativa erguida pelo Instituto Histórico e Geográfico de Pernambuco em 1872 e restaurado em 1917. Atualmente não existe nenhuma ação de recuperação ou pesquisa arqueológica no local.
A Organização Político-administrativa do Brasil Holandês
Pouco tempo após sua chegada ao Brasil, Nassau preocupou-se com a desorganização do sistema administrativo da colônia e começou a providenciar os meios de colocar seus domínios em ordem.
Os holandeses já tinham o Alto Conselho Secreto presidido pelo próprio Conde de Nassau e composto por 3 membros que cuidava do Estado, do Governo Civil e da guerra, e o Conselho Político e de Justiça. Foram então criadas as Câmaras de Escabinos semelhantes às câmaras municipais dos portugueses. Essas Câmaras eram compostas de portugueses, brasileiros e holandeses, devendo todos os membros ter a aprovação de Nassau.
Foram criadas as Câmaras de Olinda, Igarassu, Sirinhaém, Porto Calvo e Alagoas; Paraíba, Itamaracá e Rio Grande. Continuou ainda a divisão em Capitanias (Rio Grande, Itamaracá e Pernambuco), sendo agora administradas por um governador designado pelo Conselho Secreto.
Vale lembrar, que a Capitania de Pernambuco englobava o atual território de Alagoas até o rio São Francisco, existindo a Capitania de Itamaracá entre a de Pernambuco e a da Paraíba.
Os holandeses já tinham o Alto Conselho Secreto presidido pelo próprio Conde de Nassau e composto por 3 membros que cuidava do Estado, do Governo Civil e da guerra, e o Conselho Político e de Justiça. Foram então criadas as Câmaras de Escabinos semelhantes às câmaras municipais dos portugueses. Essas Câmaras eram compostas de portugueses, brasileiros e holandeses, devendo todos os membros ter a aprovação de Nassau.
Foram criadas as Câmaras de Olinda, Igarassu, Sirinhaém, Porto Calvo e Alagoas; Paraíba, Itamaracá e Rio Grande. Continuou ainda a divisão em Capitanias (Rio Grande, Itamaracá e Pernambuco), sendo agora administradas por um governador designado pelo Conselho Secreto.
Vale lembrar, que a Capitania de Pernambuco englobava o atual território de Alagoas até o rio São Francisco, existindo a Capitania de Itamaracá entre a de Pernambuco e a da Paraíba.
domingo, 12 de junho de 2011
Províncias Unidas, Países Baixos, Holanda
A República das Sete Províncias Unidas dos Países Baixos, Republiek der Zeven Verenigde Nederlanden (holandês) ou Belgica Foederata (latim) foi fundada em 23 de janeiro de 1579 pela União de Utrecht durante a Guerra dos 80 Anos contra o império espanhol, onde era reconhecido o direito de cada província a manter as suas tradições, a união militar de todas elas e a liberdade de culto religioso.
As Sete Províncias Unidas eram Frísia, Groningen, Güeldres, Holanda, Overijssel, Utrecht e Zelândia. Existiu até 1795 quando da invasão francesa por Bonaparte, surgindo então a República Batava.
No século XVII os Países Baixos tiveram o chamado Século de Ouro ou Idade de Ouro Neerlandesa onde estenderam seu império colonial por todo o mundo, destacando-se na ciência, cultura e comércio. É considerada a primeira potência capitalista ocidental, com suas Companhias das Índias Ocidentais e Orientais surgindo como as grandes multinacionais da época.
As Sete Províncias Unidas eram Frísia, Groningen, Güeldres, Holanda, Overijssel, Utrecht e Zelândia. Existiu até 1795 quando da invasão francesa por Bonaparte, surgindo então a República Batava.
No século XVII os Países Baixos tiveram o chamado Século de Ouro ou Idade de Ouro Neerlandesa onde estenderam seu império colonial por todo o mundo, destacando-se na ciência, cultura e comércio. É considerada a primeira potência capitalista ocidental, com suas Companhias das Índias Ocidentais e Orientais surgindo como as grandes multinacionais da época.
sábado, 28 de maio de 2011
Descrição de Olinda e Recife
Dentro da vila de Olinda habitam inumeráveis mercadores com suas lojas abertas, colmadas de mercadorias de muito preço, de toda sorte, em tanta quantidade que semelha uma Lisboa pequena.
A barra do seu porto [Recife] é excelentíssima, guardada de duas fortalezas bem providas de artilharia e soldados que as defedem; os navios estão surtos da banda de dentro, seguríssimos de qualquer tempo que se levante posto que muito furioso, porque tem sua defensão grandíssimos arrecifes onde o mar quebra. Sempre se acham nele ancorados, em qualquer parte do ano, mais de trinta navios, porque lança de si, em cada um ano, passante de 120 carregados de açúcares, pau do brasil e algodões.
Diálogos das Grandezas do Brasil, Ambrósio Fernandes Brandão (1615).
A barra do seu porto [Recife] é excelentíssima, guardada de duas fortalezas bem providas de artilharia e soldados que as defedem; os navios estão surtos da banda de dentro, seguríssimos de qualquer tempo que se levante posto que muito furioso, porque tem sua defensão grandíssimos arrecifes onde o mar quebra. Sempre se acham nele ancorados, em qualquer parte do ano, mais de trinta navios, porque lança de si, em cada um ano, passante de 120 carregados de açúcares, pau do brasil e algodões.
Diálogos das Grandezas do Brasil, Ambrósio Fernandes Brandão (1615).
segunda-feira, 25 de abril de 2011
O Arraial do Bom Jesus
Após terem sido expulsos de Olinda e do Recife os portugueses e seus aliados iniciam a fortificação da casa de Antônio Abreu a cerca de uma légua ao norte do Recife, passando a ser chamado de Forte Real ou Arraial do Bom Jesus.
Durante 5 anos o Arraial do Bom Jesus serviu como base para a guerrilha das forças de Henrique Dias, Felipe Camarão, Luís Barbalho, Martin Soares Moreno e outros bravos contra os holandeses.
Depois de diversas tentativas e um cerco de mais de 3 meses, em 06 de junho de 1635, os heróis do Arraial do Bom Jesus rendem-se às tropas do coronel polonês Chrestofle Arcizewsky por não disporem de mais nenhum alimento ou munição. Uma centena de pessoas foge com Matias de Albuquerque em direção à Bahia.
Apesar das garantias dadas pelos invasores, os habitantes do Arraial tiveram que pagar altas somas aos holandeses para poder sair do forte com vida e ainda assim, sofrendo alguns, cruéis torturas. Foram arrecadadas grandes somas em ouro, prata, jóias e vinho.
O Arraial do Bom Jesus estava localizado onde hoje existe o Sítio da Trindade, no bairro de Casa Amarela.
Durante 5 anos o Arraial do Bom Jesus serviu como base para a guerrilha das forças de Henrique Dias, Felipe Camarão, Luís Barbalho, Martin Soares Moreno e outros bravos contra os holandeses.
Depois de diversas tentativas e um cerco de mais de 3 meses, em 06 de junho de 1635, os heróis do Arraial do Bom Jesus rendem-se às tropas do coronel polonês Chrestofle Arcizewsky por não disporem de mais nenhum alimento ou munição. Uma centena de pessoas foge com Matias de Albuquerque em direção à Bahia.
Apesar das garantias dadas pelos invasores, os habitantes do Arraial tiveram que pagar altas somas aos holandeses para poder sair do forte com vida e ainda assim, sofrendo alguns, cruéis torturas. Foram arrecadadas grandes somas em ouro, prata, jóias e vinho.
O Arraial do Bom Jesus estava localizado onde hoje existe o Sítio da Trindade, no bairro de Casa Amarela.
sábado, 12 de março de 2011
Parabéns Recife e Olinda
Hoje é aniversário das cidades irmãs e vizinhas: Recife e Olinda.
Parabéns Recife, 474 anos e Olinda 476 anos.
Parabéns Recife, 474 anos e Olinda 476 anos.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Mauritsstad
Fixando residência na ilha de Antônio Vaz, Maurício de Nassau decide urbanizar o local através de projeto arquitetônico de Pieter Jansz Post, irmão mais velho de Frans Post e respeitado arquiteto holandês.
Em 16 de dezembro de 1639, Gaspar Dias Ferreira, membro da Câmara de Escabinos de Olinda, propõe mudar o nome do local para Cidade Maurícia ou Mauritsstad. Cinco dias depois Nassau e o Alto Conselho aprovam a proposta.
A principal construção ali foi o Palácio Friburgo, também conhecido como Palácio das Torres, residência oficial de Nassau. Havia nos terrenos vizinhos ao palácio um jardim e pomar onde eram introduzidas e estudadas árvores e plantas de diferentes partes do mundo e um zoológico com animais nativos e da África. O palácio estava localizado onde atualmente existe o Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, o Teatro Santa Isabel e o Palácio da Justiça. Nas proximidades também estava instalado o Forte Ernesto no antigo Convento de Santo Antônio.
Também foi construída na ilha a Igreja dos Calvinistas Franceses, prédio que copiava a Catedral de Haarlem na Holanda, além de saneamento e calçamento de diversas ruas.
Nassau fez construir a primeira ponte de grandes proporções (318 m) do Brasil, ligando Mauritsstad ao Recife, além de uma ponte ligando Mauritsstad ao continente e outra sobre o Rio Afogados.
Outro palácio foi construído pelo conde como residência particular, o Palácio da Boa Vista (Schoozit), aonde hoje existe a Basilica de Nossa Senhora do Carmo.
Em 16 de dezembro de 1639, Gaspar Dias Ferreira, membro da Câmara de Escabinos de Olinda, propõe mudar o nome do local para Cidade Maurícia ou Mauritsstad. Cinco dias depois Nassau e o Alto Conselho aprovam a proposta.
A principal construção ali foi o Palácio Friburgo, também conhecido como Palácio das Torres, residência oficial de Nassau. Havia nos terrenos vizinhos ao palácio um jardim e pomar onde eram introduzidas e estudadas árvores e plantas de diferentes partes do mundo e um zoológico com animais nativos e da África. O palácio estava localizado onde atualmente existe o Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco, o Teatro Santa Isabel e o Palácio da Justiça. Nas proximidades também estava instalado o Forte Ernesto no antigo Convento de Santo Antônio.
Também foi construída na ilha a Igreja dos Calvinistas Franceses, prédio que copiava a Catedral de Haarlem na Holanda, além de saneamento e calçamento de diversas ruas.
Nassau fez construir a primeira ponte de grandes proporções (318 m) do Brasil, ligando Mauritsstad ao Recife, além de uma ponte ligando Mauritsstad ao continente e outra sobre o Rio Afogados.
Outro palácio foi construído pelo conde como residência particular, o Palácio da Boa Vista (Schoozit), aonde hoje existe a Basilica de Nossa Senhora do Carmo.
domingo, 6 de fevereiro de 2011
A Babel das Américas
Com a invasão dos holandeses em Pernambuco, a Cia. das Índias Ocidentais, uma verdadeira multinacional do século XVII, trouxe uma multidão de gente de todos os lugares do mundo.
Além dos índios, a quem os holandeses chamavam de brasilianner já viviam na povoação dos Arrecifes os negros escravos, vindos de diversas regiões da África, os colonizadores portugueses e os espanhóis, desde a junção das coroas lusa e hispana em 1580. Os nascidos no Brasil eram conhecidos como mazombos. Os índios falavam principalmente o tupi-guarani, além do gê e do cariri., enquanto os negros, o banto e o sudanês.
Junto com os holandeses, veio também a tolerância religiosa, determinada mesmo em um regimento dos Estados Gerais dos Países Baixos. Aos judeus e cristãos-novos que já viviam em Pernambuco (apesar da Inquisição) juntaram-se outros vindos de toda Europa. Os judeus de origem Ibérica, os sefarditas, usavam um idish mesclado ao espanhol.
Com os imigrantes judeus em conjunto com os mercenários e funcionários da Cia. das Índias Ocidentais era comum ouvir-se nas ruas do Recife as mais diversas línguas tais como: holandês, alemão, inglês, francês, norueguês, castelhano e português, além de dialetos ameríndios e africanos.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
O conde Maurício de Nassau
Johann Moritz von Nassau-Siegen nasceu no dia 17 de junho de 1604 no castelo de Dillenburg, perto de Siegen, centro-oeste da Alemanha.
Era o 13º filho de Johann von Nassau-Siegen e o primogênito da sua segunda esposa, Margaretha von Schleswig-Holstein, nobre da Dinamarca.
Foram seus padrinhos o avô materno, duque Johann von Schleswig-Holstein e o primo do seu pai, Moritz Oranje-Nassau, filho de Guilherme I, "O Taciturno" (Willem I, de Zwijger), príncipe de Orange.
Aos dois anos, Nassau e sua família mudam-se para Siegen. Ele estudou na Basileia, Genebra e Kassel. Em 1620 ingressa no exército das Províncias Unidas (Holanda, Frísia, Guerlândia, Utrecht, Zelândia, Overrissel e Groeninga) com o posto de alferes.
Foi promovido a capitão em 1626, a tenente-coronel em 1629 e a coronel em 1633.
Seu maior feito militar antes da vinda para o Brasil foi a tomada da fortaleza de Schenkenshans numa ilha do rio Reno, último reduto dos espanhóis na Alemanha.
Existe certa confusão entre os nomes de Maurício de Nassau-Siegen e o do seu primo e padrinho Maurício de Orange-Nassau de quem inclusive recebeu o nome como homenagem. Este primo também distinguiu-se como militar, sendo responsável pela reforma do exército holandês com a introdução das primeiras armas de fogo em larga escala e a profissionalização dos oficiais.
Após sua volta para a Europa, Maurício de Nassau-Siegen fica conhecido como Nassau, o Brasileiro.
Era o 13º filho de Johann von Nassau-Siegen e o primogênito da sua segunda esposa, Margaretha von Schleswig-Holstein, nobre da Dinamarca.
Foram seus padrinhos o avô materno, duque Johann von Schleswig-Holstein e o primo do seu pai, Moritz Oranje-Nassau, filho de Guilherme I, "O Taciturno" (Willem I, de Zwijger), príncipe de Orange.
Aos dois anos, Nassau e sua família mudam-se para Siegen. Ele estudou na Basileia, Genebra e Kassel. Em 1620 ingressa no exército das Províncias Unidas (Holanda, Frísia, Guerlândia, Utrecht, Zelândia, Overrissel e Groeninga) com o posto de alferes.
Foi promovido a capitão em 1626, a tenente-coronel em 1629 e a coronel em 1633.
Seu maior feito militar antes da vinda para o Brasil foi a tomada da fortaleza de Schenkenshans numa ilha do rio Reno, último reduto dos espanhóis na Alemanha.
Existe certa confusão entre os nomes de Maurício de Nassau-Siegen e o do seu primo e padrinho Maurício de Orange-Nassau de quem inclusive recebeu o nome como homenagem. Este primo também distinguiu-se como militar, sendo responsável pela reforma do exército holandês com a introdução das primeiras armas de fogo em larga escala e a profissionalização dos oficiais.
Após sua volta para a Europa, Maurício de Nassau-Siegen fica conhecido como Nassau, o Brasileiro.
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
Frans Post
Nascido em 1612 na cidade holandesa de Haarlem, Frans Janszoom Post chegou ao Brasil juntamente com a comitiva de Nassau em 1637.
Estudando o paisagismo, principal gênero da época, Post desenvolveu-se como desenhista, pintor e gravador sendo convidado por Nassau para vir ao Brasil, tornando-se o primeiro a retratar a fauna, flora, geografia, os nativos e outros moradores do país.
Acostumado aos céus cinzentos e horizontes limitados do norte da Europa, Frans Post ficou deslumbrado com as cores e imensas paisagens que o Novo Mundo lhe descortinou.
Seus trabalhos foram primeiramente divulgados no livro Rerum per Octennium in Brasilia... escrito pelo belga Gaspar Barleus, sob encomenda de Nassau e publicado em Amsterdam em 1647. Aí estão contidas 31 ilustrações de Post entre paisagens e cenas de batalhas. Durante quase 200 anos esse livro foi o único documento visual feito por alguém que realmente esteve no Brasil.
Sua obra conta com 157 quadros a óleo, 57 desenhos e 33 gravuras. Quando Nassau retornou a Europa em 1644, Post o acompanhou.
Acometido pelo alcoolismo, a produção de Post cai de qualidade nos últimos anos de sua vida, vindo a falecer em sua cidade natal em 18 de fevereiro de 1680.
Inicialmente pouco reconhecido como grande artista, Frans Post hoje figura como importante nome da pintura holandesa do século XVII.
Estudando o paisagismo, principal gênero da época, Post desenvolveu-se como desenhista, pintor e gravador sendo convidado por Nassau para vir ao Brasil, tornando-se o primeiro a retratar a fauna, flora, geografia, os nativos e outros moradores do país.
Acostumado aos céus cinzentos e horizontes limitados do norte da Europa, Frans Post ficou deslumbrado com as cores e imensas paisagens que o Novo Mundo lhe descortinou.
Seus trabalhos foram primeiramente divulgados no livro Rerum per Octennium in Brasilia... escrito pelo belga Gaspar Barleus, sob encomenda de Nassau e publicado em Amsterdam em 1647. Aí estão contidas 31 ilustrações de Post entre paisagens e cenas de batalhas. Durante quase 200 anos esse livro foi o único documento visual feito por alguém que realmente esteve no Brasil.
Sua obra conta com 157 quadros a óleo, 57 desenhos e 33 gravuras. Quando Nassau retornou a Europa em 1644, Post o acompanhou.
Acometido pelo alcoolismo, a produção de Post cai de qualidade nos últimos anos de sua vida, vindo a falecer em sua cidade natal em 18 de fevereiro de 1680.
Inicialmente pouco reconhecido como grande artista, Frans Post hoje figura como importante nome da pintura holandesa do século XVII.
domingo, 26 de setembro de 2010
Georg Marcgrave
Georg Marcgrave não chegou ao Brasil holandês junto com Nassau, mas foi um dos mais importantes cientistas que esteve na corte do conde no Recife. Pouco conhecido do público em geral que normalmente apenas sabe dos pintores Post e Eckhout, Marcgrave foi o primeiro astronomo a fazer observações e trabalhos científicos no hemisfério sul.
Marcgrave nasceu em 20 de setembro de 1610 em Liebstadt, leste da Alemanha e estudou em diversas universidades da Europa. Dedicou-se a pesquisa em várias áreas como medicina, botanica, cartografia e astronomia. Indicado por Jan de Laet, da Universidade de Leiden na Holanda, Georg Marcgrave chega ao Recife em 1638.
Marcgrave fez um extenso levantamento da fauna e flora do Brasil holandês. O resultado desse trabalho foi o livro História Naturalis Brasiliae, em parceria com o médico e naturalista Willem Piso e publicado em 1648 na Holanda por de Laet, quatro anos após a morte de Marcgrave em Angola.
Tão importante quanto os feitos como naturalista foram os trabalhos de Marcgrave no campo da astronomia. Ele montou um observatório astronômico, o primeiro no hemisfério sul do planeta, na primeira casa de Nassau no Recife, hoje esquina da Rua 1º de Março com a Rua do Imperador.
Dentre as obras de Marcgrave é de extrema importância a observação e registro de diversos planetas e eclipses do Sol e da Lua com instrumentos cientificos (luneta, quadrante, sextante) e a partir desses dados o cálculo da distância entre a Europa e a América.
Marcgrave nasceu em 20 de setembro de 1610 em Liebstadt, leste da Alemanha e estudou em diversas universidades da Europa. Dedicou-se a pesquisa em várias áreas como medicina, botanica, cartografia e astronomia. Indicado por Jan de Laet, da Universidade de Leiden na Holanda, Georg Marcgrave chega ao Recife em 1638.
Marcgrave fez um extenso levantamento da fauna e flora do Brasil holandês. O resultado desse trabalho foi o livro História Naturalis Brasiliae, em parceria com o médico e naturalista Willem Piso e publicado em 1648 na Holanda por de Laet, quatro anos após a morte de Marcgrave em Angola.
Tão importante quanto os feitos como naturalista foram os trabalhos de Marcgrave no campo da astronomia. Ele montou um observatório astronômico, o primeiro no hemisfério sul do planeta, na primeira casa de Nassau no Recife, hoje esquina da Rua 1º de Março com a Rua do Imperador.
Dentre as obras de Marcgrave é de extrema importância a observação e registro de diversos planetas e eclipses do Sol e da Lua com instrumentos cientificos (luneta, quadrante, sextante) e a partir desses dados o cálculo da distância entre a Europa e a América.
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