domingo, 4 de março de 2012

A Ponte

Nunca, até então no Brasil, havia sido construida uma ponte nas proporções daquela inaugurada por Nassau em 28 de fevereiro de 1644 ligando o Recife a Mauritsstadt:

Maurício aconselhou a ligação da ilha ao Recife por meio de uma ponte, facilitando o transporte do açúcar para a ilha, pois este só se podia fazer durante o refluxo da maré e não sem dano, porque amiúde eram os carregamentos atingidos pela água e pelos respingos das ondas. Além disso, a passagem mediante barcos era perigosa, tendo eles mais de uma vez soçobrado, já pelo peso e excesso das cargas, já pelo açoite dos ventos.

O que Nassau continuamente alvitrara por fim persuadiu, e resolveu-se lançar a ponte sobre o rio. Empreitou o Conselho a construção dela por 240.000 florins. O construtor
[Baltazar da Fonseca], iniciando o serviço e apertando com diligência o trabalho dos seus operários, depois de ter levantado alguns pilares de pedra, chegara ao leito da corrente, onde é maior a profundidade, calculada em onze pés geométricos ainda na baixa-mar. Perdendo, pois, a confiança em si e na sua arte, desesperava de executar a obra. Confessou que pode mais a natureza que a arte, não devendo as pessoas prudentes tentar o impossível. Decerto, cumpria ao construtor considerar tudo isto antes.

Ignoram que é diversa a condição dos príncipes, cujo objetivo precípuo deve ser alcançarem fama. Julgando Maurício que importava à sua honra terminar o que tomara a peito e que era de um caráter fraco desesperar do interesse geral pela desesperança de um só, meteu ombro à empresa, e, reunindo material e todos os lados e à sua custa, principiou a estear o resto da ponte, não em pedra, mas em madeira. Cortaram-se árvores nas matas, e das árvores se tiraram traves, com 40 a 50 pés de comprimento, impermeáveis à água pela dureza. Quis Nassau que fossem elas as estacas e botaréus da ponte, cravando-se no fundo, com o auxílio de martelões, até doze pés, umas verticais, outras obliquas, para obedecerem à correnteza.

Rematada a obra com admiração de todos, declarou o Conde ao Conselho os motivos do seu ato, figurando entre os primeiros e mais ponderosos as censuras de alguns, na Holanda, os quais lhe lançavam em rosto as despesas crescidas e inúteis.

Já aprovavam os conselheiros, diante do êxito alcançado, aquilo mesmo que, antes de acabar-se, tinham reprovado e pediram fosse aquela ponte do domínio publico e pertencente à Companhia. O Conde aquiesceu sem dificuldade, mas com a condição de que o rendimento do primeiro dia coubesse aos pobres. E foi de fato tamanha a freqüência dos que, por amor da novidade, iam e vinham aquele dia, que o dinheiro recolhido montou a 620 florins. O tributo anual foi vendido por 28.000 florins. Os cidadãos pagavam de portagem 2 stuivers
[vigésima parte do florin], 237 os soldados e os escravos 1, os cavaleiros 4 e os carros de boi 7 cada um. A passagem do rio em barcas, que, antes da chegada de Nassau, rendia ao tesouro apenas 600 florins, cresceu a tal ponto no valor que ainda antes de se concluir a ponte, ascendeu a 6.000 florins mais.

Gaspar Barleus, Rervm per octennivm in Brasilia... 1647

A ponte de Nassau tinha uma extensão de 318 m com 15 pilares de pedra e 10 de madeira.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Descrição de Olinda

Adrian Verdonck
Memoria apresentada ao Conselho Político do Brasil, 20 de maio de 1630.

Até aqui temos mencionado todos os lugares que se acham sob a jurisdição de Pernambuco, isto é, do Rio S. Francisco até a cidade; agora vamos fallar da mesma cidade, referindo como dentro della se encontra um muito bello, grande e forte convento de Jesuitas; logo junto outro de Capuchinhos e adiante ainda outro chamado de S. Bento, tambem bonito forte e grande...

Tem a mesma cidade de Pernambuco duas igejas parochiaes chamadas do Salvador e de S. Pedro, e ainda outra de nome Misericordia, onde tambem está o hospital, assente sobre um monte no centro da cidade...

Ordinariamente vêm a Pernambuco todos os dias, por terra, de distancias de 1 a 6 milhas, 350 a 400 mouros, antes mais do que menos, todos bem carregados com comestíveis afim de vendel-os para os seus senhores, e isto além das barcas que diariamente chegam ao Recife, de todos os lugares atraz mencionados e ainda de outros, e que tambem trazem mantimentos; todos os dias vão mais de 200 negros a uma ou duas milhas da cidade só a pegar carangueijos, voltando a tarde para casa carregados vendem-nos todos...

Na minha opinião devia haver na cidade de Pernambuco mais de 800 homens e bem 4000 ou mais mouros e ainda outras tantas mulheres e crianças.


Traduzido de Brieven en papieren uit Brazilie por Alfredo de Carvalho e publicado na Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, nº 54 de 1900

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A Rendição Holandesa

Em 26 de janeiro de 1654, às 23:00 hr, os comandantes holandeses assinaram na Campina do Taborda o termo de rendição de suas tropas bem como a devolução de todas as suas conquistas no Brasil.

Comemorando o feito, o presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano proferiu discurso destacando o significado da data:

...Festejamos, hoje, senhores, um duplo anniversario: o da installação do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, e o da cessação do ominoso dominio hollandez nesta e em outras provincias do norte do Brasil.

O primeiro -o da fundaçao do Instituto- recorda o esforço de alguns pernambucanos benemeritos que entederam congregar-se em torno do glorioso estandarte das nossas tradições, e conseguiram erigir este templo, onde, durante vinte e cinco annos, temos vindo pagar o tributo de nossa fé civica, fazendo a apotheose do passado e glorificando os que trabalharam e morreram pela patria. O segundo -o da restauração de Pernambuco- recorda a seu turno, a inolvidavel empreza daqueles grandes patriotas do seculo XVII, que de 1630 a 1654, sacrificaram-se dia a dia, hora a hora, minuto a minuto, na reinvidicção desta terra que lhes haviam usurpado, e despenderam o seus cabedaes, a sua saude, o seu sangue, as suas vidas na elaboração do futuro nacional.

Senhores, depois do dia 7 de setembro de 1822, precedido do dia 6 de março de 1817, não ha para esta provincia outro que mereça ser tão festejado como o 27 de janeiro de 1654.

Não foi, pois, unicamente a nossa provincia que logrou subtrahir-se ao jugo estrangeiro; toda a immensa porção do território, que abrange as provincias da Parahyba, do Rio Grande do Norte, Ceará e da actual das Alagoas até a margem esquerda do Rio S. Francisco, foi redimida comnosco e deve a sua existencia politica de hoje aos inarraveis esforços dos patriotas que a 27 de janeiro de 1654 penetraram n'esta cidade.


27 de janeiro de 1887.
Dr. João José Pinto Junior.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A Guerra no Mar

A marinha holandesa era uma das melhores do mundo no século XVII, juntamente com a marinha espanhola e a inglesa. Eram frequentes os embates entre navios holandeses e luso-espanhois na costa brasileira para impedir o desembarque de tropas e o transporte de mercadorias na rota Europa/Brasil/Europa.

Em 1631, o soldado Ambrósio Richshoffer da Cia. das Índias Ocidentais, descreve a chegada de uma esquadra holandesa ao Recife, após uma batalha travada contra forças navais do almirante espanhol D. Antônio Oquendo na altura de Porto Seguro, Bahia:

A 22 de setembro entraram no porto diversos navios da frota do Sr. General Pater. Por eles soubemos que seus 16 navios encontraram a armada espanhola forte de 54 velas [destes apenas 17 eram belonaves], tomando a varonil resolução de bater-se. Para este fim abordou com o seu navio a almiranta espanhola, a qual sofreu tão forte canhoneio que foi a pique. Em compensação o navio do nosso Sr. General incendiou-se e foi ao fundo, salvando-se apenas 4 soldados e 2 marinheiros, perecendo o esforçado herói Sr. General Pater. Não obstante ter morrido o chefe, o nosso Sr. Vice-almirante portou-se como valente guerreiro, metendo a pique a vice-almiranta espanhola e aprisionando o navio do Capitão de Mar.

Ainda assim os navios espanhois afastaram-se dos nossos sem ousarem ataca-los ou persegui-los e os nossos dirigiram-se para aqui. Acham-se na maioria muito avariados, trazem muitos feridos que perderam pernas e braços. O meu camarada e patrício Felippe de Haussen contou-me que era tamanho o ruído produzido pela grossa artilharia e mosquetaria que parecia querer o céu precipitar-se no mar, o que é facilmente crível, pois, do nosso lado perdemos 500 homens e 2 navios. Do lado dos espanhóis morreram mais de 1500 homens, foram ao fundo 3 navios.

Um grande e belo galeão aprisionado pelo Vice-almirante e trazido para aqui estava tão danificado pelas balas que se podia ver através dos dois costados. Os navios estavam por dentro e por fora tão salpicados de carne humana, miolos e sangue, que foi preciso raspá-los com vassouras, o que foi horrível de se ver.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano - 150 ANOS

Fundado em 28 de janeiro de 1862, o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano é o Instituto Histórico estadual mais antigo do país, apenas mais recente que Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, fundado em 1838.

Foi a instituição pioneira na sistematização dos estudos sobre a história de Pernambuco e dos estados vizinhos, bem como na preservação das fontes e dos fundos bibliográficos de interesse para nossa história. Foram seus fundadores: Joaquim Pires Machado Portela, Antônio Rangel Torres Bandeira, Salvador Henrique de Albuquerque, Antônio Vitrúvio Pinto Bandeira, Acioli de Vasconcelos e José Soares de Azevedo.

O Instituto Archeológico e Geographico Pernambucano, primeira denominação do IAHGP, funcionou até 1874 no Convento do Carmo do Recife. Em 1875, mudou-se para a Recebedoria das Rendas Gerais no Campo das Princesas. Passou a funcionar em um prédio da Rua da Concórdia em 1877, que em maio de 1879, foi doado em definitivo ao Instituto Arqueológico. Por causa de disputas políticas causadas pela proclamação da república a instituição foi desalojada de sua sede, cujo edifício foi posteriormente demolido. Em 1914, o governador da província desapropriou e adquiriu um prédio na Rua Visconde de Camaragibe, atual Rua do Hospício, 130, onde funcionava uma escola. Passando por adaptações, a sede foi inaugurada em 10 de novembro de 1920, abrigando o IAHGPE até hoje. Foram realizadas obras de manutenção e adaptação no prédio em 1970 e 1987.

Desde sua fundação o IAHGP consolidou-se como orgão de referência para a cultura e a ciência no Estado de Pernambuco e vizinhos, participando ativamente de episódios marcantes como a implantação da república, a libertação dos escravos, a adoção da atual bandeira de Pernambuco e a criação da Academia Pernambucana de Letras. O Instituto mantem-se até hoje como guardião da tradição e glória de Pernambuco.

domingo, 22 de janeiro de 2012

A Maior Riqueza

Segundo os documentos oficiais da Coroa Portuguesa, a cana-de-açúcar (Saccharum officinarum) foi trazida para o Brasil em 1532 por Martin Afonso de Souza, donatário da Capitania de São Vicente. No entanto, existem relatos de que a produção de açúcar remonta a 1516 na feitoria instalada na Ilha de Itamaracá por Pero Capico, vindo na frota de Cristovão Jacques.

O primeiro engenho do Nordeste foi fundado em 1535 por Jerônimo de Albuquerque em Pernambuco, sendo chamado de Engenho de Nossa Senhora da Ajuda ou Engenho Velho de Beberibe, próximo a Olinda.

O açúcar já era utilizado na Europa desde o século XIV como artigo de alto luxo, primeiro como remédio, ora como tempero e depois na confeitaria.

Com o desenvolvimento de novas técnicas de fabrico, as características do solo e do clima nordestino, e o incremento da mão-de-obra escrava, o açúcar atingiu enorme volume de produção no Brasil. Em sua esteira, o açúcar desenvolveu um verdadeiro império paralelo que envolvia tudo e todos, terminando por atrair os holandeses da Companhia das Índias Ocidentais inicialmente à Bahia e depois à Pernambuco onde permaneceram por 24 anos, estendendo seus domínios do Maranhão ao Rio São Francisco, sem contar com inserções na África Ocidental.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Crueldade Geral

Todos os envolvidos na chamada Guerra Brasílica abusavam da crueldade como meio de intimidar o adversário e também minimizar as frequentes deserções de ambos os lados.

Observe-se a descrição de combate travado em ponto entre os fortes Frederik Hendriks (Cinco Pontas) e Prins Willem (Afogados) feita por Pierre Moreau, francês a serviço da Cia. das Índias Ocidentais:

Vindo do Recife um comboio de víveres para a guarnição de Afogados, os portugueses escondidos nos arbustos à margem do rio, o atacaram no caminho, justamente entre os dois fortes da cidade Maurícia, distantes um tiro de canhão um do outro, misturaram-se entre os holandeses, sem que as guarnições dos fortes ousassem atirar, com receio de ferir os seus, nem sair sem ordem, não sabendo se isso era para surpreende-los.

Houve uns cinquenta mortos de um lado e de outro, mas no dia seguinte uns vinte tapuias escondidos no mesmo lugar e pensando pegar alguém, foram agarrados pelos negros do Recife, que lhes cortaram as cabeças, carregando-as espetadas em chuços pelo meio das ruas, cantando e dançando a sua moda, jogaram bola com as mesmas e depois lançaram-nas no mar.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Ultra Aequinoctiale Non Peccati

As colonias americanas eram vistas na Europa como locais onde imperava a libertinagem e a falta de todas as convenções sociais.

Gaspar Barleus assim escreveu sobre as providências adotadas por Nassau no Brasil:

Todos os flagícios eram divertimento e brinquedo, divulgando-se entre os piores o epifonema: “Além da linha equinocial não se peca”, como se a moralidade não pertencesse a todos os lugares e povos, mas somente aos setentrionais, e como se a linha que divide o mundo separasse também a virtude do vício. Mas tudo isto foi suprimido e emendado pela severidade e prudência do novo governador, que coibia muitos abusos, corrigia muitos erros e punia rigorosamente muitos delitos, de modo que se poderá crer ter ele feito maior número de bons do que encontrou.

A justiça, a eqüidade, a moderação, quase enterradas no país, foram restituídas às cidades, vilas e aldeias. Restaurou-se a reverência à religião, o respeito ao Conselho, o horror dos julgamentos e o vigor das leis. Muitas destas foram proveitosamente emendadas e outras promulgadas. Conseguiram os cidadãos a sua segurança e garantiu-se a propriedade individual. A cada um voltou ou foi imposta a vontade de cumprir com os seus deveres. Os dignos obtinham muito facilmente as honras, como os indignos e criminosos os castigos. Maurício como que reuniu num só corpo nações diversas – holandeses, lusitanos e brasileiros – e lançou para o império que surgia sólidos fundamentos de progresso.


Rervm per octennivm in Brasilia...
1647

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Fernando de Noronha

O arquipélago de Fernando de Noronha foi descoberto em 24 de junho de 1503 pelo cristão-novo de mesmo nome que saíra de Lisboa em maio. Pelo dia da descoberta os marujos deram-lhe o nome de São João, mas os judeus mudaram-no depois para o do próprio comandante, Fernando de NoronhaEssa ilha, bem como vários trechos da costa brasileira, havia sido visitada e descrita por navegantes holandeses desde o início do século XVII. Esses relatos serviram de guia para a frota que invadiu Pernambuco em 1630:

A ilha de Fernando de Noronha mede entre 2 e 2¹/² milhas por aproximadamente 3/4 milhas. O lado meridional fica aberto e desprotegido contra os ventos de Leste e Sudoeste, e está inteiramente flanqueado por rochas e recifes, de modo que nem na monção do Nordeste será possível ancorar lá os navios.

Um pouco para o oeste está o embarcadouro, parcialmente rochas baixas que caem secas na baixa-mar, contra o qual podeis amarrar o barco sobre uma braçada de água para meter lastro. Ao leste do embarcadouro sai um riacho na época das chuvas. Ao oeste do embarcadouro está o lugar da aguada, que está ligada a terra como península por uma faixa estreita de 18 ou 20 pés.

A ilha começa a mostrar-se de uma distância afastada, apresenta-se como uma torre ou vela, porque só o pico ou monte íngreme se mostra antes das demais partes. Aproximando-se mais um pouco distingui-se um monte ao lado ocidental do pico, que juntos fazem a impressão duma igreja com sua torre.


Capitão Dirck Symonsz

1628

sábado, 24 de dezembro de 2011

Cronologia dos Holandeses no Brasil

Durante o século XVII os holandeses estiveram boa parte do tempo no Brasil. Vejamos os fatos mais importantes ligados a estas invasões:

1621 - termina a Trégua dos Doze Anos entre a Espanha e as Províncias Unidas.
1624 - invasão holandesa da Bahia através de esquadra do almirante Jacob Willekens.
1625 - os invasores são expulsos de Salvador por uma força luso-espanhola comandada por Dom Fradique de Toledo Osório.
1628 - esquadra do holandês Peter Heyn captura uma frota espanhola carregada de ouro e prata do México na baia de Matanzas em Cuba.
1630 - os holandeses invadem Pernambuco com uma esquadra de 67 navios do almirante Hendrik Lonck e das tropas do coronel Diederick van Waerdenburch.
1632 - com a deserção e ajuda de Domingos Fernandes Calabar os holandeses iniciam a conquista das localidades e capitanias vizinhas a Pernambuco.
1635 - tomada do Arraial do Bom Jesus pelos holandeses.
1637 - Maurício de Nassau chega ao Recife e começa a reorganizar o Brasil holandês.
1638 - Nassau tenta invadir Salvador mas é rechaçado.
1640 - início da Revolução Restauradora visando separar o trono português do espanhol, juntos como União Ibérica desde 1580.
1641 - Portugal e Holanda assinam um tratado de aliança mas a guerra no Brasil nunca foi suspensa.
1642 - a Cia. das Índias Ocidentais decide reduzir seus efetivos no Brasil.
1644 - Nassau é dispensado do cargo de governador do Brasil holandês e volta para a Europa onde descreve a situação da falta de recursos na conquista.
1645 - início da Restauração Pernambucana; batalhas dos Montes das Tabocas (03/08) e Casa Forte (17/08).
1646 - os holandeses são sitiados no Recife e nos fortes do litoral.
1648 - 1ª batalha dos Guararapes (19/04).
1649 - 2ª batalha dos Guararapes (18/02).
1652 - primeira guerra anglo-holandesa.
1653 - chega a Pernambuco grande esquadra portuguesa com tropas.
1654 - as tropas luso-brasileiras reconquistam o Recife obrigando aos holandeses a assinar a rendição em 26 de janeiro.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Descrição do Recife

Pode-se dizer que esta praça é a mais forte do Brasil e uma das mais fortes do mundo; também os Governadores e altos magistrados da Companhia das Índias Ocidentais para os Estados Gerais aí residem e possuem seus armazéns, aí aportam todos os navios, como lugar onde floresce o comércio. Está situada a oito graus além do Equador, à borda do Oceano, que tem por oriente; tem ao Ocidente a terra firme, ao norte a cidade de Olinda.

Na ponta do Recife, o rio salgado se divide; uma parte deságua no porto, outra penetra pela terra e a contorna num circuito de uma légua e meia, quase em oval, formando uma ilha do lado mais próximo e que fica situada no Recife; só se pode fazer um trajeto, sobre o qual mandaram construir uma ponte de madeira, e sobre a margem está construída uma outra cidade chamada, antigamente, pelos portugueses, Santo Antônio e, presentemente, pelos holandeses, Mauritstad ou Cidade Maurícia.


Pierre Moreau
História das Últimas Lutas no Brasil entre Holandeses e Portugueses
1646 - 1648