Illm. Sr. João Maurício, Conde de Nassau, Dignissimo Governador, Capitão e Almirante General de mar e terra do Estado do Brasil:
A Camera da villa de Olinda, como mais populosa e principal entre as mais cameras do povo de Pernambuco e de todo o Estado conquistado, tendo experimentado as benignas acções de V.Exc. a benevola propenção que tem a este povo e a todos os moradores deste Estado, e desejando constituir em a illustrissima pessoa de V.Exc. um refugio perpetuo e firme asylo e patrocinio contra as inconstancias da fortuna, tenham aqui e em Hollanda um padroeiro que os ampare e favoreça os povos e moradores do Brasil que com tanto amor governa.
Pede com amoroso affecto a V.Exc. seja servido aceitar chamar-se padroeiro seu, quando os mui altos e poderosos Senhores Estados Geraes das Provincias Unidas e S.A. o Principe de Orange sejam servidos concederno-lo.
Por penhor desta mercê pedimos a V.Exc. nos despache esta petição como pedimos.
Manoel Ribeiro de Sá,
Secretario da Camera de Olinda
Sempre tive ao povo portuguez e a todos os moradores deste Estado a affecção de que tem experiencia, e de novo farei o que a Camera da villa de Olinda me pede nesta petição, e mais particularmente, quando Deus for servido levar-me a Hollanda, estarei sempre certo, como bom intercessor, com muito boa vontade pera tudo que ahi se offerecer aos moradores do Brasil com os Senhores Estados Geraes e S.A. e Concelho da illustre Companhia.
Antonio Vaz aos 3 de agosto de 1639
Mauricio, Conde de Nassau
Espaço dedicado à cidade do Recife, ao período do Brasil holandês e ao príncipe Johann Moritz von Nassau-Siegen
quinta-feira, 5 de abril de 2012
terça-feira, 20 de março de 2012
Navios Holandeses
Desde o século XV, antes mesmo da sua independência, os holandeses possuiam uma marinha bem desenvolvida tecnologicamente, inclusive nas armas navais. O climax do poderio naval holandês vem com a Batalha das Dunas em 1639, onde a armada espanhola foi derrotada no Paço de Calais.
Nomes de alguns navios que estiveram no Brasil holandês:
Den Hollandschen Thuyn, O Jardim Holandês
De Vergulde Valck, O Falcão Dourado
De Swarte Leeuwe, O Leão Negro
De Voghel Phoenix, O Pássaro Fenix
De Halve Maen, A Meia-Lua
De Eenhoorn, O Unicórnio
Regenboog, Arco-íris
Elias
De Haen, O galo
Utrecht
Zeeland
Het Wapen van Dordrecht, A Arma de Dordrecht
Bruinvisch, Peixe marron
Gulden Sterren, Estrelas Douradas
Dolfijn, Golfinho
Zwaan, Cisne
Oranjeboom, Laranjeira
Morgensterre, Estrela D'Alva
De Schildpad, A Tartaruga
Nomes de alguns navios que estiveram no Brasil holandês:
Den Hollandschen Thuyn, O Jardim Holandês
De Vergulde Valck, O Falcão Dourado
De Swarte Leeuwe, O Leão Negro
De Voghel Phoenix, O Pássaro Fenix
De Halve Maen, A Meia-Lua
De Eenhoorn, O Unicórnio
Regenboog, Arco-íris
Elias
De Haen, O galo
Utrecht
Zeeland
Het Wapen van Dordrecht, A Arma de Dordrecht
Bruinvisch, Peixe marron
Gulden Sterren, Estrelas Douradas
Dolfijn, Golfinho
Zwaan, Cisne
Oranjeboom, Laranjeira
Morgensterre, Estrela D'Alva
De Schildpad, A Tartaruga
domingo, 11 de março de 2012
O Palácio da Boa Vista
Após a construção de sua residência oficial, o Palácio Friburgo também conhecido como Palácio das Torres, localizado na atual Praça da República, o Conde Maurício de Nassau resolve levantar outro prédio, este para servir como sua residência privada.
Nassau escolheu um local às margens do Rio Capibaribe com vista para o poente, onde segundo Barleus em seu livro Rerum per octenium in Brasilia... "a mãe natureza apresentava ali todos os encantos que aprazem aos mortais e todos os atrativos de uma vida mais tranquila. Em nenhuma outra parte encontravam os mais ocupados prazeres iguais aos dali. Naquele remanso, descansava Nassau, rodeado pela vista das suas construções e longe da pátria. Contemplava astros nunca vistos pela sua Alemanha e admirava a constância de um clima dulcíssimo."
De acordo com desenho de Frans Post o Palácio da Boa Vista, Schoonzit em holandês, assim denominado por Nassau, era um prédio quadrangular de dois pavimentos com pequenas torres em cada canto encimadas por telhados agudos. Na parte central existia uma torre maior dotada de um mastro com bandeira. Nassau ainda mandou construir uma ponte em frente ao palácio ligando-o ao continente. Hoje, aproximadamente no mesmo local, existe a Ponte 06 de Março.
Durante o cerco final dos luso-brasileiros ao Recife, o Schoonzit foi fortificado para servir como ponto de defesa. Após a Restauração Pernambucana, o prédio foi doado à Ordem Carmelita que lá instalou um hospício, uma capela e posteriormente o Convento do Carmo.
O atual bairro da Boa Vista tem seu nome graças àquele palácio do Conde de Nassau.
Nassau escolheu um local às margens do Rio Capibaribe com vista para o poente, onde segundo Barleus em seu livro Rerum per octenium in Brasilia... "a mãe natureza apresentava ali todos os encantos que aprazem aos mortais e todos os atrativos de uma vida mais tranquila. Em nenhuma outra parte encontravam os mais ocupados prazeres iguais aos dali. Naquele remanso, descansava Nassau, rodeado pela vista das suas construções e longe da pátria. Contemplava astros nunca vistos pela sua Alemanha e admirava a constância de um clima dulcíssimo."
De acordo com desenho de Frans Post o Palácio da Boa Vista, Schoonzit em holandês, assim denominado por Nassau, era um prédio quadrangular de dois pavimentos com pequenas torres em cada canto encimadas por telhados agudos. Na parte central existia uma torre maior dotada de um mastro com bandeira. Nassau ainda mandou construir uma ponte em frente ao palácio ligando-o ao continente. Hoje, aproximadamente no mesmo local, existe a Ponte 06 de Março.
Durante o cerco final dos luso-brasileiros ao Recife, o Schoonzit foi fortificado para servir como ponto de defesa. Após a Restauração Pernambucana, o prédio foi doado à Ordem Carmelita que lá instalou um hospício, uma capela e posteriormente o Convento do Carmo.
O atual bairro da Boa Vista tem seu nome graças àquele palácio do Conde de Nassau.
domingo, 4 de março de 2012
A Ponte
Nunca, até então no Brasil, havia sido construida uma ponte nas proporções daquela inaugurada por Nassau em 28 de fevereiro de 1644 ligando o Recife a Mauritsstadt:
Maurício aconselhou a ligação da ilha ao Recife por meio de uma ponte, facilitando o transporte do açúcar para a ilha, pois este só se podia fazer durante o refluxo da maré e não sem dano, porque amiúde eram os carregamentos atingidos pela água e pelos respingos das ondas. Além disso, a passagem mediante barcos era perigosa, tendo eles mais de uma vez soçobrado, já pelo peso e excesso das cargas, já pelo açoite dos ventos.
O que Nassau continuamente alvitrara por fim persuadiu, e resolveu-se lançar a ponte sobre o rio. Empreitou o Conselho a construção dela por 240.000 florins. O construtor [Baltazar da Fonseca], iniciando o serviço e apertando com diligência o trabalho dos seus operários, depois de ter levantado alguns pilares de pedra, chegara ao leito da corrente, onde é maior a profundidade, calculada em onze pés geométricos ainda na baixa-mar. Perdendo, pois, a confiança em si e na sua arte, desesperava de executar a obra. Confessou que pode mais a natureza que a arte, não devendo as pessoas prudentes tentar o impossível. Decerto, cumpria ao construtor considerar tudo isto antes.
Ignoram que é diversa a condição dos príncipes, cujo objetivo precípuo deve ser alcançarem fama. Julgando Maurício que importava à sua honra terminar o que tomara a peito e que era de um caráter fraco desesperar do interesse geral pela desesperança de um só, meteu ombro à empresa, e, reunindo material e todos os lados e à sua custa, principiou a estear o resto da ponte, não em pedra, mas em madeira. Cortaram-se árvores nas matas, e das árvores se tiraram traves, com 40 a 50 pés de comprimento, impermeáveis à água pela dureza. Quis Nassau que fossem elas as estacas e botaréus da ponte, cravando-se no fundo, com o auxílio de martelões, até doze pés, umas verticais, outras obliquas, para obedecerem à correnteza.
Rematada a obra com admiração de todos, declarou o Conde ao Conselho os motivos do seu ato, figurando entre os primeiros e mais ponderosos as censuras de alguns, na Holanda, os quais lhe lançavam em rosto as despesas crescidas e inúteis.
Já aprovavam os conselheiros, diante do êxito alcançado, aquilo mesmo que, antes de acabar-se, tinham reprovado e pediram fosse aquela ponte do domínio publico e pertencente à Companhia. O Conde aquiesceu sem dificuldade, mas com a condição de que o rendimento do primeiro dia coubesse aos pobres. E foi de fato tamanha a freqüência dos que, por amor da novidade, iam e vinham aquele dia, que o dinheiro recolhido montou a 620 florins. O tributo anual foi vendido por 28.000 florins. Os cidadãos pagavam de portagem 2 stuivers [vigésima parte do florin], 237 os soldados e os escravos 1, os cavaleiros 4 e os carros de boi 7 cada um. A passagem do rio em barcas, que, antes da chegada de Nassau, rendia ao tesouro apenas 600 florins, cresceu a tal ponto no valor que ainda antes de se concluir a ponte, ascendeu a 6.000 florins mais.
Gaspar Barleus, Rervm per octennivm in Brasilia... 1647
A ponte de Nassau tinha uma extensão de 318 m com 15 pilares de pedra e 10 de madeira.
Maurício aconselhou a ligação da ilha ao Recife por meio de uma ponte, facilitando o transporte do açúcar para a ilha, pois este só se podia fazer durante o refluxo da maré e não sem dano, porque amiúde eram os carregamentos atingidos pela água e pelos respingos das ondas. Além disso, a passagem mediante barcos era perigosa, tendo eles mais de uma vez soçobrado, já pelo peso e excesso das cargas, já pelo açoite dos ventos.
O que Nassau continuamente alvitrara por fim persuadiu, e resolveu-se lançar a ponte sobre o rio. Empreitou o Conselho a construção dela por 240.000 florins. O construtor [Baltazar da Fonseca], iniciando o serviço e apertando com diligência o trabalho dos seus operários, depois de ter levantado alguns pilares de pedra, chegara ao leito da corrente, onde é maior a profundidade, calculada em onze pés geométricos ainda na baixa-mar. Perdendo, pois, a confiança em si e na sua arte, desesperava de executar a obra. Confessou que pode mais a natureza que a arte, não devendo as pessoas prudentes tentar o impossível. Decerto, cumpria ao construtor considerar tudo isto antes.
Ignoram que é diversa a condição dos príncipes, cujo objetivo precípuo deve ser alcançarem fama. Julgando Maurício que importava à sua honra terminar o que tomara a peito e que era de um caráter fraco desesperar do interesse geral pela desesperança de um só, meteu ombro à empresa, e, reunindo material e todos os lados e à sua custa, principiou a estear o resto da ponte, não em pedra, mas em madeira. Cortaram-se árvores nas matas, e das árvores se tiraram traves, com 40 a 50 pés de comprimento, impermeáveis à água pela dureza. Quis Nassau que fossem elas as estacas e botaréus da ponte, cravando-se no fundo, com o auxílio de martelões, até doze pés, umas verticais, outras obliquas, para obedecerem à correnteza.
Rematada a obra com admiração de todos, declarou o Conde ao Conselho os motivos do seu ato, figurando entre os primeiros e mais ponderosos as censuras de alguns, na Holanda, os quais lhe lançavam em rosto as despesas crescidas e inúteis.
Já aprovavam os conselheiros, diante do êxito alcançado, aquilo mesmo que, antes de acabar-se, tinham reprovado e pediram fosse aquela ponte do domínio publico e pertencente à Companhia. O Conde aquiesceu sem dificuldade, mas com a condição de que o rendimento do primeiro dia coubesse aos pobres. E foi de fato tamanha a freqüência dos que, por amor da novidade, iam e vinham aquele dia, que o dinheiro recolhido montou a 620 florins. O tributo anual foi vendido por 28.000 florins. Os cidadãos pagavam de portagem 2 stuivers [vigésima parte do florin], 237 os soldados e os escravos 1, os cavaleiros 4 e os carros de boi 7 cada um. A passagem do rio em barcas, que, antes da chegada de Nassau, rendia ao tesouro apenas 600 florins, cresceu a tal ponto no valor que ainda antes de se concluir a ponte, ascendeu a 6.000 florins mais.
Gaspar Barleus, Rervm per octennivm in Brasilia... 1647
A ponte de Nassau tinha uma extensão de 318 m com 15 pilares de pedra e 10 de madeira.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Descrição de Olinda
Adrian Verdonck
Memoria apresentada ao Conselho Político do Brasil, 20 de maio de 1630.
Até aqui temos mencionado todos os lugares que se acham sob a jurisdição de Pernambuco, isto é, do Rio S. Francisco até a cidade; agora vamos fallar da mesma cidade, referindo como dentro della se encontra um muito bello, grande e forte convento de Jesuitas; logo junto outro de Capuchinhos e adiante ainda outro chamado de S. Bento, tambem bonito forte e grande...
Tem a mesma cidade de Pernambuco duas igejas parochiaes chamadas do Salvador e de S. Pedro, e ainda outra de nome Misericordia, onde tambem está o hospital, assente sobre um monte no centro da cidade...
Ordinariamente vêm a Pernambuco todos os dias, por terra, de distancias de 1 a 6 milhas, 350 a 400 mouros, antes mais do que menos, todos bem carregados com comestíveis afim de vendel-os para os seus senhores, e isto além das barcas que diariamente chegam ao Recife, de todos os lugares atraz mencionados e ainda de outros, e que tambem trazem mantimentos; todos os dias vão mais de 200 negros a uma ou duas milhas da cidade só a pegar carangueijos, voltando a tarde para casa carregados vendem-nos todos...
Na minha opinião devia haver na cidade de Pernambuco mais de 800 homens e bem 4000 ou mais mouros e ainda outras tantas mulheres e crianças.
Traduzido de Brieven en papieren uit Brazilie por Alfredo de Carvalho e publicado na Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, nº 54 de 1900
Memoria apresentada ao Conselho Político do Brasil, 20 de maio de 1630.
Até aqui temos mencionado todos os lugares que se acham sob a jurisdição de Pernambuco, isto é, do Rio S. Francisco até a cidade; agora vamos fallar da mesma cidade, referindo como dentro della se encontra um muito bello, grande e forte convento de Jesuitas; logo junto outro de Capuchinhos e adiante ainda outro chamado de S. Bento, tambem bonito forte e grande...
Tem a mesma cidade de Pernambuco duas igejas parochiaes chamadas do Salvador e de S. Pedro, e ainda outra de nome Misericordia, onde tambem está o hospital, assente sobre um monte no centro da cidade...
Ordinariamente vêm a Pernambuco todos os dias, por terra, de distancias de 1 a 6 milhas, 350 a 400 mouros, antes mais do que menos, todos bem carregados com comestíveis afim de vendel-os para os seus senhores, e isto além das barcas que diariamente chegam ao Recife, de todos os lugares atraz mencionados e ainda de outros, e que tambem trazem mantimentos; todos os dias vão mais de 200 negros a uma ou duas milhas da cidade só a pegar carangueijos, voltando a tarde para casa carregados vendem-nos todos...
Na minha opinião devia haver na cidade de Pernambuco mais de 800 homens e bem 4000 ou mais mouros e ainda outras tantas mulheres e crianças.
Traduzido de Brieven en papieren uit Brazilie por Alfredo de Carvalho e publicado na Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, nº 54 de 1900
sábado, 11 de fevereiro de 2012
A Rendição Holandesa
Em 26 de janeiro de 1654, às 23:00 hr, os comandantes holandeses assinaram na Campina do Taborda o termo de rendição de suas tropas bem como a devolução de todas as suas conquistas no Brasil.
Comemorando o feito, o presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano proferiu discurso destacando o significado da data:
...Festejamos, hoje, senhores, um duplo anniversario: o da installação do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, e o da cessação do ominoso dominio hollandez nesta e em outras provincias do norte do Brasil.
O primeiro -o da fundaçao do Instituto- recorda o esforço de alguns pernambucanos benemeritos que entederam congregar-se em torno do glorioso estandarte das nossas tradições, e conseguiram erigir este templo, onde, durante vinte e cinco annos, temos vindo pagar o tributo de nossa fé civica, fazendo a apotheose do passado e glorificando os que trabalharam e morreram pela patria. O segundo -o da restauração de Pernambuco- recorda a seu turno, a inolvidavel empreza daqueles grandes patriotas do seculo XVII, que de 1630 a 1654, sacrificaram-se dia a dia, hora a hora, minuto a minuto, na reinvidicção desta terra que lhes haviam usurpado, e despenderam o seus cabedaes, a sua saude, o seu sangue, as suas vidas na elaboração do futuro nacional.
Senhores, depois do dia 7 de setembro de 1822, precedido do dia 6 de março de 1817, não ha para esta provincia outro que mereça ser tão festejado como o 27 de janeiro de 1654.
Não foi, pois, unicamente a nossa provincia que logrou subtrahir-se ao jugo estrangeiro; toda a immensa porção do território, que abrange as provincias da Parahyba, do Rio Grande do Norte, Ceará e da actual das Alagoas até a margem esquerda do Rio S. Francisco, foi redimida comnosco e deve a sua existencia politica de hoje aos inarraveis esforços dos patriotas que a 27 de janeiro de 1654 penetraram n'esta cidade.
27 de janeiro de 1887.
Dr. João José Pinto Junior.
Comemorando o feito, o presidente do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano proferiu discurso destacando o significado da data:
...Festejamos, hoje, senhores, um duplo anniversario: o da installação do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano, e o da cessação do ominoso dominio hollandez nesta e em outras provincias do norte do Brasil.
O primeiro -o da fundaçao do Instituto- recorda o esforço de alguns pernambucanos benemeritos que entederam congregar-se em torno do glorioso estandarte das nossas tradições, e conseguiram erigir este templo, onde, durante vinte e cinco annos, temos vindo pagar o tributo de nossa fé civica, fazendo a apotheose do passado e glorificando os que trabalharam e morreram pela patria. O segundo -o da restauração de Pernambuco- recorda a seu turno, a inolvidavel empreza daqueles grandes patriotas do seculo XVII, que de 1630 a 1654, sacrificaram-se dia a dia, hora a hora, minuto a minuto, na reinvidicção desta terra que lhes haviam usurpado, e despenderam o seus cabedaes, a sua saude, o seu sangue, as suas vidas na elaboração do futuro nacional.
Senhores, depois do dia 7 de setembro de 1822, precedido do dia 6 de março de 1817, não ha para esta provincia outro que mereça ser tão festejado como o 27 de janeiro de 1654.
Não foi, pois, unicamente a nossa provincia que logrou subtrahir-se ao jugo estrangeiro; toda a immensa porção do território, que abrange as provincias da Parahyba, do Rio Grande do Norte, Ceará e da actual das Alagoas até a margem esquerda do Rio S. Francisco, foi redimida comnosco e deve a sua existencia politica de hoje aos inarraveis esforços dos patriotas que a 27 de janeiro de 1654 penetraram n'esta cidade.
27 de janeiro de 1887.
Dr. João José Pinto Junior.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
A Guerra no Mar
A marinha holandesa era uma das melhores do mundo no século XVII, juntamente com a marinha espanhola e a inglesa. Eram frequentes os embates entre navios holandeses e luso-espanhois na costa brasileira para impedir o desembarque de tropas e o transporte de mercadorias na rota Europa/Brasil/Europa.
Em 1631, o soldado Ambrósio Richshoffer da Cia. das Índias Ocidentais, descreve a chegada de uma esquadra holandesa ao Recife, após uma batalha travada contra forças navais do almirante espanhol D. Antônio Oquendo na altura de Porto Seguro, Bahia:
A 22 de setembro entraram no porto diversos navios da frota do Sr. General Pater. Por eles soubemos que seus 16 navios encontraram a armada espanhola forte de 54 velas [destes apenas 17 eram belonaves], tomando a varonil resolução de bater-se. Para este fim abordou com o seu navio a almiranta espanhola, a qual sofreu tão forte canhoneio que foi a pique. Em compensação o navio do nosso Sr. General incendiou-se e foi ao fundo, salvando-se apenas 4 soldados e 2 marinheiros, perecendo o esforçado herói Sr. General Pater. Não obstante ter morrido o chefe, o nosso Sr. Vice-almirante portou-se como valente guerreiro, metendo a pique a vice-almiranta espanhola e aprisionando o navio do Capitão de Mar.
Ainda assim os navios espanhois afastaram-se dos nossos sem ousarem ataca-los ou persegui-los e os nossos dirigiram-se para aqui. Acham-se na maioria muito avariados, trazem muitos feridos que perderam pernas e braços. O meu camarada e patrício Felippe de Haussen contou-me que era tamanho o ruído produzido pela grossa artilharia e mosquetaria que parecia querer o céu precipitar-se no mar, o que é facilmente crível, pois, do nosso lado perdemos 500 homens e 2 navios. Do lado dos espanhóis morreram mais de 1500 homens, foram ao fundo 3 navios.
Um grande e belo galeão aprisionado pelo Vice-almirante e trazido para aqui estava tão danificado pelas balas que se podia ver através dos dois costados. Os navios estavam por dentro e por fora tão salpicados de carne humana, miolos e sangue, que foi preciso raspá-los com vassouras, o que foi horrível de se ver.
Em 1631, o soldado Ambrósio Richshoffer da Cia. das Índias Ocidentais, descreve a chegada de uma esquadra holandesa ao Recife, após uma batalha travada contra forças navais do almirante espanhol D. Antônio Oquendo na altura de Porto Seguro, Bahia:
A 22 de setembro entraram no porto diversos navios da frota do Sr. General Pater. Por eles soubemos que seus 16 navios encontraram a armada espanhola forte de 54 velas [destes apenas 17 eram belonaves], tomando a varonil resolução de bater-se. Para este fim abordou com o seu navio a almiranta espanhola, a qual sofreu tão forte canhoneio que foi a pique. Em compensação o navio do nosso Sr. General incendiou-se e foi ao fundo, salvando-se apenas 4 soldados e 2 marinheiros, perecendo o esforçado herói Sr. General Pater. Não obstante ter morrido o chefe, o nosso Sr. Vice-almirante portou-se como valente guerreiro, metendo a pique a vice-almiranta espanhola e aprisionando o navio do Capitão de Mar.
Ainda assim os navios espanhois afastaram-se dos nossos sem ousarem ataca-los ou persegui-los e os nossos dirigiram-se para aqui. Acham-se na maioria muito avariados, trazem muitos feridos que perderam pernas e braços. O meu camarada e patrício Felippe de Haussen contou-me que era tamanho o ruído produzido pela grossa artilharia e mosquetaria que parecia querer o céu precipitar-se no mar, o que é facilmente crível, pois, do nosso lado perdemos 500 homens e 2 navios. Do lado dos espanhóis morreram mais de 1500 homens, foram ao fundo 3 navios.
Um grande e belo galeão aprisionado pelo Vice-almirante e trazido para aqui estava tão danificado pelas balas que se podia ver através dos dois costados. Os navios estavam por dentro e por fora tão salpicados de carne humana, miolos e sangue, que foi preciso raspá-los com vassouras, o que foi horrível de se ver.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano - 150 ANOS
Fundado em 28 de janeiro de 1862, o Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano é o Instituto Histórico estadual mais antigo do país, apenas mais recente que Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, fundado em 1838.
Foi a instituição pioneira na sistematização dos estudos sobre a história de Pernambuco e dos estados vizinhos, bem como na preservação das fontes e dos fundos bibliográficos de interesse para nossa história. Foram seus fundadores: Joaquim Pires Machado Portela, Antônio Rangel Torres Bandeira, Salvador Henrique de Albuquerque, Antônio Vitrúvio Pinto Bandeira, Acioli de Vasconcelos e José Soares de Azevedo.
O Instituto Archeológico e Geographico Pernambucano, primeira denominação do IAHGP, funcionou até 1874 no Convento do Carmo do Recife. Em 1875, mudou-se para a Recebedoria das Rendas Gerais no Campo das Princesas. Passou a funcionar em um prédio da Rua da Concórdia em 1877, que em maio de 1879, foi doado em definitivo ao Instituto Arqueológico. Por causa de disputas políticas causadas pela proclamação da república a instituição foi desalojada de sua sede, cujo edifício foi posteriormente demolido. Em 1914, o governador da província desapropriou e adquiriu um prédio na Rua Visconde de Camaragibe, atual Rua do Hospício, 130, onde funcionava uma escola. Passando por adaptações, a sede foi inaugurada em 10 de novembro de 1920, abrigando o IAHGPE até hoje. Foram realizadas obras de manutenção e adaptação no prédio em 1970 e 1987.
Desde sua fundação o IAHGP consolidou-se como orgão de referência para a cultura e a ciência no Estado de Pernambuco e vizinhos, participando ativamente de episódios marcantes como a implantação da república, a libertação dos escravos, a adoção da atual bandeira de Pernambuco e a criação da Academia Pernambucana de Letras. O Instituto mantem-se até hoje como guardião da tradição e glória de Pernambuco.
Foi a instituição pioneira na sistematização dos estudos sobre a história de Pernambuco e dos estados vizinhos, bem como na preservação das fontes e dos fundos bibliográficos de interesse para nossa história. Foram seus fundadores: Joaquim Pires Machado Portela, Antônio Rangel Torres Bandeira, Salvador Henrique de Albuquerque, Antônio Vitrúvio Pinto Bandeira, Acioli de Vasconcelos e José Soares de Azevedo.
O Instituto Archeológico e Geographico Pernambucano, primeira denominação do IAHGP, funcionou até 1874 no Convento do Carmo do Recife. Em 1875, mudou-se para a Recebedoria das Rendas Gerais no Campo das Princesas. Passou a funcionar em um prédio da Rua da Concórdia em 1877, que em maio de 1879, foi doado em definitivo ao Instituto Arqueológico. Por causa de disputas políticas causadas pela proclamação da república a instituição foi desalojada de sua sede, cujo edifício foi posteriormente demolido. Em 1914, o governador da província desapropriou e adquiriu um prédio na Rua Visconde de Camaragibe, atual Rua do Hospício, 130, onde funcionava uma escola. Passando por adaptações, a sede foi inaugurada em 10 de novembro de 1920, abrigando o IAHGPE até hoje. Foram realizadas obras de manutenção e adaptação no prédio em 1970 e 1987.
Desde sua fundação o IAHGP consolidou-se como orgão de referência para a cultura e a ciência no Estado de Pernambuco e vizinhos, participando ativamente de episódios marcantes como a implantação da república, a libertação dos escravos, a adoção da atual bandeira de Pernambuco e a criação da Academia Pernambucana de Letras. O Instituto mantem-se até hoje como guardião da tradição e glória de Pernambuco.
domingo, 22 de janeiro de 2012
A Maior Riqueza
Segundo os documentos oficiais da Coroa Portuguesa, a cana-de-açúcar (Saccharum officinarum) foi trazida para o Brasil em 1532 por Martin Afonso de Souza, donatário da Capitania de São Vicente. No entanto, existem relatos de que a produção de açúcar remonta a 1516 na feitoria instalada na Ilha de Itamaracá por Pero Capico, vindo na frota de Cristovão Jacques.
O primeiro engenho do Nordeste foi fundado em 1535 por Jerônimo de Albuquerque em Pernambuco, sendo chamado de Engenho de Nossa Senhora da Ajuda ou Engenho Velho de Beberibe, próximo a Olinda.
O açúcar já era utilizado na Europa desde o século XIV como artigo de alto luxo, primeiro como remédio, ora como tempero e depois na confeitaria.
Com o desenvolvimento de novas técnicas de fabrico, as características do solo e do clima nordestino, e o incremento da mão-de-obra escrava, o açúcar atingiu enorme volume de produção no Brasil. Em sua esteira, o açúcar desenvolveu um verdadeiro império paralelo que envolvia tudo e todos, terminando por atrair os holandeses da Companhia das Índias Ocidentais inicialmente à Bahia e depois à Pernambuco onde permaneceram por 24 anos, estendendo seus domínios do Maranhão ao Rio São Francisco, sem contar com inserções na África Ocidental.
sábado, 21 de janeiro de 2012
Crueldade Geral
Todos os envolvidos na chamada Guerra Brasílica abusavam da crueldade como meio de intimidar o adversário e também minimizar as frequentes deserções de ambos os lados.
Observe-se a descrição de combate travado em ponto entre os fortes Frederik Hendriks (Cinco Pontas) e Prins Willem (Afogados) feita por Pierre Moreau, francês a serviço da Cia. das Índias Ocidentais:
Vindo do Recife um comboio de víveres para a guarnição de Afogados, os portugueses escondidos nos arbustos à margem do rio, o atacaram no caminho, justamente entre os dois fortes da cidade Maurícia, distantes um tiro de canhão um do outro, misturaram-se entre os holandeses, sem que as guarnições dos fortes ousassem atirar, com receio de ferir os seus, nem sair sem ordem, não sabendo se isso era para surpreende-los.
Houve uns cinquenta mortos de um lado e de outro, mas no dia seguinte uns vinte tapuias escondidos no mesmo lugar e pensando pegar alguém, foram agarrados pelos negros do Recife, que lhes cortaram as cabeças, carregando-as espetadas em chuços pelo meio das ruas, cantando e dançando a sua moda, jogaram bola com as mesmas e depois lançaram-nas no mar.
Observe-se a descrição de combate travado em ponto entre os fortes Frederik Hendriks (Cinco Pontas) e Prins Willem (Afogados) feita por Pierre Moreau, francês a serviço da Cia. das Índias Ocidentais:
Vindo do Recife um comboio de víveres para a guarnição de Afogados, os portugueses escondidos nos arbustos à margem do rio, o atacaram no caminho, justamente entre os dois fortes da cidade Maurícia, distantes um tiro de canhão um do outro, misturaram-se entre os holandeses, sem que as guarnições dos fortes ousassem atirar, com receio de ferir os seus, nem sair sem ordem, não sabendo se isso era para surpreende-los.
Houve uns cinquenta mortos de um lado e de outro, mas no dia seguinte uns vinte tapuias escondidos no mesmo lugar e pensando pegar alguém, foram agarrados pelos negros do Recife, que lhes cortaram as cabeças, carregando-as espetadas em chuços pelo meio das ruas, cantando e dançando a sua moda, jogaram bola com as mesmas e depois lançaram-nas no mar.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Ultra Aequinoctiale Non Peccati
As colonias americanas eram vistas na Europa como locais onde imperava a libertinagem e a falta de todas as convenções sociais.
Gaspar Barleus assim escreveu sobre as providências adotadas por Nassau no Brasil:
Todos os flagícios eram divertimento e brinquedo, divulgando-se entre os piores o epifonema: “Além da linha equinocial não se peca”, como se a moralidade não pertencesse a todos os lugares e povos, mas somente aos setentrionais, e como se a linha que divide o mundo separasse também a virtude do vício. Mas tudo isto foi suprimido e emendado pela severidade e prudência do novo governador, que coibia muitos abusos, corrigia muitos erros e punia rigorosamente muitos delitos, de modo que se poderá crer ter ele feito maior número de bons do que encontrou.
A justiça, a eqüidade, a moderação, quase enterradas no país, foram restituídas às cidades, vilas e aldeias. Restaurou-se a reverência à religião, o respeito ao Conselho, o horror dos julgamentos e o vigor das leis. Muitas destas foram proveitosamente emendadas e outras promulgadas. Conseguiram os cidadãos a sua segurança e garantiu-se a propriedade individual. A cada um voltou ou foi imposta a vontade de cumprir com os seus deveres. Os dignos obtinham muito facilmente as honras, como os indignos e criminosos os castigos. Maurício como que reuniu num só corpo nações diversas – holandeses, lusitanos e brasileiros – e lançou para o império que surgia sólidos fundamentos de progresso.
Rervm per octennivm in Brasilia...
1647
Gaspar Barleus assim escreveu sobre as providências adotadas por Nassau no Brasil:
Todos os flagícios eram divertimento e brinquedo, divulgando-se entre os piores o epifonema: “Além da linha equinocial não se peca”, como se a moralidade não pertencesse a todos os lugares e povos, mas somente aos setentrionais, e como se a linha que divide o mundo separasse também a virtude do vício. Mas tudo isto foi suprimido e emendado pela severidade e prudência do novo governador, que coibia muitos abusos, corrigia muitos erros e punia rigorosamente muitos delitos, de modo que se poderá crer ter ele feito maior número de bons do que encontrou.
A justiça, a eqüidade, a moderação, quase enterradas no país, foram restituídas às cidades, vilas e aldeias. Restaurou-se a reverência à religião, o respeito ao Conselho, o horror dos julgamentos e o vigor das leis. Muitas destas foram proveitosamente emendadas e outras promulgadas. Conseguiram os cidadãos a sua segurança e garantiu-se a propriedade individual. A cada um voltou ou foi imposta a vontade de cumprir com os seus deveres. Os dignos obtinham muito facilmente as honras, como os indignos e criminosos os castigos. Maurício como que reuniu num só corpo nações diversas – holandeses, lusitanos e brasileiros – e lançou para o império que surgia sólidos fundamentos de progresso.
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