A escravidão era comum a quase todas as civilizações da antiguidade, sendo praticada em culturas do oriente, oriente médio e ocidente.
No Novo Mundo a escravidão já existia entre os índios, que escravizavam os vencidos nas guerras. Com a chegada dos espanhóis e portugueses os escravos eram comercializados com os colonizadores. No Brasil, os índios não se prestavam aos duros trabalhos que lhes eram impostos, como a extração do pau-brasil e o cultivo da cana-de-açúcar, sendo substituídos pelos negros africanos. Como os negros eram considerados infiéis e por isso inimigos da Igreja Católica, o Papa Eugênio IV já havia autorizado em 1436 a escravatura dos africanos.
Com o aumento da produção açucareira no final do século XVI, o tráfico negreiro cresceu assustadoramente, estimando-se em 30.000 negros sequestrados da África para trabalharem no Brasil até 1600, principalmente nas lavouras de cana-de-açúcar.
Os invasores holandeses logo observaram que o braço escravo era imprescindível à produção do açúcar, seu objetivo primário, tratando de implantar entrepostos na própria África para garantir um fluxo constante de negros para os engenhos do Brasil holandês. Nassau envia expedições à São Jorge da Mina e São Paulo de Luanda conquistando as fortalezas portuguesas daquelas localidades.
Os escravos eram transportados em condições sub-humanas, amontoados em navios sem nenhuma higiene e quase sem alimento e água. A mortandade era tamanha que o próprio Nassau, em 1644, envia relatório aos Estados Gerais na Holanda assinalando que um quarto dos negros embarcados na África morria devido às péssimas condições da travessia.
A Cia. das Índias Ocidentais traficava e vendia os negros escravos para os senhores-de-engenho com grande lucro. Eram comprados na África por valores entre 12 e 75 florins e vendidos no Recife, na Rua dos Judeus, por 200 a 300 florins. Os escravos eram utilizados, além da cultura da cana e produção açucareira, nas tarefas domésticas, na extração do pau-brasil, na criação de gado e também como soldados nas guerras.
O engenheiro e historiador Roberto Simonsen em seu livro História Econômica do Brasil (1937) estima que 350 mil negros foram trazidos da África para o Brasil no século XVII.
A importância dos escravos no Brasil era tão evidente que o padre Antônio Vieira afirmou em 1648: Sem negros não há Pernambuco.
Espaço dedicado à cidade do Recife, ao período do Brasil holandês e ao príncipe Johann Moritz von Nassau-Siegen
sábado, 19 de janeiro de 2013
quarta-feira, 26 de dezembro de 2012
Forte Orange
Após a tomada de Olinda e do Recife em 1630, os holandeses começaram a expandir a conquista e no ano seguinte decidiram atacar a vizinha Capitania de Itamaracá. Para tanto construíram um ponto forte no extremo sul da ilha, que foi denominado Schans Oranje (trincheira Orange), em homenagem a Casa Real da Holanda. Partindo deste local em 1633, as tropas do coronel alemão Sigmund von Schkoppe poderam vencer as defesas luso-brasileiras e tomar a vila de Conceição (hoje Vila Velha) após cerco de dois anos. O local passou a ser chamado Vila Schkoppe.
Pela sua importância na defesa da entrada do canal que dava acesso à Vila Schkoppe, seu porto e Igarassú, o Forte Orange foi sendo ampliado e artilhado pelos holandeses. Algumas tentativas das forças portuguesas para retomar o forte foram rechaçadas pelos invasores.
Em 1654, com a rendição dos holandeses, o Forte Orange passou para o controle dos portugueses sendo renomeado como Fortaleza de Santa Cruz.
Foi reparado em 1696 e novamente em 1777. No início do século XIX encontrava-se abandonado e em ruínas. Sofreu novos reparos em 1817, sendo ocupado por tropas do Padre Tenório na Revolução Pernambucana no mesmo ano.
Tombado pelo Serviço do Patrimonio Historico e Artistico Nacional em 1938, foi administrado por diversos orgãos públicos como o Exército Brasileiro, Prefeitura de Itamaracá (inclusive através de José Amaro de Souza Filho), Ministério da Cultura e FADE. Esta última coordenou um projeto de pesquisa arqueológica envolvendo a UFPE, MOWIC Foundation (holandesa), IPHAN e Governo de Pernambuco.
Existe um projeto para recuperação do forte com a implantação de museu e algumas facilidades, além de adequação do entorno para a visitação e lazer.
Pela sua importância na defesa da entrada do canal que dava acesso à Vila Schkoppe, seu porto e Igarassú, o Forte Orange foi sendo ampliado e artilhado pelos holandeses. Algumas tentativas das forças portuguesas para retomar o forte foram rechaçadas pelos invasores.
Em 1654, com a rendição dos holandeses, o Forte Orange passou para o controle dos portugueses sendo renomeado como Fortaleza de Santa Cruz.
Foi reparado em 1696 e novamente em 1777. No início do século XIX encontrava-se abandonado e em ruínas. Sofreu novos reparos em 1817, sendo ocupado por tropas do Padre Tenório na Revolução Pernambucana no mesmo ano.
Tombado pelo Serviço do Patrimonio Historico e Artistico Nacional em 1938, foi administrado por diversos orgãos públicos como o Exército Brasileiro, Prefeitura de Itamaracá (inclusive através de José Amaro de Souza Filho), Ministério da Cultura e FADE. Esta última coordenou um projeto de pesquisa arqueológica envolvendo a UFPE, MOWIC Foundation (holandesa), IPHAN e Governo de Pernambuco.
Existe um projeto para recuperação do forte com a implantação de museu e algumas facilidades, além de adequação do entorno para a visitação e lazer.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
A Capitania de Pernambuco
A conquista das regiões do Brasil feita, com o favor de Deus, pelas armas da Companhia Geral das Índias Ocidentais, compreende quatro capitanias, a primeira das quais, a maior, a mais rica, a mais produtiva e populosa, é a Capitania de Pernambuco.
Esta capitania de Pernambuco tem os seguintes limites: ao Sul extrema com a Capitania de Sergipe d'el Rei pelo rio São Francisco, que demora aos 10°20' de latitude meridional e ao Norte com a Capitania de Itamaracá, situando-se a linha divisória a meio rio adiante da pequena cidade Schkoppe [Vila Velha] sita na ilha de Itamaracá, e correndo daí diretamente ao ocidente, segundo a bússola, e indo encontrar a terra firme defronte da mesma ilha, no lugar onde foram fixados os marcos na altura de 75°50'.
Do rio São Francisco ao cabo Santo Agostinho a costa corre geralmente sudoeste nordeste por espaço de 33 milhas, e do dito cabo até a ilha de Itamaracá norte quarta a oeste e sul quarta a leste obra de 13 milhas. Assim esta capitania tem um litoral de 46 milhas.
Os seus portos principais, próprios para abrigar navios grandes, são o Recife de Olinda, Cabo Santo Agostinho, atrás da ilha de Santo Aleixo, Barra Grande, no das Pedras, o seu Lagamar, porto de Jaraguá, porto dos Franciscos, Coruripe. Tem também, rios próprios para barcos e embarcações pequenas, como o das Jangadas, de Serinhaém, Formoso, Una, Camaragibe, Santo Antônio Grande, as Alagoas, São Miguel e rio São Francisco, o qual, apesar de ser um grande rio, não tem barras ou portos capazes.
Esta capitania de Pernambuco se divide em quatro jurisdições, das quais a principal é a câmara da cidade de Olinda; a segunda e a mais antiga é a câmara de Igarassú; a terceira, é a câmara da Vila Formosa de Sirinhaém; a quarta, que nunca teve câmara, sendo dirigida pro libitu do mais poderoso do lugar, começa ao sul da jurisdição de Serinhaém e se estende até o rio São Francisco.
Breve discurso sobre o estado das quatro capitanias conquistadas de Pernambuco, Itamaracá, Paraíba e Rio Grande, situadas na parte setentrional do Brasil
J. Maurice Conte de Nassau
M. van Ceullen
Adriaen van der Dussen
14 de janeiro de 1638, Recife
traduzido por José Hygino Duarte Pereira
revisado por José Antônio Gonsalves de Melo
Esta capitania de Pernambuco tem os seguintes limites: ao Sul extrema com a Capitania de Sergipe d'el Rei pelo rio São Francisco, que demora aos 10°20' de latitude meridional e ao Norte com a Capitania de Itamaracá, situando-se a linha divisória a meio rio adiante da pequena cidade Schkoppe [Vila Velha] sita na ilha de Itamaracá, e correndo daí diretamente ao ocidente, segundo a bússola, e indo encontrar a terra firme defronte da mesma ilha, no lugar onde foram fixados os marcos na altura de 75°50'.
Do rio São Francisco ao cabo Santo Agostinho a costa corre geralmente sudoeste nordeste por espaço de 33 milhas, e do dito cabo até a ilha de Itamaracá norte quarta a oeste e sul quarta a leste obra de 13 milhas. Assim esta capitania tem um litoral de 46 milhas.
Os seus portos principais, próprios para abrigar navios grandes, são o Recife de Olinda, Cabo Santo Agostinho, atrás da ilha de Santo Aleixo, Barra Grande, no das Pedras, o seu Lagamar, porto de Jaraguá, porto dos Franciscos, Coruripe. Tem também, rios próprios para barcos e embarcações pequenas, como o das Jangadas, de Serinhaém, Formoso, Una, Camaragibe, Santo Antônio Grande, as Alagoas, São Miguel e rio São Francisco, o qual, apesar de ser um grande rio, não tem barras ou portos capazes.
Esta capitania de Pernambuco se divide em quatro jurisdições, das quais a principal é a câmara da cidade de Olinda; a segunda e a mais antiga é a câmara de Igarassú; a terceira, é a câmara da Vila Formosa de Sirinhaém; a quarta, que nunca teve câmara, sendo dirigida pro libitu do mais poderoso do lugar, começa ao sul da jurisdição de Serinhaém e se estende até o rio São Francisco.
Breve discurso sobre o estado das quatro capitanias conquistadas de Pernambuco, Itamaracá, Paraíba e Rio Grande, situadas na parte setentrional do Brasil
J. Maurice Conte de Nassau
M. van Ceullen
Adriaen van der Dussen
14 de janeiro de 1638, Recife
traduzido por José Hygino Duarte Pereira
revisado por José Antônio Gonsalves de Melo
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Antônio Dias Cardoso
Nascido na cidade do Porto, Portugal, no início do século XVII, Antônio Dias Cardoso veio ao Brasil com a família ainda criança.
Assentou praça na Bahia em 07 de fevereiro de 1624, participando da expulsão dos holandeses de Salvador no ano seguinte, usando táticas de guerrilhas emprestadas aos índios. O emprego das emboscadas vai marcar sua atuação no comando de diversas tropas na chamada "Guerra Brasílica".
Foi promovido a alferes em 1635 e a após participar da defesa de Salvador contra as tropas de Maurício de Nassau em 1638 alcançou o posto de capitão. Em 1640 pediu reforma, mas foi reconvocado em 1645 para participar da Insurreição Pernambucana.
Participou ativamente da batalha do Monte das Tabocas, comandando um Terço de Emboscadas com cerca de 1000 homens entre portugueses e gente da terra. Tomou parte importante também na batalha de Casa Forte. Nas duas ocasiões, comandando pessoas sem treinamento militar conseguiu vencer, juntamente com outros destacamentos, tropas mercenárias invasoras com efetivo igual, bem melhor armadas e acostumadas às batalhas.
Incumbido por André Vidal de Negreiros, percorreu o interior de Pernambuco e Bahia com suas tropas coletando informações sobre os efetivos e os locais ocupados pelos holandeses, além de arregimentar homens para a causa da Insurreição.
Sua atuação também foi destacada nas duas batalhas dos Guararapes (1648 e 1649) comandando um Terço de Emboscadas no ataque frontal na 1ª batalha e contra o flanco do inimigo postado na parte alta do terreno na 2ª batalha.
Em 4 de fevereiro de 1655, Dias Cardoso foi armado Cavaleiro da Ordem de Cristo e em 12 de maio de 1656 foi nomeado Mestre de Campo.
Durante alguns meses do ano de 1657, Dias Cardoso, nomeado por Vidal de Negreiros, assumiu o governo interino da Paraíba.
Antônio Dias Cardoso faleceu no Recife por volta de setembro de 1670, estando na época ao comando do Terço anteriormente liderado por João Fernandes Vieira.
A Lei nº 12701 de 06/08/2012 determinou que o seu nome fosse inscrito no Livro de Heróis da Pátria, conhecido como "Livro de Aço", que está depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves na praça dos Três Poderes em Brasília.
Dias Cardoso é o patrono do 1º Batalhão de Forças Especiais do Exército e do Regimento de Polícia Montada da Polícia Militar de Pernambuco.
Assentou praça na Bahia em 07 de fevereiro de 1624, participando da expulsão dos holandeses de Salvador no ano seguinte, usando táticas de guerrilhas emprestadas aos índios. O emprego das emboscadas vai marcar sua atuação no comando de diversas tropas na chamada "Guerra Brasílica".
Foi promovido a alferes em 1635 e a após participar da defesa de Salvador contra as tropas de Maurício de Nassau em 1638 alcançou o posto de capitão. Em 1640 pediu reforma, mas foi reconvocado em 1645 para participar da Insurreição Pernambucana.
Participou ativamente da batalha do Monte das Tabocas, comandando um Terço de Emboscadas com cerca de 1000 homens entre portugueses e gente da terra. Tomou parte importante também na batalha de Casa Forte. Nas duas ocasiões, comandando pessoas sem treinamento militar conseguiu vencer, juntamente com outros destacamentos, tropas mercenárias invasoras com efetivo igual, bem melhor armadas e acostumadas às batalhas.
Incumbido por André Vidal de Negreiros, percorreu o interior de Pernambuco e Bahia com suas tropas coletando informações sobre os efetivos e os locais ocupados pelos holandeses, além de arregimentar homens para a causa da Insurreição.
Sua atuação também foi destacada nas duas batalhas dos Guararapes (1648 e 1649) comandando um Terço de Emboscadas no ataque frontal na 1ª batalha e contra o flanco do inimigo postado na parte alta do terreno na 2ª batalha.
Em 4 de fevereiro de 1655, Dias Cardoso foi armado Cavaleiro da Ordem de Cristo e em 12 de maio de 1656 foi nomeado Mestre de Campo.
Durante alguns meses do ano de 1657, Dias Cardoso, nomeado por Vidal de Negreiros, assumiu o governo interino da Paraíba.
Antônio Dias Cardoso faleceu no Recife por volta de setembro de 1670, estando na época ao comando do Terço anteriormente liderado por João Fernandes Vieira.
A Lei nº 12701 de 06/08/2012 determinou que o seu nome fosse inscrito no Livro de Heróis da Pátria, conhecido como "Livro de Aço", que está depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves na praça dos Três Poderes em Brasília.
Dias Cardoso é o patrono do 1º Batalhão de Forças Especiais do Exército e do Regimento de Polícia Montada da Polícia Militar de Pernambuco.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Apresentando o Brasil ao Mundo
Chegando ao Recife em março de 1638, Georg Marcgrave foi incumbido por Nassau de fazer um levantamento da fauna e flora do Brasil holandês. Após 5 anos de expedições pelo Nordeste coletando amostras de animais e vegetais e fazendo desenhos e pinturas de paisagens, nativos, plantas e bichos de centenas de espécies, Marcgrave havia conseguido uma coleção de informações que ainda não havia sido feita em terras do Novo Mundo.
Em 1648, Joannes de Laet publica na Holanda sob o patrocínio de Nassau, o livro Historia Naturalis Brasiliae, apresentando a pesquisa de Marcgrave em conjunto com o trabalho do médico Willem Piso. Escrito em latim, o livro é dividido em duas partes: De medicina brasiliensi com quatro livros de Piso e Historiae rerum naturalium Brasiliae com oito livros de Marcgrave:
Qui agit de Herbis (ervas); Qui agit de Plantis Frutescentibus & Fruticibus (arbustos); Qui agit de Arboribus (árvores); Qui agit de Piscibus Brasiliae (peixes); Qui agit de Avibus (aves); Qui agit de Quadrupedipus & Serpentibus (quadrupedes e serpentes); Qui agit de Infectis (insetos) e Qui agit de ipsa Regione & Indigenis (região e indigenas).
Segundo o professor Dr. Matsuura: "tendo assimilado na Universidade de Leiden [Holanda] o apreço pela observação e experimentação, Marcgrave estava longe das especulações metafísicas que o precederam. Historia Naturalis Brasiliae foi uma obra revolucionária na época não só pelo seu conteúdo original, mas também pela maneira como descrevia a natureza. As notas baseadas em observações pessoais estabeleceram um marco na emergência gradual de uma história natural moderna."
Apesar de sua obra servir como principal referência de história natural do Brasil até meados do século XIX, Georg Marcgrave não chegou a ver a importância dela pois morreu no início de 1644 em Angola, aonde foi enviado para fazer levantamento cartográfico, outra de suas várias habilidades, vítima de doença tropical. Mesmo assim, seu nome está gravado no rol dos primeiros cientistas da América e destaca o Recife como Marco Zero da ciência no Brasil.
Em 1648, Joannes de Laet publica na Holanda sob o patrocínio de Nassau, o livro Historia Naturalis Brasiliae, apresentando a pesquisa de Marcgrave em conjunto com o trabalho do médico Willem Piso. Escrito em latim, o livro é dividido em duas partes: De medicina brasiliensi com quatro livros de Piso e Historiae rerum naturalium Brasiliae com oito livros de Marcgrave:
Qui agit de Herbis (ervas); Qui agit de Plantis Frutescentibus & Fruticibus (arbustos); Qui agit de Arboribus (árvores); Qui agit de Piscibus Brasiliae (peixes); Qui agit de Avibus (aves); Qui agit de Quadrupedipus & Serpentibus (quadrupedes e serpentes); Qui agit de Infectis (insetos) e Qui agit de ipsa Regione & Indigenis (região e indigenas).
Segundo o professor Dr. Matsuura: "tendo assimilado na Universidade de Leiden [Holanda] o apreço pela observação e experimentação, Marcgrave estava longe das especulações metafísicas que o precederam. Historia Naturalis Brasiliae foi uma obra revolucionária na época não só pelo seu conteúdo original, mas também pela maneira como descrevia a natureza. As notas baseadas em observações pessoais estabeleceram um marco na emergência gradual de uma história natural moderna."
Apesar de sua obra servir como principal referência de história natural do Brasil até meados do século XIX, Georg Marcgrave não chegou a ver a importância dela pois morreu no início de 1644 em Angola, aonde foi enviado para fazer levantamento cartográfico, outra de suas várias habilidades, vítima de doença tropical. Mesmo assim, seu nome está gravado no rol dos primeiros cientistas da América e destaca o Recife como Marco Zero da ciência no Brasil.
terça-feira, 11 de setembro de 2012
André Vidal de Negreiros
Paraibano de Santa Rita, nascido em 1606 no engenho São João, pertencente aos seus pais, Francisco Vidal e Catarina Ferreira, Vidal de Negreiros foi um dos heróis da Insurreição que expulsou os holandeses do Brasil em 1654.
Em 1624, Vidal foi a Salvador lutar contra as forças de invasão que os holandeses enviaram à Bahia. Vencidos os invasores no ano seguinte, ele seguiu para a Europa onde esteve por oito anos entre Portugal e Espanha.
Após a invasão de Pernambuco em 1630, os holandeses dominaram grande parte do território nordestino. Em sua expansão máxima, o chamado Brasil holandês ia do Maranhão ao Rio São Francisco. Vidal de Negreiros se engajou na luta sendo seu nome citado na defesa contra o ataque do Conde Maurício de Nassau a Salvador em 1638.
Foi nomeado governador da capitania do Maranhão em 1645 mas permaneceu na Bahia onde liderou um Terço de Emboscadas que provocava os invasores em guerrilhas pelo interior, levando Nassau a instituir um premio pela sua cabeça.
Seguindo para Pernambuco em agosto de 1645, Vidal de Negreiros participou ativamente de todos os combates da Insurreição Pernambucana como Casa Forte, Pontal de Nazaré, Guararapes (1ª e 2ª) e finalmente da tomada do Recife em janeiro de 1654.
André Vidal de Negreiros foi incumbido de levar a notícia da vitória em Pernambuco ao rei D. João IV que o condecorou com a Ordem de Cristo. Foi nomeado governador do Maranhão, de Pernambuco em duas oportunidades e de Angola.
Faleceu em 1674 no Engenho Novo em Goiana, sendo seus restos mortais trasladados posteriormente para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição nos Montes Guararapes.
Em 1624, Vidal foi a Salvador lutar contra as forças de invasão que os holandeses enviaram à Bahia. Vencidos os invasores no ano seguinte, ele seguiu para a Europa onde esteve por oito anos entre Portugal e Espanha.
Após a invasão de Pernambuco em 1630, os holandeses dominaram grande parte do território nordestino. Em sua expansão máxima, o chamado Brasil holandês ia do Maranhão ao Rio São Francisco. Vidal de Negreiros se engajou na luta sendo seu nome citado na defesa contra o ataque do Conde Maurício de Nassau a Salvador em 1638.
Foi nomeado governador da capitania do Maranhão em 1645 mas permaneceu na Bahia onde liderou um Terço de Emboscadas que provocava os invasores em guerrilhas pelo interior, levando Nassau a instituir um premio pela sua cabeça.
Seguindo para Pernambuco em agosto de 1645, Vidal de Negreiros participou ativamente de todos os combates da Insurreição Pernambucana como Casa Forte, Pontal de Nazaré, Guararapes (1ª e 2ª) e finalmente da tomada do Recife em janeiro de 1654.
André Vidal de Negreiros foi incumbido de levar a notícia da vitória em Pernambuco ao rei D. João IV que o condecorou com a Ordem de Cristo. Foi nomeado governador do Maranhão, de Pernambuco em duas oportunidades e de Angola.
Faleceu em 1674 no Engenho Novo em Goiana, sendo seus restos mortais trasladados posteriormente para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição nos Montes Guararapes.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
A Tomada de Porto Calvo
Depois da minha partida da Inglaterra, que teve lugar a 6 de dezembro, cheguei, graças a Deus, felizmente e com saúde ao Recife, no Brasil. Immediatamente tratei de levantar todas as tropas que as guarnições podiam dispensar e reunindo-as à pouca gente que commigo veiu, puz-me à frente de 3000 soldados, 800 marinheiros armados de fuzil e 600 brasilienses, com os quaes marchei contra o inimigo, cujo grosso achava-se postado perto do forte de Povoação em Porto Calvo, em numero de 3000 sem contar os habitantes.
A 18 de fevereiro encontramos, em um passo que deviamos atravessar, 1800 homens entrincheirados, bem providos de palissadas e com os flancos cobertos por abatizes. Atacamos os contrarios por tres lados differentes, e, com o auxilio de Deus, batemol-o com perda de 300 homens, entre os quaes muitos officiaes, havendo da nossa parte apenas 6 mortos e 35 feridos. Proseguindo na marcha em direcção ao forte, onde o Conde de Bagnuolo se tinha entrincheirado sobre dous outeiros proximos, verificamos ter abandonado estas trincheiras e haver retirado-se em grande desordem para as Alagôas deixando duas peças de bronze.
Depois de sitiar o forte e avisinharmo-nos com os nossos aproxes dos seus defensores, estes a 3 do mesmo mez, renderam-se mediante condições.
O governador era um hespanhol chamado Miguel Giberton, tenente general da artilharia... Dentro do mencionado forte encontramos 22 bonitas peças de bronze, 5 de ferro, 4 grandes morteiros, 372 granadas grandes, algumas granadas de mão, 500 barris de polvora e grande quantidade de murrões e outra munições de guerra.
Logo que a nossa gente estiver provida de viveres marcharemos ao encalço do inimigo afim de, com o auxilio de Deus, obrigal-o a transpor o Rio de S. Francisco.
Vosso leal e obediente servidor
MAURICIO, Conde de Nassau
No acampamento junto a povoação de Porto Calvo, 8 de março de 1637.
Carta de Nassau aos Estados Gerais, traduzida por Alfredo de Carvalho e publicada na Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano em 1902
A 18 de fevereiro encontramos, em um passo que deviamos atravessar, 1800 homens entrincheirados, bem providos de palissadas e com os flancos cobertos por abatizes. Atacamos os contrarios por tres lados differentes, e, com o auxilio de Deus, batemol-o com perda de 300 homens, entre os quaes muitos officiaes, havendo da nossa parte apenas 6 mortos e 35 feridos. Proseguindo na marcha em direcção ao forte, onde o Conde de Bagnuolo se tinha entrincheirado sobre dous outeiros proximos, verificamos ter abandonado estas trincheiras e haver retirado-se em grande desordem para as Alagôas deixando duas peças de bronze.
Depois de sitiar o forte e avisinharmo-nos com os nossos aproxes dos seus defensores, estes a 3 do mesmo mez, renderam-se mediante condições.
O governador era um hespanhol chamado Miguel Giberton, tenente general da artilharia... Dentro do mencionado forte encontramos 22 bonitas peças de bronze, 5 de ferro, 4 grandes morteiros, 372 granadas grandes, algumas granadas de mão, 500 barris de polvora e grande quantidade de murrões e outra munições de guerra.
Logo que a nossa gente estiver provida de viveres marcharemos ao encalço do inimigo afim de, com o auxilio de Deus, obrigal-o a transpor o Rio de S. Francisco.
Vosso leal e obediente servidor
MAURICIO, Conde de Nassau
No acampamento junto a povoação de Porto Calvo, 8 de março de 1637.
Carta de Nassau aos Estados Gerais, traduzida por Alfredo de Carvalho e publicada na Revista do Instituto Archeologico e Geographico Pernambucano em 1902
terça-feira, 21 de agosto de 2012
D. Anna Paes
Apesar de proibido pelas autoridades da Cia. das Índias Ocidentais, ocorreu no Brasil holandês o relacionamento íntimo entre vários europeus e mulheres da terra. Em alguns casos houve até o casamento e a formação de famílias entre holandeses e luso-brasileiras.
Ficou bem marcado o casamento de Gaspar van Niehof van der Ley, batavo que adquiriu o engenho Algodoais no Cabo de Santo Agostinho, com Maria Gomes de Mello, filha de outro senhor-de-engenho. Desta união surgiu a família Wanderley.
O caso mais peculiar entre holandeses e brasileiros foi o de Anna Gonsalves Paes de Azevedo, filha dos portugueses Jerônimo Paes de Azevedo, senhor do engenho Casa Forte e Izabel Gonsalves Paes.
Com a invasão dos holandeses em 1630, D. Anna Paes que era casada com o capitão Pedro Correia da Silva, ficou viúva devido ao ataque ao forte São Jorge, na área do porto, onde seu marido morreu.
Apesar de educada nos moldes tradicionais, tinha uma cultura incomum para as damas da época, e herdando o engenho Casa Forte pode administra-lo de modo a mantê-lo entre os melhores de Pernambuco.
Em 1637 casa-se com o capitão Charles de Tourlon, comandante da guarda pessoal do conde Maurício de Nassau, com quem teve uma filha, Isabel de Tourlon. Haviam rumores que Anna tinha um romance secreto com o conde de Nassau. O fato é que Nassau acusou o capitão Tourlon de traição junto aos portugueses e o mandou de volta para a Holanda onde faleceu em 1644.
Ao tomar conhecimento da morte de Tourlon, D. Anna Paes casa-se pela terceira vez, em 1645, com Gilbert de With, conselheiro de justiça do governo holandês no Recife. Com ele teve dois filhos, Kornelius e Elizabeth.
Seus três filhos eram batizados na religião calvinista holandesa.
Expulsos os holandeses em 1654, Anna Paes foi considerada holandesa, teve seus bens imóveis confiscados mas pode embarcar para a Holanda com o marido e os filhos.
D. Anna Paes morreu no dia 21 de dezembro de 1674, aos 57 anos, em Dondrecht, Holanda, onde morava com sua família.
Ficou bem marcado o casamento de Gaspar van Niehof van der Ley, batavo que adquiriu o engenho Algodoais no Cabo de Santo Agostinho, com Maria Gomes de Mello, filha de outro senhor-de-engenho. Desta união surgiu a família Wanderley.
O caso mais peculiar entre holandeses e brasileiros foi o de Anna Gonsalves Paes de Azevedo, filha dos portugueses Jerônimo Paes de Azevedo, senhor do engenho Casa Forte e Izabel Gonsalves Paes.
Com a invasão dos holandeses em 1630, D. Anna Paes que era casada com o capitão Pedro Correia da Silva, ficou viúva devido ao ataque ao forte São Jorge, na área do porto, onde seu marido morreu.
Apesar de educada nos moldes tradicionais, tinha uma cultura incomum para as damas da época, e herdando o engenho Casa Forte pode administra-lo de modo a mantê-lo entre os melhores de Pernambuco.
Em 1637 casa-se com o capitão Charles de Tourlon, comandante da guarda pessoal do conde Maurício de Nassau, com quem teve uma filha, Isabel de Tourlon. Haviam rumores que Anna tinha um romance secreto com o conde de Nassau. O fato é que Nassau acusou o capitão Tourlon de traição junto aos portugueses e o mandou de volta para a Holanda onde faleceu em 1644.
Ao tomar conhecimento da morte de Tourlon, D. Anna Paes casa-se pela terceira vez, em 1645, com Gilbert de With, conselheiro de justiça do governo holandês no Recife. Com ele teve dois filhos, Kornelius e Elizabeth.
Seus três filhos eram batizados na religião calvinista holandesa.
Expulsos os holandeses em 1654, Anna Paes foi considerada holandesa, teve seus bens imóveis confiscados mas pode embarcar para a Holanda com o marido e os filhos.
D. Anna Paes morreu no dia 21 de dezembro de 1674, aos 57 anos, em Dondrecht, Holanda, onde morava com sua família.
domingo, 12 de agosto de 2012
O Arraial do Bom Jesus
Após o desembarque e conquista de Olinda e Recife pelos holandeses, as tropas luso-brasileiras sob comando de Matias de Albuquerque fogem em direção ao interior.
Para fazer frente aos invasores e impedir a conquista dos engenhos de açúcar mais afastados do litoral, Albuquerque determina ainda em 1630 a construção de um ponto forte em uma pequena elevação equidistante uma légua da vila (Olinda) e do porto (Recife), na casa que pertencia a Antônio de Abreu.
Segundo Diogo Lopes Santiago em História da Guerra de Pernambuco:
e para isso buscou um sítio acomodado em um outeiro aonde trabalhou tanto que em breve se fez, cercando-o de uma forte trincheira, com seus terraplanos, parapeitos, plataformas e esplanadas, donde se descortinasse o campo, fazendo-lhe duas cavas bem alteadas e fundas, e junto delas edificaram muitos moradores suas casas, para que com seu amparo pudessem ficar seguros do inimigo, e assim se fez em breve uma razoada povoação, fortificou e forneceu esta força com artilharia, em que havia algumas peças de bronze.
O local foi batizado de Forte Real do Bom Jesus ou Arraial do Bom Jesus. Deste ponto partiam os Terços de Emboscada, pequenos destacamentos que, utilizando táticas de guerrilha, atacavam as tropas holandesas que se aventuravam fora dos limites do Recife para coletar alimentos e lenha.
A partir de 1632 com a conquista de diversos pontos ao redor e do acesso ao rio Capibaribe, os holandeses montaram um cerco fechado ao Arraial e após baterem com sua artilharia demoradamente as defesas, obrigaram a rendição dos ocupantes do Forte Real no dia 08 de junho de 1635. Os sitiados não tinham mais nenhuma munição de guerra ou de boca, já tendo inclusive consumido os animais domésticos como cães, gatos e cavalos.
Foi assinado um acordo de rendição em que os holandeses, comandados pelo coronel polonês Chrestofle Arciszewski, garantiam aos luso-brasileiros sua vida e a posse de seus bens que pudessem carregar. Houve, no entanto, grande crueldade dos invasores que torturaram os rendidos em busca de ouro, prata e objetos de valor.
Atualmente o local é parte do Sítio da Trindade no bairro de Casa Amarela, tendo sido alvo de pesquisa arqueológica pela UFPE em 1968/1969 e 1988.
Para fazer frente aos invasores e impedir a conquista dos engenhos de açúcar mais afastados do litoral, Albuquerque determina ainda em 1630 a construção de um ponto forte em uma pequena elevação equidistante uma légua da vila (Olinda) e do porto (Recife), na casa que pertencia a Antônio de Abreu.
Segundo Diogo Lopes Santiago em História da Guerra de Pernambuco:
e para isso buscou um sítio acomodado em um outeiro aonde trabalhou tanto que em breve se fez, cercando-o de uma forte trincheira, com seus terraplanos, parapeitos, plataformas e esplanadas, donde se descortinasse o campo, fazendo-lhe duas cavas bem alteadas e fundas, e junto delas edificaram muitos moradores suas casas, para que com seu amparo pudessem ficar seguros do inimigo, e assim se fez em breve uma razoada povoação, fortificou e forneceu esta força com artilharia, em que havia algumas peças de bronze.
O local foi batizado de Forte Real do Bom Jesus ou Arraial do Bom Jesus. Deste ponto partiam os Terços de Emboscada, pequenos destacamentos que, utilizando táticas de guerrilha, atacavam as tropas holandesas que se aventuravam fora dos limites do Recife para coletar alimentos e lenha.
A partir de 1632 com a conquista de diversos pontos ao redor e do acesso ao rio Capibaribe, os holandeses montaram um cerco fechado ao Arraial e após baterem com sua artilharia demoradamente as defesas, obrigaram a rendição dos ocupantes do Forte Real no dia 08 de junho de 1635. Os sitiados não tinham mais nenhuma munição de guerra ou de boca, já tendo inclusive consumido os animais domésticos como cães, gatos e cavalos.
Foi assinado um acordo de rendição em que os holandeses, comandados pelo coronel polonês Chrestofle Arciszewski, garantiam aos luso-brasileiros sua vida e a posse de seus bens que pudessem carregar. Houve, no entanto, grande crueldade dos invasores que torturaram os rendidos em busca de ouro, prata e objetos de valor.
Atualmente o local é parte do Sítio da Trindade no bairro de Casa Amarela, tendo sido alvo de pesquisa arqueológica pela UFPE em 1968/1969 e 1988.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Batalha do Monte das Tabocas
Senhores camaradas: esta guerra,
É mais vossa, que minha, pois nasci
(Se nesta terra vós) eu noutra terra,
Distante mais de mil léguas daqui,
Se amor da liberdade em vós se encerra,
Por vos servir é certo, que perdi
Cinco engenhos reais, meu ouro e prata,
E convosco me vim para esta mata.
Aqui vos tenho dado o mantimento,
E as armas que em segredo ajuntar pude,
E nas angústias do maior tormento
Não tenhais arreceios que me mude;
de vos servir, e a Cristo tenho intento,
E estou certo que a Mãe de Deus me ajude
A libertar a vossa pátria amada
Da canalha holandesa depravada.
Acham-se neste bélico teatro,
O católico povo e luterano,
Qual ardendo com fúria do Baratro,
Qual defendendo o ser pernambucano;
Não viu tão suntuoso anfiteatro,
Batalha mais gostosa algum romano,
No campo vencedor o luso fica,
E por vencido o belga se publica.
Durou a briga horrenda e trabalhosa,
Quatro horas inteiras, sem perigo
Dos nossos, que enfim era empresa honrosa
Da Sacra Virgem, como canto, e digo;
Na primeira investida gloriosa,
Tiveram morte em nosso bando amigo
Dois Hércules cristãos, dois Viriatos
João Pais Cabral e João de Matos.
O Valeroso Lucideno
Frei Manoel Calado
A batalha do Monte das Tabocas ocorreu no dia 03 de agosto de 1645 na área rural da atual cidade de Vitória de Santo Antão, sendo considerado o primeiro grande combate da Restauração Pernambucana.
É mais vossa, que minha, pois nasci
(Se nesta terra vós) eu noutra terra,
Distante mais de mil léguas daqui,
Se amor da liberdade em vós se encerra,
Por vos servir é certo, que perdi
Cinco engenhos reais, meu ouro e prata,
E convosco me vim para esta mata.
Aqui vos tenho dado o mantimento,
E as armas que em segredo ajuntar pude,
E nas angústias do maior tormento
Não tenhais arreceios que me mude;
de vos servir, e a Cristo tenho intento,
E estou certo que a Mãe de Deus me ajude
A libertar a vossa pátria amada
Da canalha holandesa depravada.
Acham-se neste bélico teatro,
O católico povo e luterano,
Qual ardendo com fúria do Baratro,
Qual defendendo o ser pernambucano;
Não viu tão suntuoso anfiteatro,
Batalha mais gostosa algum romano,
No campo vencedor o luso fica,
E por vencido o belga se publica.
Durou a briga horrenda e trabalhosa,
Quatro horas inteiras, sem perigo
Dos nossos, que enfim era empresa honrosa
Da Sacra Virgem, como canto, e digo;
Na primeira investida gloriosa,
Tiveram morte em nosso bando amigo
Dois Hércules cristãos, dois Viriatos
João Pais Cabral e João de Matos.
O Valeroso Lucideno
Frei Manoel Calado
A batalha do Monte das Tabocas ocorreu no dia 03 de agosto de 1645 na área rural da atual cidade de Vitória de Santo Antão, sendo considerado o primeiro grande combate da Restauração Pernambucana.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Cabeças a Prêmio
Andava o capitão André Vidal de Negreiros pelo interior com seu terço de emboscadas deixando os holandeses acuados nas fortificações do Recife sem poder sair para apanhar lenha, água nem alimentos.
As expedições de busca que os invasores empreendiam nunca conseguiam apanhar nenhum dos insurretos pelo sistema de vigias que eles empregavam, fugindo para o mato quando necessário.
O governador, conde Maurício de Nassau, resolveu então mandar fixar em toda a capitania e nas vilas vizinhas um edital em que prometia um premio de 2 mil florins a quem lhe entregasse a cabeça de Vidal de Negreiros, perdoando também qualquer crime que tivesse cometido.
Tomando conhecimento do edital de Nassau, Negreiros respondeu na mesma moeda publicando o seguinte:
André Vidal de Negreiros, capitão da infantaria d'El-Rei de Portugal, meu senhor, por este crédito por mim assinado, prometo seis mil cruzados em ouro pagos à vista, a quem me trouxer a cabeça de João Maurício, conde de Nassau, ou me fizer certo como o matou.
As expedições de busca que os invasores empreendiam nunca conseguiam apanhar nenhum dos insurretos pelo sistema de vigias que eles empregavam, fugindo para o mato quando necessário.
O governador, conde Maurício de Nassau, resolveu então mandar fixar em toda a capitania e nas vilas vizinhas um edital em que prometia um premio de 2 mil florins a quem lhe entregasse a cabeça de Vidal de Negreiros, perdoando também qualquer crime que tivesse cometido.
Tomando conhecimento do edital de Nassau, Negreiros respondeu na mesma moeda publicando o seguinte:
André Vidal de Negreiros, capitão da infantaria d'El-Rei de Portugal, meu senhor, por este crédito por mim assinado, prometo seis mil cruzados em ouro pagos à vista, a quem me trouxer a cabeça de João Maurício, conde de Nassau, ou me fizer certo como o matou.
segunda-feira, 2 de julho de 2012
2ª Batalha dos Guararapes
Após a derrota na batalha dos Guararapes ocorrida em 19 de abril de 1648 os holandeses ficaram restritos apenas a ofensivas por mar.
O Conselho do Recife, pressionado pelo Conselho dos XIX na Holanda, cobrava dos chefes militares alguma ação que diminuisse o cerco sobre as localidades ainda sob domínio holandês no litoral. Os oficiais holandeses eram contra, por receio das emboscadas armadas pelos luso-brasileiros e pela carência de víveres e munições.
Sem ter como conviver mais com o cerco, no dia 17 de fevereiro de 1649 os holandeses deslocam uma força armada com 3500 homens saindo do Recife, passando por Afogados, depois pelo curral de Antônio Cavalcanti (hoje Boa Viagem) e finalmente ocupando os montes Guararapes e a passagem para o mar.
Ao tomar conhecimento da disposição dos holandeses, o general Barreto de Menezes posiciona suas tropas do outro lado dos Guararapes, o que hoje seria o Ibura, na localidade conhecida como Oitiseiro. Durante a tarde e a noite houve apenas pequenas escaramuças com patrulhas de ambos os lados.
As escaramuças duraram até o meio-dia seguinte (18/2), quando o sol forte e a falta d'água obrigaram ao coronel van den Brinck a tentar uma retirada de volta a Afogados. Por volta das 3 horas da tarde as tropas holandesas começam a abandonar as posições nas alturas descendo para o boqueirão. Vendo a ação do inimigo, Barreto de Menezes ataca sua retaguarda que opõe resistência mas é batida pela cavalaria luso-brasileira.
A confusão se instala nas forças holandesas que sofrem derrota maior que na batalha do ano anterior. Além do seu comandante van den Brinck, morrem mais 173 oficiais e 855 soldados, tendo sido aprisionados 90. Ficaram no campo de batalha 05 peças de artilharia de campanha e cinco bandeiras.
Os luso-brasileiros perderam 45 combatentes e 200 feridos inclusive o mestre-de-campo Henrique Dias. Também participaram dos combates João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros e Antônio Dias Cardoso. Em homenagem à vitória, o general Barreto de Menezes mandou construir uma capela no local, que hoje é a igreja de Nossa Senhora dos Prazeres.
O Conselho do Recife, pressionado pelo Conselho dos XIX na Holanda, cobrava dos chefes militares alguma ação que diminuisse o cerco sobre as localidades ainda sob domínio holandês no litoral. Os oficiais holandeses eram contra, por receio das emboscadas armadas pelos luso-brasileiros e pela carência de víveres e munições.
Sem ter como conviver mais com o cerco, no dia 17 de fevereiro de 1649 os holandeses deslocam uma força armada com 3500 homens saindo do Recife, passando por Afogados, depois pelo curral de Antônio Cavalcanti (hoje Boa Viagem) e finalmente ocupando os montes Guararapes e a passagem para o mar.
Ao tomar conhecimento da disposição dos holandeses, o general Barreto de Menezes posiciona suas tropas do outro lado dos Guararapes, o que hoje seria o Ibura, na localidade conhecida como Oitiseiro. Durante a tarde e a noite houve apenas pequenas escaramuças com patrulhas de ambos os lados.
As escaramuças duraram até o meio-dia seguinte (18/2), quando o sol forte e a falta d'água obrigaram ao coronel van den Brinck a tentar uma retirada de volta a Afogados. Por volta das 3 horas da tarde as tropas holandesas começam a abandonar as posições nas alturas descendo para o boqueirão. Vendo a ação do inimigo, Barreto de Menezes ataca sua retaguarda que opõe resistência mas é batida pela cavalaria luso-brasileira.
A confusão se instala nas forças holandesas que sofrem derrota maior que na batalha do ano anterior. Além do seu comandante van den Brinck, morrem mais 173 oficiais e 855 soldados, tendo sido aprisionados 90. Ficaram no campo de batalha 05 peças de artilharia de campanha e cinco bandeiras.
Os luso-brasileiros perderam 45 combatentes e 200 feridos inclusive o mestre-de-campo Henrique Dias. Também participaram dos combates João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros e Antônio Dias Cardoso. Em homenagem à vitória, o general Barreto de Menezes mandou construir uma capela no local, que hoje é a igreja de Nossa Senhora dos Prazeres.
sábado, 16 de junho de 2012
Construindo Mauritsstadt
Maurício de Nassau tinha como grande paixão a arquitetura e o urbanismo. Além de cercar-se de grandes nomes como Jacob van Campen e Pieter Post, empenhava-se pessoalmente nos projetos e na sua execução como pode ser notado na descrição do frei Manoel Calado em "O Valeroso Lucideno":
Andava o conde de Nassau tão ocupado em fabricar a sua nova cidade que para afervorar os moradores a fazerem casas, ele mesmo, com muita curiosidade, lhe anelava deitando as medidas e endireitando as ruas, para ficar a povoação mais vistosa, e lhe trouxe a entrar por o meio dela, por um dique, ou levada, a água do rio Capibaribe a entrar na barra, por o qual dique entravam canoas, batéis e barcas para o serviço aos moradores por debaixo das pontes de madeira, com que atravessou em algumas partes este dique a modo da Holanda, de sorte que aquela ilha ficava toda rodeada de água.
Andava o conde de Nassau tão ocupado em fabricar a sua nova cidade que para afervorar os moradores a fazerem casas, ele mesmo, com muita curiosidade, lhe anelava deitando as medidas e endireitando as ruas, para ficar a povoação mais vistosa, e lhe trouxe a entrar por o meio dela, por um dique, ou levada, a água do rio Capibaribe a entrar na barra, por o qual dique entravam canoas, batéis e barcas para o serviço aos moradores por debaixo das pontes de madeira, com que atravessou em algumas partes este dique a modo da Holanda, de sorte que aquela ilha ficava toda rodeada de água.
sábado, 12 de maio de 2012
O Valeroso Lucideno
O frei Manoel Calado do Salvador, português de Vila Viçosa nascido em 1584, veio para o Brasil em 1620 instalando-se em Salvador. Por conta da invasão holandesa em 1624 é preso e depois de libertado segue para Porto Calvo, hoje Alagoas.
Religioso da ordem de São Paulo, Congregação dos Eremitas da Serra D'Ossa, frei Manoel dos Óculos, como também era conhecido, foi testemunha presente em diversos episódios importantes havidos no Brasil holandês. No ano 1635 em Porto Calvo, viu a chegada dos holandeses e a retomada da vila pelas tropas de Matias de Albuquerque, inclusive com a captura e execução de Domingos Calabar a quem assistiu em seus últimos momentos antes de ser enforcado e esquartejado. Começa então a engajar-se na luta contra os neerlandeses organizando uma tropa de negros que agia em emboscadas.
Sabedor de suas qualidades como intelectual e religioso, Maurício de Nassau o convida para morar em Mauritsstadt perdoando suas ações de guerrilha. Calado passa a morar nas cercanias do palácio de Friburgo, privando da companhia do conde de Nassau. Esteve no Brasil até julho de 1646 quando retornou a Portugal.
Em setembro de 1645 frei Calado começa a escrever uma cronica que viria a se tornar um dos melhores livros sobre o período da ocupação holandesa do nordeste brasileiro. O Valeroso Lucideno e o Triunfo da Liberdade foi publicado em Lisboa em 1648 com 356 páginas. Descreve de forma interessantíssima aspectos da guerra, da política, religião e costumes dos variados povos que viveram e passaram pelo Recife e outras localidades do Brasil holandês.
Frei Manoel Calado faleceu em 12 de julho de 1654.
Religioso da ordem de São Paulo, Congregação dos Eremitas da Serra D'Ossa, frei Manoel dos Óculos, como também era conhecido, foi testemunha presente em diversos episódios importantes havidos no Brasil holandês. No ano 1635 em Porto Calvo, viu a chegada dos holandeses e a retomada da vila pelas tropas de Matias de Albuquerque, inclusive com a captura e execução de Domingos Calabar a quem assistiu em seus últimos momentos antes de ser enforcado e esquartejado. Começa então a engajar-se na luta contra os neerlandeses organizando uma tropa de negros que agia em emboscadas.
Sabedor de suas qualidades como intelectual e religioso, Maurício de Nassau o convida para morar em Mauritsstadt perdoando suas ações de guerrilha. Calado passa a morar nas cercanias do palácio de Friburgo, privando da companhia do conde de Nassau. Esteve no Brasil até julho de 1646 quando retornou a Portugal.
Em setembro de 1645 frei Calado começa a escrever uma cronica que viria a se tornar um dos melhores livros sobre o período da ocupação holandesa do nordeste brasileiro. O Valeroso Lucideno e o Triunfo da Liberdade foi publicado em Lisboa em 1648 com 356 páginas. Descreve de forma interessantíssima aspectos da guerra, da política, religião e costumes dos variados povos que viveram e passaram pelo Recife e outras localidades do Brasil holandês.
Frei Manoel Calado faleceu em 12 de julho de 1654.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
O Outro Maurício de Nassau
Nascido em 14 de novembro de 1567, o holandês Maurício de Orange-Nassau tornou-se príncipe de Orange em sucessão ao seu irmão Felipe Guilherme em 1618.
Filho do príncipe Guilherme I, O Taciturno, que liderou a Casa de Orange-Nassau contra os espanhóis na independência dos Países-Baixos, Maurício de Orange-Nassau modernizou o exército neerlandês tornando-o permanente, além de introduzir o treinamento, o aumento do uso das armas de fogo, a disciplina e a profissionalização dos oficiais.
Como primo do pai de Maurício de Nassau-Siegen (O Brasileiro) foi padrinho e teve seu nome escolhido para homenagear o afilhado que viria a governar o Brasil holandês.
Faleceu em 23 de abril de 1625. Suas vitórias em diversas batalhas forçaram um tratado de paz com a Espanha conhecido com a Trégua dos Doze Anos que durou até 1621.
Filho do príncipe Guilherme I, O Taciturno, que liderou a Casa de Orange-Nassau contra os espanhóis na independência dos Países-Baixos, Maurício de Orange-Nassau modernizou o exército neerlandês tornando-o permanente, além de introduzir o treinamento, o aumento do uso das armas de fogo, a disciplina e a profissionalização dos oficiais.
Como primo do pai de Maurício de Nassau-Siegen (O Brasileiro) foi padrinho e teve seu nome escolhido para homenagear o afilhado que viria a governar o Brasil holandês.
Faleceu em 23 de abril de 1625. Suas vitórias em diversas batalhas forçaram um tratado de paz com a Espanha conhecido com a Trégua dos Doze Anos que durou até 1621.
sábado, 21 de abril de 2012
A Perda do Brasil
"A posse desse belo país, para nós, foi de curta duração; perdemo-lo por negligência e erros da própria Companhia das Índias Ocidentais que o conquistara; por isso tratarei de provar quanto é merecida a expressão verzuimd Braziel (o Brasil desprezado), criada pelo nosso poeta nacional van Haren e atualmente proverbial quando se alude à nossa antiga colônia do Brasil. Mas, por outro lado, reconhecer-se-á serem os grandes homens, que ali se distinguiram, como guerreiros ou como administradores, merecedores da nossa relevante homenagem.
Entre essas figuras notáveis, o Conde Maurício de Nassau ocupa um dos principais lugares e nós nos sentimos bem em fazer justiça à memória desse príncipe, digno rebento de um dos ramos da ilustre família Nassau, que soube contribuir para a prosperidade do Brasil Holandês durante os 8 anos de seu salutar governo.
Frequentemente, ressaltar-se-á o heroísmo e o espírito empreendedor dos holandeses. Estávamos, então, no apogeu da nossa glória e do nosso poder. Tornava-se preciso que um povo saísse do nada, espalhando a vida e a luz por todos os espíritos, a abundância por todos os mercados; um povo que emprestasse grande atividade à circulação dos produtos, das mercadorias, do dinheiro, e que, incentivando o consumo, animasse a agricultura, o comércio e todas as modalidades da indústria. A Europa deve aos holandeses todos esses benefícios".
O nome de Vieira, esse corajoso chefe que expulsou os holandeses do Brasil, faz jus bastante à admiração de seus compatriotas. Seria lamentável viesse a caber essa tarefa a um estrangeiro, porque Vieira é um desses nomes pouco comuns em cada povo, que não pertence a nenhum partido, mas à nação inteira e que honra a todos os seus patrícios.
Vieira libertou a sua terra de um domínio repelido pela população e contrário a suas ideias religiosas. Os brasileiros, de então, não podendo ainda formar uma nação independente, voltaram a ser portugueses e católicos. Quase duzentos anos mais tarde, em 1822, emanciparam-se de outro jugo que não correspondia a seus ideais políticos: o Brasil se sentiu forte, declarou- se independente; e esse país, antigamente colônia desprezada, é agora um dos mais ricos impérios, a que o futuro destina um dos mais destacados postos entre as grandes potências".
Haia, fevereiro, 1853.
Pieter Marinus Netscher
Tenente dos Granadeiros do Exército Real dos Países-Baixos
Entre essas figuras notáveis, o Conde Maurício de Nassau ocupa um dos principais lugares e nós nos sentimos bem em fazer justiça à memória desse príncipe, digno rebento de um dos ramos da ilustre família Nassau, que soube contribuir para a prosperidade do Brasil Holandês durante os 8 anos de seu salutar governo.
Frequentemente, ressaltar-se-á o heroísmo e o espírito empreendedor dos holandeses. Estávamos, então, no apogeu da nossa glória e do nosso poder. Tornava-se preciso que um povo saísse do nada, espalhando a vida e a luz por todos os espíritos, a abundância por todos os mercados; um povo que emprestasse grande atividade à circulação dos produtos, das mercadorias, do dinheiro, e que, incentivando o consumo, animasse a agricultura, o comércio e todas as modalidades da indústria. A Europa deve aos holandeses todos esses benefícios".
O nome de Vieira, esse corajoso chefe que expulsou os holandeses do Brasil, faz jus bastante à admiração de seus compatriotas. Seria lamentável viesse a caber essa tarefa a um estrangeiro, porque Vieira é um desses nomes pouco comuns em cada povo, que não pertence a nenhum partido, mas à nação inteira e que honra a todos os seus patrícios.
Vieira libertou a sua terra de um domínio repelido pela população e contrário a suas ideias religiosas. Os brasileiros, de então, não podendo ainda formar uma nação independente, voltaram a ser portugueses e católicos. Quase duzentos anos mais tarde, em 1822, emanciparam-se de outro jugo que não correspondia a seus ideais políticos: o Brasil se sentiu forte, declarou- se independente; e esse país, antigamente colônia desprezada, é agora um dos mais ricos impérios, a que o futuro destina um dos mais destacados postos entre as grandes potências".
Haia, fevereiro, 1853.
Pieter Marinus Netscher
Tenente dos Granadeiros do Exército Real dos Países-Baixos
quinta-feira, 19 de abril de 2012
1ª Batalha dos Guararapes
Após o início da Restauração Pernambucana em 1645 os holandeses foram fechados em um cerco ainda mais apertado no Recife.
Desde a época de Nassau que o Conselho Supremo fazia constantes reclamações à Cia. das Índias Ocidentais e aos Estados Gerais sobre a falta tropas e munição de guerra e de boca para consolidar suas posições no Brasil fazendo frente aos luso-brasileiros que pressionavam fortemente os redutos batavos.
No dia 18 de março de 1648 aporta no Recife esquadra do almirante de With com 6000 homens para romper o cerco do Recife e região. Depois das providências de praxe o general alemão von Schkoppe desloca 4500 homens seguindo em direção a Afogados às sete horas de 18 de abril onde receberam algumas peças de artilharia vindas pelo rio.
Informado da movimentação dos holandeses, o mestre-de-campo general Barreto de Menezes e seu conselho de guerra decidem dar combate aos inimigos posicionando sua força principal nos Montes Guararapes e uma vanguarda numa estreita faixa de terra entre os alagados e as elevações. Estas tropas contavam com pouco mais de 2000 homens.
No dia 19 de abril as tropas holandesas saem cedo de Afogados e marcham para os Guararapes. Por volta das 8 horas a vanguarda invasora se engaja com as tropas luso-brasileiras. Observando a desvantagem de suas fileiras, Barreto de Menezes aciona suas reservas, entrando em combate os terços de Henrique Dias e Felipe Camarão pelos flancos e o de Fernandes Vieira pelo centro.
De início, os luso-brasileiros rompem as linhas inimigas e lhe tomam a artilharia, munição e mantimentos, mas os holandeses também lançam suas reservas e conseguem rehaver sua posição e apetrechos. Neste momento as tropas de Schkoppe se veem em meio aos pântanos e com a mobilidade dificultada. Menezes envia então o terço de Vidal de Negreiros que liquida os holandeses.
A batalha durou quatro horas com cerca de 1000 baixas holandesas entre mortos e feridos, inclusive o general Schkoppe ferido no pé, que se retirou com os remanescentes para o Recife. Perderam também os holandeses uma peça de artilharia em bronze, armas diversas, munições e 33 bandeiras deixadas no campo de batalha. As tropas de Barreto de Menezes perderam cerca de 500 homens.
Por sua importância no contexto da libertação de Pernambuco e na criação da pátria brasileira, 19 de abril foi instituído o Dia do Exército Brasileiro.
Desde a época de Nassau que o Conselho Supremo fazia constantes reclamações à Cia. das Índias Ocidentais e aos Estados Gerais sobre a falta tropas e munição de guerra e de boca para consolidar suas posições no Brasil fazendo frente aos luso-brasileiros que pressionavam fortemente os redutos batavos.
No dia 18 de março de 1648 aporta no Recife esquadra do almirante de With com 6000 homens para romper o cerco do Recife e região. Depois das providências de praxe o general alemão von Schkoppe desloca 4500 homens seguindo em direção a Afogados às sete horas de 18 de abril onde receberam algumas peças de artilharia vindas pelo rio.
Informado da movimentação dos holandeses, o mestre-de-campo general Barreto de Menezes e seu conselho de guerra decidem dar combate aos inimigos posicionando sua força principal nos Montes Guararapes e uma vanguarda numa estreita faixa de terra entre os alagados e as elevações. Estas tropas contavam com pouco mais de 2000 homens.
No dia 19 de abril as tropas holandesas saem cedo de Afogados e marcham para os Guararapes. Por volta das 8 horas a vanguarda invasora se engaja com as tropas luso-brasileiras. Observando a desvantagem de suas fileiras, Barreto de Menezes aciona suas reservas, entrando em combate os terços de Henrique Dias e Felipe Camarão pelos flancos e o de Fernandes Vieira pelo centro.
De início, os luso-brasileiros rompem as linhas inimigas e lhe tomam a artilharia, munição e mantimentos, mas os holandeses também lançam suas reservas e conseguem rehaver sua posição e apetrechos. Neste momento as tropas de Schkoppe se veem em meio aos pântanos e com a mobilidade dificultada. Menezes envia então o terço de Vidal de Negreiros que liquida os holandeses.
A batalha durou quatro horas com cerca de 1000 baixas holandesas entre mortos e feridos, inclusive o general Schkoppe ferido no pé, que se retirou com os remanescentes para o Recife. Perderam também os holandeses uma peça de artilharia em bronze, armas diversas, munições e 33 bandeiras deixadas no campo de batalha. As tropas de Barreto de Menezes perderam cerca de 500 homens.
Por sua importância no contexto da libertação de Pernambuco e na criação da pátria brasileira, 19 de abril foi instituído o Dia do Exército Brasileiro.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
A Resposta de Henrique Dias
Tentando fazer com que os luso-brasileiros se debandassem para seu lado, os holandeses sistematicamente espalhavam cartazes prometendo perdão e premios aos que lhes jurassem fidelidade.
O comandante Henrique Dias lhes enviou a seguinte resposta:
Esta variedade de papeis que os meus soldados acham pelos caminhos são folhas de que sempre conhecemos a flor. A experiencia não lhes tem ensinado que o negro nem recebe outra cor nem perde a que tem?
O que VV.SS. imaginam suborno nestes cartazes de perdão é para cada um dos meus negros cartel de desafio. Matar-se-hão facilmente com quem lhes fallar em dominio hollandez. Não se cançem com esta invenção de enganos, porque lhes não ha de sahir a sorte favoravel que estes meus morenos não teem por boa sorte senão a que fazem no sangue hollandez.
De quatro nações se compõem este regimento: Minas, Ardas, Angolas e Creoulos. Os Creoulos são tão malcreados que não temem nem devem; os Minas tão bravos que aonde não podem chegar com o braço chegam com o nome; os Ardas tão fogosos que tudo querem cortar de um golpe; os Angolas tão robustos que nenhum trabalho os cança.
Se VV.SS. consultaram commigo esta industria, excusara-lhes eu a diligencia de os advertir de que esta gente não é a que se leva por arte, e assim lhes aconselho que se valham da força, mas também lhes asseguro que sem os matar a todos, nunca se hão de ver livres de contrarios.
Henrique Dias
Governador dos Negros
O comandante Henrique Dias lhes enviou a seguinte resposta:
Esta variedade de papeis que os meus soldados acham pelos caminhos são folhas de que sempre conhecemos a flor. A experiencia não lhes tem ensinado que o negro nem recebe outra cor nem perde a que tem?
O que VV.SS. imaginam suborno nestes cartazes de perdão é para cada um dos meus negros cartel de desafio. Matar-se-hão facilmente com quem lhes fallar em dominio hollandez. Não se cançem com esta invenção de enganos, porque lhes não ha de sahir a sorte favoravel que estes meus morenos não teem por boa sorte senão a que fazem no sangue hollandez.
De quatro nações se compõem este regimento: Minas, Ardas, Angolas e Creoulos. Os Creoulos são tão malcreados que não temem nem devem; os Minas tão bravos que aonde não podem chegar com o braço chegam com o nome; os Ardas tão fogosos que tudo querem cortar de um golpe; os Angolas tão robustos que nenhum trabalho os cança.
Se VV.SS. consultaram commigo esta industria, excusara-lhes eu a diligencia de os advertir de que esta gente não é a que se leva por arte, e assim lhes aconselho que se valham da força, mas também lhes asseguro que sem os matar a todos, nunca se hão de ver livres de contrarios.
Henrique Dias
Governador dos Negros
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Petição a Nassau
Illm. Sr. João Maurício, Conde de Nassau, Dignissimo Governador, Capitão e Almirante General de mar e terra do Estado do Brasil:
A Camera da villa de Olinda, como mais populosa e principal entre as mais cameras do povo de Pernambuco e de todo o Estado conquistado, tendo experimentado as benignas acções de V.Exc. a benevola propenção que tem a este povo e a todos os moradores deste Estado, e desejando constituir em a illustrissima pessoa de V.Exc. um refugio perpetuo e firme asylo e patrocinio contra as inconstancias da fortuna, tenham aqui e em Hollanda um padroeiro que os ampare e favoreça os povos e moradores do Brasil que com tanto amor governa.
Pede com amoroso affecto a V.Exc. seja servido aceitar chamar-se padroeiro seu, quando os mui altos e poderosos Senhores Estados Geraes das Provincias Unidas e S.A. o Principe de Orange sejam servidos concederno-lo.
Por penhor desta mercê pedimos a V.Exc. nos despache esta petição como pedimos.
Manoel Ribeiro de Sá,
Secretario da Camera de Olinda
Sempre tive ao povo portuguez e a todos os moradores deste Estado a affecção de que tem experiencia, e de novo farei o que a Camera da villa de Olinda me pede nesta petição, e mais particularmente, quando Deus for servido levar-me a Hollanda, estarei sempre certo, como bom intercessor, com muito boa vontade pera tudo que ahi se offerecer aos moradores do Brasil com os Senhores Estados Geraes e S.A. e Concelho da illustre Companhia.
Antonio Vaz aos 3 de agosto de 1639
Mauricio, Conde de Nassau
A Camera da villa de Olinda, como mais populosa e principal entre as mais cameras do povo de Pernambuco e de todo o Estado conquistado, tendo experimentado as benignas acções de V.Exc. a benevola propenção que tem a este povo e a todos os moradores deste Estado, e desejando constituir em a illustrissima pessoa de V.Exc. um refugio perpetuo e firme asylo e patrocinio contra as inconstancias da fortuna, tenham aqui e em Hollanda um padroeiro que os ampare e favoreça os povos e moradores do Brasil que com tanto amor governa.
Pede com amoroso affecto a V.Exc. seja servido aceitar chamar-se padroeiro seu, quando os mui altos e poderosos Senhores Estados Geraes das Provincias Unidas e S.A. o Principe de Orange sejam servidos concederno-lo.
Por penhor desta mercê pedimos a V.Exc. nos despache esta petição como pedimos.
Manoel Ribeiro de Sá,
Secretario da Camera de Olinda
Sempre tive ao povo portuguez e a todos os moradores deste Estado a affecção de que tem experiencia, e de novo farei o que a Camera da villa de Olinda me pede nesta petição, e mais particularmente, quando Deus for servido levar-me a Hollanda, estarei sempre certo, como bom intercessor, com muito boa vontade pera tudo que ahi se offerecer aos moradores do Brasil com os Senhores Estados Geraes e S.A. e Concelho da illustre Companhia.
Antonio Vaz aos 3 de agosto de 1639
Mauricio, Conde de Nassau
terça-feira, 20 de março de 2012
Navios Holandeses
Desde o século XV, antes mesmo da sua independência, os holandeses possuiam uma marinha bem desenvolvida tecnologicamente, inclusive nas armas navais. O climax do poderio naval holandês vem com a Batalha das Dunas em 1639, onde a armada espanhola foi derrotada no Paço de Calais.
Nomes de alguns navios que estiveram no Brasil holandês:
Den Hollandschen Thuyn, O Jardim Holandês
De Vergulde Valck, O Falcão Dourado
De Swarte Leeuwe, O Leão Negro
De Voghel Phoenix, O Pássaro Fenix
De Halve Maen, A Meia-Lua
De Eenhoorn, O Unicórnio
Regenboog, Arco-íris
Elias
De Haen, O galo
Utrecht
Zeeland
Het Wapen van Dordrecht, A Arma de Dordrecht
Bruinvisch, Peixe marron
Gulden Sterren, Estrelas Douradas
Dolfijn, Golfinho
Zwaan, Cisne
Oranjeboom, Laranjeira
Morgensterre, Estrela D'Alva
De Schildpad, A Tartaruga
Nomes de alguns navios que estiveram no Brasil holandês:
Den Hollandschen Thuyn, O Jardim Holandês
De Vergulde Valck, O Falcão Dourado
De Swarte Leeuwe, O Leão Negro
De Voghel Phoenix, O Pássaro Fenix
De Halve Maen, A Meia-Lua
De Eenhoorn, O Unicórnio
Regenboog, Arco-íris
Elias
De Haen, O galo
Utrecht
Zeeland
Het Wapen van Dordrecht, A Arma de Dordrecht
Bruinvisch, Peixe marron
Gulden Sterren, Estrelas Douradas
Dolfijn, Golfinho
Zwaan, Cisne
Oranjeboom, Laranjeira
Morgensterre, Estrela D'Alva
De Schildpad, A Tartaruga
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