|
10.
fev.1630
|
5.mai.1630
|
Governador
|
Hendrick Corneliszoon Lonck
|
|
14.mar.1630
|
dez.1632
|
Conselho Político
|
Johan de Bruyne
|
|
Philips Serooskerken
|
|||
|
Horatio Calendrini
|
|||
|
Johannes van Walbeeck
|
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|
Servaes Carpentier
|
|||
|
5.mai.1630
|
9.mar.1633
|
Governador
|
Diederik van Waerdernburch
|
|
jan.1633
|
1.set.1634
|
Diretoria delegada
|
Mathijs van Keulen
|
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2.set.1634
|
1638
|
Conselho Político
|
Servaes Carpentier
|
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Willem Scholte
|
|||
|
Jacob Stachouwer
|
|||
|
Balthasar Wijntges
|
|||
|
Ippo Eyssens
|
|||
|
28.jan.1637
|
6.mai.1644
|
Governador e Capitão general de terra e mar
|
Johann Moritz von Nassau-Siegen
|
|
28.
jan.1637
|
6.mai.1644
|
Alto e Secreto Conselho
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Mathias van Ceulen
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Johan Gysselingh
|
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|
Adriaen van der Dussen
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Hendrick Hamel
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Dirck Codde van den Burgh
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Adrian van Bullestraten
|
|||
|
6.mai.1644
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15.ago.1646
|
Alto e Secreto Conselho
|
Hendrick Hamel
|
|
Adriaen van Bullestraten
|
|||
|
Dirck Codde van den Burgh
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Pedro S. Bas
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16.ago.1646
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27.jan.1654
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Alto Governo
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Michel van Goch
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Simon van Beaumont
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Walter van Schonenburgh
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Hendrik Haecxs
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Espaço dedicado à cidade do Recife, ao período do Brasil holandês e ao príncipe Johann Moritz von Nassau-Siegen
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Gestores políticos do Brasil holandês
terça-feira, 15 de setembro de 2015
A Guerra da Fome
Uma
das principais características da guerra pela posse do Brasil holandês foi a
extrema falta de recursos materiais para o desenvolvimento das ações de ataque
e contenção dos pontos de interesse de Portugal e dos Países Baixos. Segundo
Gonsalves de Mello, a palavra “fome” era das mais comuns nos relatórios dos
conselheiros e comandantes da Companhia das Índias Ocidentais - WIC no Recife.
Ao
chegar ao litoral pernambucano em 1630, os combatentes da WIC encontraram um sistema de defesa inadequado para fazer frente
ao grande exército enviado pelos neerlandeses, em que pese as vastidões das
terras portuguesas no nordeste brasileiro. Ocupadas Olinda e o Recife, os
invasores começaram a sentir a falta de mantimentos e até mesmo de água
potável, já que a maioria das fontes fornecia água salobra.
Notando
a dificuldade dos neerlandeses em receber suprimentos da Europa, os
luso-brasileiros intensificam a guerrilha para impedir o acesso dos invasores
aos locais de armazenamento de víveres, fruteiras e lenha. Isso sem contar a
dificuldade inicial dos europeus em se adaptar aos alimentos da terra.
Aumentando
as regiões ocupadas a partir de 1632 e a organização da conquista com a chegada
de Maurício de Nassau em 1637, os holandeses passam a ter melhores condições de
viver no Brasil holandês. Ainda assim, em suas cartas aos Estados Gerais e aos Heeren XIX, Nassau reclama da penúria por
que passava o país. Os dirigentes da WIC
no Recife tentaram transformar vários locais como Itamaracá, Alagoas e Fernando
de Noronha em centros de cultivo de lavouras para abastecer os núcleos urbanos,
mas sem sucesso.
Mesmo em Salvador, sede do governo colonial português, houve falta de alimentos quando, em 1639 o Conde da Torre aportou com sua esquadra e 3.000 homens que deveriam libertar Pernambuco dos invasores neerlandeses. Houve assalto dos soldados famintos às casas para saquear comida, o que descambou para estupros e assassinatos.
Os
combatentes portugueses e brasileiros internados nas matas contavam apenas com
os suprimentos vindos da Bahia e o que conseguiam em alguns engenhos de açúcar.
No entanto, a política de terra arrasada empregada por ambas as partes,
destruindo as construções, plantações e criação de gado dos aliados tanto de
holandeses quanto de portugueses, contribuía para aumentar a falta de
alimentos. O episódio da marcha das tropas de Luis Barbalho em 1640, que após
duro combate naval desembarcou seus comandados no Cabo de São Roque, Rio Grande
do Norte, seguindo pelo interior até o Rio São Francisco e daí até Salvador, ilustra bem esse tipo de ação.
Com
a volta do Conde de Nassau para a Europa, em 1644, o desabastecimento volta a
infernizar os que dependiam da Companhia das Índias Ocidentais para viver no
Brasil holandês. Em 1645, tem início a Insurreição Pernambucana com o avanço das
tropas luso-brasileiras em direção ao Recife.
Os
estoques foram minguando a tal ponto, que os habitantes do Recife sitiado tiveram
que recorrer aos animais, inclusive cachorros e ratos para ter o que comer. Em
1646, a situação chegou a um extremo em que os comandantes de dois navios que
trouxeram suprimentos da Holanda para o Recife foram agraciados com medalhas de
ouro onde estava gravado: O Falcão Dourado
e o Elizabeth salvaram o Recife.
Dependendo
da situação de momento, a deserção ocorria de ambos os lados com frequência,
muitas vezes por causa da fome. Os portugueses ofereciam aos mercenários da WIC o pagamento dos soldos atrasados e
rações duplas para os que trocassem de lado na guerra. As tripulações dos
navios holandeses também se amotinavam por falta de provisões e retornavam com
seus barcos para os Países Baixos, sem a autorização dos comandantes.
Após as duas batalhas dos Guararapes, 1648 e 1649, os neerlandeses tiveram suas tropas reduzidas a poucas companhias e o assédio ao Recife ficou mais apertado, mas por falta de apoio do Rei D. João IV, a guerra só teve seu desfecho cinco anos depois, com a rendição dos homens da WIC em 1654. Segundo relatório dos conselheiros da WIC no Recife: “A maioria dos soldados estava em farrapos, arrastando-se pelas ruas da cidade como mendigos e comendo as sobras encontradas nas sarjetas". A situação dos homens da Insurreição também não era muito melhor da que a dos holandeses, a diferença era que estes estavam lutando por sua terra e suas famílias, enquanto que os mercenários da Cia. das Índias Ocidentais estavam abatidos física e moralmente.
domingo, 28 de junho de 2015
Como Ancorar no Recife
O porto de Pernambuco
está situado a uma légua ao norte da cidade com uma estreita passagem para
entrar, pelo que, passado o castelo que está no recife, deve-se virar logo para
o sul, encostado às pedras. Estas pedras ou recifes tem o comprimento de uma
légua e estendem-se norte-sul, ao longo da costa, nivelados, sendo a largura de
oito a dez passos de um extremo a outro, atrás dos quais ficam os navios
protegidos como por um dique. Em certos lugares estes recifes erguem-se seis
pés acima da água, noutros oito pés, para o norte onde ancoram os navios.
No preamar as águas rebentam por cima em dois ou três pontos e, para o sul, ficam as pedras um ou
dois pés debaixo dágua. Na ponta norte dos mesmos, chamada Ponta de Marim, está
o pequeno Castelo, mais ou menos à distancia de um arremesso de funda da terra
firme, havendo que navegar entre aqueles e esta para chegar ao ancoradouro. O
canal é muito estreito quando se vem de fora e a profundidade, mesmo com a maré
alta, não passa de 22 pés. Para entrar, corra
junto ao Castelo na referida ponta, mas não a menos de um tiro de pedra por
causa de três ou quatro escolhos a bombordo. E, a estibordo, há um banco de
pedra sobre qual o mar arrebenta até a meia maré, rolando por cima na preamar.
Este banco estende-se
ao longo da costa até a ponta de Pernambuco duas milhas para o norte. O mar
corre por cima mas poupa mas poupa o castelinho do recife sem lhe causar dano.
Uma vez passado este, pique-se a barlavento entre a terra firme e o recife mais
perto deste do que de terra por causa do outro banco que está ligado à costa,
onde às vezes não há arrebentação. Este banco fica bem em frente ao castelo de
terra firme. Passe o mais rente possível junto ao recife, que, sendo a pique,
quase permite saltar, mas à distancia de duzentos passos do fortim para o sul,
interrompe-se o recife, pelo que convém afastar-se um pouco, navegando-se em
seguida ao longo até chegar ao meio do povoado que está a estibordo, em terra
firme.
Segure o navio com
quatro cordas, à meia amarra, no recife; duas à popa e duas à proa; e lance
ancoras do lado da povoação, também à popa e à proa, para permanecer ancorado
em posição norte sul por causa da vazante e da cheia.
Esta
orientação está no livro Toortse der Zee-Vaert (A Tocha da Navegação) do navegador holandês Dierick Ruyters,
publicado em 1623 na cidade de Vlissighen, Zeelandia. Ruyters esteve presente
no Brasil em várias ocasiões, inclusive nas invasões de Salvador e Olinda como
piloto das frotas da WIC. Seu livro demonstra o vasto conhecimento que os
holandeses tinham sobre o Brasil mesmo antes de atacarem-no.
Algumas observações são importantes: a) o porto de Pernambuco, Recife, está ao sul da cidade, Olinda, e não ao norte; b) o pequeno Castelo é o Forte do Mar, sobre os arrecifes; c) o castelo de terra firme é o Forte de São Jorge no istmo entre o Recife e Olinda.
sábado, 18 de abril de 2015
A Várzea do Capibaribe
A
região a oeste do Recife, distando cerca de 10 km do porto e banhada pelo Rio
Capibaribe, ficaria conhecida como Várzea do Capibaribe, sendo a primeira a ser
ocupada para o cultivo da cana de açúcar na capitania de Pernambuco. Além da
cana de açúcar, as matas ribeirinhas eram ricas em pau-brasil, tornando ainda
mais valiosa aquela região.
Com
terras férteis, clima propício e muita água, surgiram vários engenhos na Várzea.
O primeiro engenho implantado na área foi o Santo Antônio, de Diogo Gonçalves.
Atraídos pelo açúcar produzido em Pernambuco, os holandeses invadiram a
capitania tomando Olinda e o Recife em 1630. Nessa época, a Várzea contava com
16 engenhos de açúcar que transportavam seu precioso produto através do Rio
Capibaribe para o porto do Recife.
Segundo
Duarte de Albuquerque Coelho, quarto donatário de Pernambuco, os moinhos
(engenhos) eram: Santo Antônio, do Meio, Curado, Torre, Madalena, Apipucos, São
Pantaleão do Monteiro, Casa Forte, Jequiá, Ambrósio Machado, Francisco de Brito,
Luís Braga Bezerra, D. Catarina, do Brum, Camaragibe e Caxangá. Por
concentrarem grande número de pessoas, entre nobres, escravos, comerciantes,
artesãos e agricultores, esses engenhos de açúcar tornaram-se núcleos de
povoações que evoluíram para bairros e vilas.
A
mais importante dessas fábricas de açúcar foi o engenho São João, cujo
proprietário, João Fernandes Vieira, foi um dos líderes da Insurreição
Pernambucana, contribuindo com meios materiais e incentivando os outros
senhores de engenho a lutarem contra a dominação holandesa no Brasil.
Nas terras da Várzea, funcionaram durante o período holandês, algumas instituições de Olinda como o Senado, o Hospital Militar e a Santa Casa de Misericórdia. Dessas terras partiram as tropas que enfrentaram e bateram os mercenários da Companhia das Índias Ocidentais e retomaram o Nordeste brasileiro para a Coroa portuguesa.
Nas terras da Várzea, funcionaram durante o período holandês, algumas instituições de Olinda como o Senado, o Hospital Militar e a Santa Casa de Misericórdia. Dessas terras partiram as tropas que enfrentaram e bateram os mercenários da Companhia das Índias Ocidentais e retomaram o Nordeste brasileiro para a Coroa portuguesa.
domingo, 22 de março de 2015
Olinda e Recife Vistas Pela WIC
Ao conquistar Olinda e o Recife em
1630 a Companhia das Índias Ocidentais (WIC) inclui o Brasil entre as colonias holandesas
espalhadas pela América, África e Oceania. Johannes de Laet, geografo e diretor
da WIC, escreve um relatório que foi publicado em 1644 com o título de "História
ou Anais dos Feitos da Companhia Privilégiada das Índias Ocidentais desde o
começo até o fim do ano de 1644". Ao narrar a invasão de Pernambuco, De Laet
descreve Olinda e o Recife, citando o Seminário de Olinda (jesuítas), o istmo, o
porto do Recife e os fortes do Mar e de São Jorge:
Antes de escrevermos o que se passou posteriormente, será conveniente que
digamos um pouco da situação e grandeza da capitania de Pernambuco. É realmente
umas maiores que se encontram em todo o Brasil, pois se estende para o sul até
o rio S. Francisco, pelo qual é separada da Capitania da Bahia de Todos os
Santos, e para o norte até a Capitania de Itamaracá, contando entre esses
limites cerca de 90 léguas ao longo da costa.
Os portugueses possuíam nesta capitania 11 lugares povoados, dos quais o
primeiro e mais importantes era Olinda, situada a cerca de 8 graus de latitude
ao sul do equador. Essa cidade de achava bem colocada na costa do Atlântico e
apresentava um belo e risonho aspecto do lado do mar. No ponto mais elevado da
cidade ficava o convento dos jesuítas, belo e bem edificado, dispondo de rendas importantes, muitos prédios, terras e animais por todo o interior do país...
Ao sul da cidade, entre o Rio Beberibe e o mar, estende-se uma estreita península em cuja ponta está uma povoação chamada Recife, onde fazem o embarque e o desembarque de todas as mercadorias e onde habitava muita gente. Perto do meio dessa nesga de terra, que tem quase uma légua de extensão, do lado do mar, está o Poço, no qual grandes navios podem ancorar, pois tem ordinariamente 18 a 19 pés d’água. Do outro lado do Poço, na ponta do recife de pedra (que se estende ao longo da costa do Brasil, com varias interrupções), estava um fortim ou torre redonda, construído havia muitos anos, de pedra duríssima, quase dentro do mar, e fazendo face a esse, já na citada nesga de terra ou península do Recife, havia outro a que os portugueses chamavam S. Jorge. Em tais condições se achava Olinda quando os nossos a tomaram, conforme já ficou descrito.
Ao sul da cidade, entre o Rio Beberibe e o mar, estende-se uma estreita península em cuja ponta está uma povoação chamada Recife, onde fazem o embarque e o desembarque de todas as mercadorias e onde habitava muita gente. Perto do meio dessa nesga de terra, que tem quase uma légua de extensão, do lado do mar, está o Poço, no qual grandes navios podem ancorar, pois tem ordinariamente 18 a 19 pés d’água. Do outro lado do Poço, na ponta do recife de pedra (que se estende ao longo da costa do Brasil, com varias interrupções), estava um fortim ou torre redonda, construído havia muitos anos, de pedra duríssima, quase dentro do mar, e fazendo face a esse, já na citada nesga de terra ou península do Recife, havia outro a que os portugueses chamavam S. Jorge. Em tais condições se achava Olinda quando os nossos a tomaram, conforme já ficou descrito.
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
A Igreja Matriz do Corpo Santo
A mais antiga igreja do Recife e
núcleo da cidade foi, lamentavelmente, demolida em nome do progresso.
A Igreja do Corpo Santo foi
erguida no local onde havia a ermida de São Frei Pedro Gonçalves ou São Telmo,
santo protetor dos pescadores e homens do mar. Ao seu redor, que hoje seria
próximo ao Marco Zero, foram sendo construídas casas e armazéns das pessoas que
viviam e trabalhavam do mar, para onde estava voltada a fachada da igreja.
Com a invasão dos holandeses em
1630, a igreja foi transformada em templo calvinista, inclusive servindo de
cemitério para importantes figuras do Brasil holandês, como o irmão do Conde
Maurício de Nassau, João Ernesto de Nassau, o conselheiro político e depois senhor-de-engenho, Servaes Carpentier e do almirante Lichthart. Segundo o
arquiteto José Luiz Mota Menezes, os holandeses acrescentaram ao prédio uma
torre sineira conforme o estilo arquitetônico neerlandês da época. A igreja pode ser visualizada no mapa T'Recif de Pernambuco, do livro História ou Anaes dos Feitos da Cia. das Índias Ocidentais de Joannes de Laet, publicado em Leiden, 1644.
Expulsos os holandeses em 1654, a igreja foi reconciliada e começou
a ocorrer a Procissão dos Passos, segundo promessa dos oficiais
luso-brasileiros e cumprida até hoje, na quinta e sexta-feira, que antecedem em
duas semanas a Semana Santa. Naquela época foi criada a Venerável Irmandade do
Senhor Bom Jesus dos Passos do Corpo Santo. A procissão saia da Igreja do Corpo
Santo para a igreja do Convento de Nossa Senhora do Carmo em Olinda.
No século XVIII a igreja foi
ampliada, tornando-se um imponente prédio.
Em 06 de março de 1913 ocorreram
os últimos eventos religiosos da Matriz do Corpo Santo, tendo sido rezada
missa, com a comunhão e posterior transferência do Santíssimo Sacramento para a
Igreja da Madre de Deus.
Em outubro de 1913 a igreja
começou a ser demolida, sendo concluído o processo no ano seguinte, para a construção
da Av. Marques de Olinda e a ampliação do porto do Recife.
Conforme fotografias da época, a igreja tinha cinco portas na fachada principal, tendo a porta central cerca de 6 m de altura. O prédio mediria 25x50 m, com três pavimentos somando 15 m de altura até o alto da torre sineira.
Conforme fotografias da época, a igreja tinha cinco portas na fachada principal, tendo a porta central cerca de 6 m de altura. O prédio mediria 25x50 m, com três pavimentos somando 15 m de altura até o alto da torre sineira.
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
João Fernandes Vieira II
Em agosto de 1644, André Vidal de
Negreiros, vindo da Bahia, começa a fomentar a Insurreição no Recife e
cercanias. Nessa época o Conde de Nassau já havia retornado à Europa e tudo
apontava para a revolta. Também de larga importância nesse contexto é a
restauração do trono lusitano através de D. João IV no final de 1640.
Na várzea do Capibaribe, em 23 de
maio de 1645, é assinado, inclusive por Vieira, um compromisso de honra pelos
patriotas que se comprometem a lutar e ajudar, inclusive financeiramente, para a
expulsão dos holandeses do Brasil. No mês seguinte, apos receber diversas
denuncias da iminente insurreição, o Alto Conselho manda prender Vieira, seu
sogro Francisco Berenguer e outros lideres do movimento. Os insurretos
reunem-se no engenho de Luis Bras Bezerra, também na várzea, e juntam armas e homens para o combate.
Seguindo para o interior os
luso-brasileiros chegam até o Monte das Tabocas, hoje Vitória de Santo Antão,
aonde enfrentam e vencem as tropas holandesas. Foi a primeira grande batalha pela
libertação do domínio neerlandês. Seguem-se vários combates com a ação de
Vieira na frente de batalha como engenho Casa Forte e Forte de Nazaré (Cabo de
Santo Agostinho), além de locais mais distantes como em Porto Calvo e Penedo.
Em 07 de outubro de 1645 os
membros mais importantes do clero, da nobreza e das armas de Pernambuco elegem
João Fernandes Vieira governador da capitania, com poderes civis e militares,
ficando em pé de igualdade com os enviados pelo governador-geral em Salvador, André Vidal
de Negreiros e Martim Soares Moreno. Um dia antes, em Salvador, o próprio
governador Antônio Telles havia designado Vieira como mestre-de-campo do Terço
de Pernambuco, com a missão de fazer a guerra de restauração.
Sem conseguir eliminar por
completo os invasores, a guerra entra numa fase semelhante ao inicio da invasão
com pouca movimentação das tropas de ambos os lados. Não havia armas, munições nem suprimentos
suficientes para os luso-brasileiros nem para os holandeses empreender uma
ofensiva decisiva. O prestigio de Vieira fica abalado frente aos insurretos,
ocorrendo até uma emboscada contra ele, que escapou ferido à bala. Apesar das vitórias anteriores, o período
1647 – 1648 é muito duro para os revoltosos, principalmente pela pouca ajuda
recebida do Reino, e o ataque dos piratas da Zeelandia à navegação entre Europa
e Brasil onde apreenderam mais de 200 navios portugueses nesse tempo.
Em 1648 e 1648 as duas batalhas
dos Guararapes acabam de vez com as chances da conquista holandesa no Brasil. Vieira
atuou de forma pessoal e decisiva nos dois combates onde seu Terço, que era o
de maior efetivo, preencheu o centro do dispositivo das tropas do
mestre-de-campo-general Barreto de Menezes, garantindo a derrota dos
mercenários da WIC.
Na ofensiva final contra os
holandeses no Recife o Terço de Vieira outra vez ataca na vanguarda das forças
que investem contra o Forte do Rego ou das Salinas, onde hoje existe a Igreja
de Santo Amaro, origem do bairro de mesmo nome. Alguns dias depois, acertada a
rendição dos holandeses, as tropas de Barreto de Menezes, com os homens de
Fernandes Vieira novamente à frente, entram no Recife em 27 de janeiro de 1654.
Em reconhecimento aos feitos na
guerra de libertação, o Rei concedeu a João Fernandes Vieira diversas honrarias
como os governos da Paraíba, Angola e Maranhão, titulo de mestre-de-campo, comenda
da Ordem de Cristo, superintendente das fortificações do Nordeste, além de
terras em diversas localidades nordestinas.
Citado em documentos como proprietário de mais de 16 engenhos, possuía terras em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande, não só nas sedes das capitanias como no “sertão” como eram denominados os territórios afastados do litoral. A ele foi doado, inclusive, o sobrado que abrigava a sinagoga da Rua dos Judeus no Recife. Tinha também casas e uma quinta em Lisboa.
Citado em documentos como proprietário de mais de 16 engenhos, possuía terras em Pernambuco, Paraíba, Rio Grande, não só nas sedes das capitanias como no “sertão” como eram denominados os territórios afastados do litoral. A ele foi doado, inclusive, o sobrado que abrigava a sinagoga da Rua dos Judeus no Recife. Tinha também casas e uma quinta em Lisboa.
Apesar de muito criticado pelo
período que esteve ligado aos holandeses e pelas suas inúmeras dívidas junto aos
invasores e depois ao Reino, Vieira é justamente reconhecido como um dos heróis
da Insurreição Pernambucana, tendo despendido grandiosos esforços e recursos
materiais para sustentar a guerra contra o invasor neerlandês, durante largo
período sem auxilio de Portugal.
Faleceu em 10 de janeiro de 1681 em
Olinda, sendo sepultado na Igreja do Carmo. Em 1942 seus restos foram
trasladados para a Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, nos Montes Guararapes.
sábado, 29 de novembro de 2014
João Fernandes Vieira
A real origem deste importante
personagem da Insurreição Pernambucana é controversa. A maioria dos pesquisadores afirma que ele nasceu
em 1613 em Funchal, Ilha da Madeira. Enquanto
uns dizem ser de família nobre, outros registram que tinha origem muito humilde,
sendo o seu pai um degredado português e sua mãe uma negra. Segundo o
pesquisador Rodrigo de Lima Felner seu verdadeiro nome seria Francisco de
Ornelas Muniz Filho.
Descrito como mulato por vários
autores, emigrou para Pernambuco onde chegou em 1624, tornado-se empregado de
um marchante. Com a invasão holandesa em fevereiro de 1630, passa a combater os invasores,
inclusive na defesa do Forte de São Jorge até sua tomada pelos neerlandeses em
02 de março.
Fernandes Vieira torna-se encarregado
da distribuição de víveres às tropas luso-brasileiras, seguindo depois para o
Arraial do Bom Jesus na mesma função até a rendição daquela fortificação em
1635. Vieira preferiu ficar no convivio dos holandeses a fugir com Matias de
Albuquerque para o sul da capitania.
Estreitando relacionamento com o
conselheiro político Jacob Stachouwer, Vieira consegue tornar-se seu criado
quando o holandês adquire o Engenho do Meio, na várzea do Rio Capibaribe, a
mais importante área produtora de açúcar de Pernambuco. Posteriormente ele
passa a capataz e depois sócio do holandês na condução do engenho. Em 1638
Stachouwer, que agora possuía três engenhos, retorna à Holanda fazendo de
Vieira seu procurador, estando este cada vez mais ligado aos invasores.
Agora senhor de engenho, Vieira
consegue dos holandeses liberação para agenciar o comercio de açúcar com a
Companhia das Índias Ocidentais, além da captura de escravos fugidos.
Posteriormente ele obtem a concessão para a cobrança de diversos impostos para
os holandeses. Também tinha concessão para a exploração do valioso pau-brasil.
Em 1640 João Fernandes Vieira
representa os moradores portugueses da Várzea na assembléia convocada por
Maurício de Nassau para tratar de assuntos administrativos da conquista,
principalmente a fúria dos campanhistas que, havia alguns anos, circulavam pelo
interior destruindo lavouras, engenhos e atacando as tropas invasoras.
Ao mesmo tempo que vai aumentando
seus negócios e prestígio junto aos senhores da Nova Holanda, contrai dívidas
de proporções gigantescas. É eleito escabino de Maurícia em 1641 ocupando o cargo
por dois mandatos.
Observando a situação das dívidas
dos senhores de engenho e outros negociantes, a WIC determina a Nassau e ao governo no Recife a cobrança das
obrigações à Companhia. Os devedores alegam diversos fatores negativos à
produção de açúcar na época (1641–1642) que não possibilitavam o saldamento dos
empréstimos e impostos. Houve inundações devido às chuvas torrenciais,
mortandade de escravos por epidemia de bexiga e praga de insetos nas lavouras. João
Fernandes Vieira fica em posição delicada pois além de senhor de engenho, era
cobrador de impostos. Sua dívida era a segunda maior entre os devedores da WIC no Brasil holandês.
Assim, começa a ser preparada a
Insurreição Pernambucana a partir da várzea do Capibaribe. Apesar de intimamente
ligado aos holandeses, Fernandes Vieira sempre procurou ajudar aos da terra,
libertando aqueles presos e alguns já condenados à morte, através de elevadas
somas entregues às autoridades do governo do Brasil holandês.
Nesse meio tempo, em 1643, casou-se Vieira com D. Maria Cesar, filha de Francisco Berenguer de Andrade, também senhor de engenho, que havia sido preso em 1638 por suspeita de traição contra os neerlandeses.
Nesse meio tempo, em 1643, casou-se Vieira com D. Maria Cesar, filha de Francisco Berenguer de Andrade, também senhor de engenho, que havia sido preso em 1638 por suspeita de traição contra os neerlandeses.
sábado, 30 de agosto de 2014
W.I.C. III
Willem Usselincx era um mercador
de Antuérpia que havia vivido na Espanha e Portugal, testemunhando o trafego de
riquezas das colonias para a Europa. Sua ideia era que os Países Baixos
fundassem uma empresa que além de promover o comercio com a America,
desenvolvesse a colonização no Novo Mundo criando uma Nova Holanda. Além de negociar
os metais preciosos já explorados pelos ibéricos, Usselincx projetava incrementar,
através dos colonos neerlandeses, a produção de especiarias, madeiras e açúcar.
A base desse projeto era o estado de paz
com a Espanha e o livre comércio com outras nações. Ao criar a WIC os Estados Gerais não
aprovaram a ideia, pois queriam conquistar as terras americanas dominadas pela
Espanha, enfraquecendo seu enorme império.
Tendo sido atraída ao Brasil pela
produção de açúcar, a maior do mundo na época, a WIC não entendeu que simplesmente conquistar o país, ou parte dele, não garantiria para si os meios de produção do açúcar. Os engenhos e as plantações de
cana eram propriedade dos portugueses que detinham a expertise na fabricação do
valioso açúcar. Alguns holandeses chegaram a adquirir engenhos abandonados ou
paralisados pela guerra de conquista dos invasores e posterior guerrilha dos
luso-brasileiros contra os mercenários da WIC.
No entanto, os neerlandeses nunca dominaram o processo produtivo, que sempre
ficou nas mãos dos portugueses. A WIC precisava constantemente prover meios
(escravos, financiamento, segurança) aos senhores de engenho para que estes
mantivessem o fluxo de açúcar para as refinarias de Amsterdam. Quando os preços
do açúcar na Europa despencaram e os senhores de engenho endividados se
recusaram a saldar seus compromissos com os judeus e a companhia, a guerra de
restauração explodiu em Pernambuco.
A Companhia das Índias Ocidentais
nunca conseguiu equilibrar suas finanças no Brasil holandês, pois sua política
era de conquistar e explorar a conquista, sem pensar em ocupar o território com
colonos para desenvolver a agricultura, a indústria ou o comércio e facilitar a
manutenção do país sob seu domínio. Esse era o objetivo de Usselincx. Apesar da conquista de vasto
território no Brasil, seus maiores feitos em termos de lucro foram o
apresamento de navios que transportavam para a Europa os produtos explorados
pela Espanha e Portugal: ouro e prata das colonias espanholas e açúcar e
madeiras de tinturaria das colonias portuguesas.
Ao contrario da VOC, no oriente, que manteve sempre
relações comerciais com os governos daquelas praças, a WIC esteve sempre em pé de guerra no Brasil, mesmo com a trégua
decretada em 1640 quando da restauração do trono português através de D. João
IV, época do governo de Maurício de Nassau no Recife. As despesas com a manutenção de navios, fortificações e tropas na conquista era muito além do que a Companhia podia suportar.
sábado, 23 de agosto de 2014
Construindo o Brasil
Desde
o inicio da colonização do Brasil as principais construções executadas pelos
portugueses eram de caráter religioso (capelas, igrejas e conventos) e aquelas
que visavam a defesa dos núcleos mercantis e de povoamento, como paliçadas,
redutos e fortes.
Antes
mesmo da fixação dos lusitanos no território descoberto, a preocupação
preliminar era o levantamento e descrição das terras e mares através de
desenhos e mapas do litoral e das primeiras povoações. Além dos portugueses,
franceses, espanhóis, holandeses e ingleses já haviam visitado e mostrado as
costas brasileiras em vários documentos.
A
cartografia portuguesa dos séculos XVI e XVII é representada por Luis Teixeira
e João Teixeira Albernaz (“O Velho” e “O Novo”) com alguns mapas onde aparecem
Olinda, Recife, Cabo de Santo Agostinho e Baia de Todos os Santos. Dentre os
engenheiros portugueses são conhecidos: Braz da Mata, de Lisboa, que ergueu a abóbada
da Matriz de Olinda, Manuel Gonsalves, que fez o traçado de igrejas e conventos
em Recife e Ipojuca, Francisco de Frias da Mesquita, engenheiro-mor do Brasil e
responsável pela construção do Forte dos Reis Magos, Natal, e o florentino Baccio
da Filicaia, que atuou como engenheiro militar e capitão de artilharia em
Salvador.
Ao
invadirem o Brasil, os holandeses usaram engenheiros portugueses em suas obras
como Cristovão Álvares, responsável por obras no Castelo do Mar em Recife, baluartes
na paliçada e torre da Matriz em Olinda e no Castelo Keulen (Reis Magos) em
Natal.
Após a expulsão dos holandeses em 1654, a maioria dos prédios levantados pelos invasores foi destruído ou descaracterizado para que não houvesse lembrança da passagem dos neerlandeses no Brasil. O Forte de Cinco Pontas, assim conhecido até hoje, foi reformado, e de pentágono passou a quadrilátero.
Após a expulsão dos holandeses em 1654, a maioria dos prédios levantados pelos invasores foi destruído ou descaracterizado para que não houvesse lembrança da passagem dos neerlandeses no Brasil. O Forte de Cinco Pontas, assim conhecido até hoje, foi reformado, e de pentágono passou a quadrilátero.
terça-feira, 29 de julho de 2014
Carta de Doação de Olinda
Duarte Coelho, Fidalgo da Casa de
El-Rei Nosso Senhor, Capitão Governador destas Terras da Nova Lusitânia por
El-Rei Nosso Senhor.
No ano de 1537 deu e doou o senhor
governador a esta sua Vila de Olinda, para seu serviço e de todo o seu povo,
moradores e povoadores, as cousas seguintes: Os assentos deste monte e fraldas
dele, para casaria e vivendas dos ditos moradores e povoadores, os quais lhes
dá livres de foros o isentas de todo o direito para sempre, a as Varzeas das
Vacas e de Beberibe e as que vão pelo caminho que vai para o Paço do
governador, e isto para os que que não têm onde pastem os seus gados, e isto
será nas campinas para pacigo, e as reboteiras de matos para roças a quem o
conselho as arrendar, que estão das campinas para o alagadiço e para os
mangues, com que confinam as terras dadas a Rodrigo Álvares e outras pessoas.
...
A ribeira do mar até o arrecife dos
navios, com suas praias, até o varadouro da galeota, subindo pelo rio Beberibe
arriba, até onde faz um esteiro que está detrás da roça de Brás Pires, conjunta
com outra de Rodrigo Álvares, tudo isto será para serviço da Vila e povo dela,
até cinquenta braças do largo, do rio para dentro, para desembarcar e embarcar
todo o serviço da Vila e povo dela, e daí para riba tudo que puder ser, demais
dos mangues, pela várzea e pelo rio arriba é da serventia do Concelho.
...
O Monte de Nossa Senhora do Monte,
águas vertentes para toda a parte, tudo será para serviço da Vila e povo dela,
tirando aquilo que se achar ser da casa de nossa senhora do monte, que é cem
braças da casa ao redor de toda parte, e assim o Valinho que é da banda do
nortee rodeia todo o monte pelo pé, até o caminho que vai da dita Vila para o
Val de Fontes, para o curral velho das vacas, que tudo é da dita casa de Nossa
senhora do Monte.
E porque, por detrás do dito montinho, onde há de fazer o Senhor Governador a sua feitoria, até o varadouro da galeota, há de se abrir o rio Beberibe e lançar ao mar por entre as duas pontas de pedras, como tem assentado o Senhor Governador; entre o dito rio lançado novamente e as roças da banda de riba, de Paio Correia e da Senhora Dona Brites e o mato que está adiante, que ora é do Senhor Jerônimo de Albuquerque, há de ir uma rua de serventia ao longo do dito rio novo para serventia do povo, de que se possa servir de carros, que será de cinco ou seis braças de largo e rodeará pelo pé do montinho até o varadouro da galeota.
Todas as fontes e ribeiras ao
redor desta Vila dois tiros de besta são para serviço da dita Vila e povo dela;
falas-a o povo alimpar e correger à sua custa.
...
Isto foi assim
dado e assentado pelo dito Governador e mandado a mim Escrivão que disto fizesse
assento e foi assinado pelo dito governador a 12 de março de 1537 anos.
Denominado imprecisamente de Foral
de Olinda, essa Carta de Doação do donatário Duarte Coelho definiu
formalmente a vila de Olinda, citando também o Recife (arrecife dos navios). Em 1550,
a Câmara de Olinda solicitou ao donatário uma cópia do documento, pois o
original havia sido extraviado. Durante a invasão holandesa e o incêndio da
vila em 1631, o documento foi novamente perdido. Após a restauração
pernambucana em 1654, foi localizado no Mosteiro de São Bento de Olinda.
domingo, 13 de julho de 2014
O Incêndio de Olinda
Em 15 de fevereiro de 1630, com o desembarque das tropas da Companhia
das Índias Ocidentais do coronel Waerdenbuch na praia de Pau Amarelo, um pouco
ao norte, rapidamente os invasores seguiram para Olinda, sede da capitania de
Pernambuco, encontrando resistência por parte dos luso-brasileiros no Rio Doce.
Dominaram a vila com relativa
facilidade pois a maioria dos moradores fugiu levando o que puderam. Alguns
bolsões de contenção foram eliminados, destacando-se a brava luta do capitão André
Temudo em defesa da Igreja da Misericórdia no Alto da Sé.
Senhores do local e depois do
porto, Recife, os comandantes das tropas da WIC,
constataram que a geografia de Olinda era formada por elevações autodominantes,
ou seja, cada monte era cercado por montes vizinhos, o que obrigava a que todos
fossem ocupados para garantir a defesa da vila, acarretando a necessidade de um
contingente que poderia ser melhor utilizado para o ataque de outros pontos.
O almirante Lonck, comandante da
expedição, escreve ao Conselho dos XIX, diretoria da WIC nos Países Baixos, pedindo permissão para abandonar Olinda,
concentrando as tropas no Recife. O pedido é negado pois os Heeren XIX não podiam compreender porque
se deveria abandonar a sede da capitania, conhecida como uma das mais ricas
vilas das colonias portuguesas. Após várias tentativas de convencer a WIC e o governo neerlandês da
necessidade de concentrar esforços no Recife para poder atacar outros locais
defendidos pelos luso-brasileiros, o príncipe Frederik Hendrik, autoriza aos seus
comandantes que abandonem Olinda.
No dia 17 de novembro de 1631
começa a demolição dos prédios de Olinda e a retirada do material de
construção, que era muito escasso, para o Recife. Em 24 de novembro a vila de
Olinda é incendiada em vários pontos e quase totalmente arrasada. Segundo Duarte
de Albuquerque Coelho, Olinda possuía 2.500 habitantes, quatro conventos, um
colégio dos jesuítas e uma Casa de Misericórdia.
Os invasores proibiram que se reconstruísse em Olinda, o que só voltou a acontecer depois da chegada de Maurício de Nassau em 1637. O Recife e a Ilha de Antônio Vaz já estavam demasiadamente ocupadas devido ao intenso crescimento do porto e a construção de prédios para diversas finalidades.
Os invasores proibiram que se reconstruísse em Olinda, o que só voltou a acontecer depois da chegada de Maurício de Nassau em 1637. O Recife e a Ilha de Antônio Vaz já estavam demasiadamente ocupadas devido ao intenso crescimento do porto e a construção de prédios para diversas finalidades.
sexta-feira, 23 de maio de 2014
W.I.C. II
Outro importante artigo comercial para os Países Baixos
era o açúcar. Em Amsterdam, Holanda, havia refinarias de açúcar abastecidas
pelo produto originário da Ilha da Madeira e depois do Brasil, colônias de
Portugal. Quando, em 1580, Portugal fica sob domínio espanhol com um único rei,
Felipe IV, o fornecimento de açúcar é interrompido pelo inimigo dos
neerlandeses. A WIC decide então
obter o açúcar, artigo de luxo na época, nos próprios centros produtores.
Invade Salvador, Bahia, em 1624 onde permanece até 1625
quando foram expulsos por uma armada luso-espanhola. Tendo conseguindo
apreender a frota espanhola da prata em Cuba, 1628, a Companhia das Índias
Ocidentais se capitaliza para outra invasão ao Brasil, desta feita a
Pernambuco, maior produtor mundial de açúcar de então. Chegando em 1630, os
neerlandeses permaneceram no Nordeste brasileiro por 24 anos, dominando, no seu
apogeu, o território que ia do Maranhão ao Rio São Francisco.
Em menor escala, a Companhia das Índias Ocidentais também
atuou na América do Norte, estabelecendo fortes na região do Rio Hudson e Ilha
de Manhattan, atual Nova York. No intercurso da presença no chamado Brasil
holandês, ou Nieuw Holland, como era
designada nos Países Baixos, a WIC
conquistou ainda posições na África como Elmina, São Tomé e Luanda.
O regulamento de concessão dos Estados Gerais à WIC determinava, em seus 45 artigos, o
monopólio, por 24 anos, do comércio na costa ocidental da África, do Trópico de
Câncer ao Cabo da Boa Esperança e nas costas orientais e ocidentais da América.
Copiando o modelo da VOC, a diretoria
da WIC era composta por dezenove
membros que ficaram conhecidos por Heeren
XIX – Conselho dos Dezenove. Como cidade mais importante, Amsterdam tinha oito
representantes no conselho, a Zelândia, quatro, Groninga, Mosa e Hoorn, dois
cada uma e os Estados Gerais designavam um representante.
A época de maior poder da Companhia das Índias Ocidentais
foi entre 1630 e 1640. No período entre 1637 e 1644, esteve no Brasil holandês
como governador e general o Conde João Maurício de Nassau-Siegen. Após a
restauração do trono português em 1640, através da coroação de D. João IV, e a
Insurreição Pernambucana a partir de 1645, a WIC foi perdendo territórios e acumulando prejuízos.
A WIC foi dissolvida
em 1674, sendo aberta outra companhia no ano seguinte. Em 1791 a Companhia das
Índias Ocidentais foi definitivamente fechada.
sábado, 17 de maio de 2014
W. I. C.
A Companhia das Índias Ocidentais, em neerlandês Geoctroyeerde Westindische Compagnie ou WIC, foi uma das associações de comércio marítimo internacional fundadas no século XVII nos Países Baixos.
Desde 1565 o príncipe Guilherme de Orange tentava junto ao rei da Espanha, Felipe II, uma reforma política, redução dos impostos e maior liberdade religiosa para os calvinistas nos Países Baixos. A repressão espanhola aos neerlandeses desencadeou a Guerra dos Oitenta Anos pela independência do que viria a ser a República das Províncias Unidas dos Países Baixos.
Às margens do Mar do Norte e na desembocadura de três grandes rios (Reno, Waal e Mosa) os Países Baixos desenvolveram uma tecnologia naval avançada o que incrementou o comércio na Europa e depois com o resto do mundo. Em 1602 foi fundada a Vereenigde Oost-Indische Compagnie – VOC, Companhia das Índias Orientais. Detinha o monopólio do comércio entre a Ásia, Japão e Oceania para a Europa. Apenas seus navios poderiam cruzar o Cabo da Boa Esperança e o Estreito de Magalhães pelo prazo de 21 anos.
Em 03 de junho de 1621 é fundada a WIC para desenvolver o comércio neerlandês com as Américas e costa ocidental da África. Não só isso: deveria combater o império espanhol estrangulando sua fonte de riqueza na América Latina, de onde recebia ouro, prata e madeiras de tinturaria entre outras valiosas mercadorias. A idéia inicial de Willem Usselincx era uma empresa que promovesse a colonização e povoamento do Novo Mundo, mas seu projeto não foi aprovado pelos Estados Gerais, parlamento da República, que desejava um instrumento para levar a guerra contra os espanhois além da Europa.
Desde 1565 o príncipe Guilherme de Orange tentava junto ao rei da Espanha, Felipe II, uma reforma política, redução dos impostos e maior liberdade religiosa para os calvinistas nos Países Baixos. A repressão espanhola aos neerlandeses desencadeou a Guerra dos Oitenta Anos pela independência do que viria a ser a República das Províncias Unidas dos Países Baixos.
Às margens do Mar do Norte e na desembocadura de três grandes rios (Reno, Waal e Mosa) os Países Baixos desenvolveram uma tecnologia naval avançada o que incrementou o comércio na Europa e depois com o resto do mundo. Em 1602 foi fundada a Vereenigde Oost-Indische Compagnie – VOC, Companhia das Índias Orientais. Detinha o monopólio do comércio entre a Ásia, Japão e Oceania para a Europa. Apenas seus navios poderiam cruzar o Cabo da Boa Esperança e o Estreito de Magalhães pelo prazo de 21 anos.
Em 03 de junho de 1621 é fundada a WIC para desenvolver o comércio neerlandês com as Américas e costa ocidental da África. Não só isso: deveria combater o império espanhol estrangulando sua fonte de riqueza na América Latina, de onde recebia ouro, prata e madeiras de tinturaria entre outras valiosas mercadorias. A idéia inicial de Willem Usselincx era uma empresa que promovesse a colonização e povoamento do Novo Mundo, mas seu projeto não foi aprovado pelos Estados Gerais, parlamento da República, que desejava um instrumento para levar a guerra contra os espanhois além da Europa.
sábado, 1 de março de 2014
A Batalha pelo Recife
Após
desembarcar tropas em Pau Amarelo em 14 de fevereiro de 1630 e conquistar
Olinda dois dias depois, a esquadra neerlandesa da Companhia das Índias
Ocidentais (WIC) ataca o Recife,
batendo com sua artilharia o Forte do Mar e o Forte de São Jorge que defendiam
a barra do porto. O soldado Ambrosio Richshoffer, natural de Strasburgo,
Alemanha e alistado na WIC, descreve
os combates pela conquista da aldeia Povo,
como era chamado o Recife de então:
Durante os dias 18 e
19 o Sr. General continuou bombardeando os fortes; fez seguir dois navios para
a entrada do porto para reconhecerem se era possível penetrar nele com iates ou
outras embarcações. Em seguida ordenou que seis navios deviam bater
continuamente o grande forte de São Jorge.
O inimigo, porém,
percebendo nossa intenção, meteu a pique na entrada do porto, vários navios
carregados com açúcar e fumo, os quais, quando o açúcar se dissolveu, flutuaram
até ficarem em seco. Por este motivo os nosso foram obrigados a retirarem-se,
tendo sofrido avarias.
O Sr. General, com
demais navios grandes, teve que fazer-se ao largo durante a noite e colocar-se
fora do alcance dos tiros dos fortes; estando muitos dos navios tão varados de
balas que se podia ver através dos dois costados, e perdendo muitos
tripulantes, cabeças, braços e pernas, tão nutrido o canhoneio. Devido ao
movimento das vagas, em constante agitação nas vizinhanças dos fortes, os
artilheiros de bordo não puderam fazer tiros certeiros; causaram contudo
considerável dano ao inimigo.
Dia
20, cerca de 100 homens atacaram o Forte de São Jorge na escuridão da noite,
mas suas escadas não eram longas o suficiente para vencer as muralhas do forte
e eles foram repelidos, perdendo quase a metade da força entre mortos e feridos.
Os invasores decidem então instalar trincheiras cercando o forte português com
500 mercenários da WIC sob o comando do tenente-coronel van der Elst. A 28, três
meios-canhões da frota são desembarcados e instalados na trincheira holandesa
aumentando o poder do ataque.
Apesar da bravura dos luso-brasileiros contra a enorme força invasora, a maior a cruzar o equador até então, os navios holandeses em conjunto com a infantaria e a artilharia de campanha conseguiram cercar e vencer as defesas do porto, sendo assinado um acordo de rendição em 02 de março de 1630.
Apesar da bravura dos luso-brasileiros contra a enorme força invasora, a maior a cruzar o equador até então, os navios holandeses em conjunto com a infantaria e a artilharia de campanha conseguiram cercar e vencer as defesas do porto, sendo assinado um acordo de rendição em 02 de março de 1630.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
Nassau no Recife
Em
1636 os holandeses já estavam no Brasil há sete anos. Haviam conquistado
Olinda, Recife, Itamaracá, Rio Grande do Norte, Paraíba, Vila de Nazaré (Cabo
de Santo Agostinho), Ilha de Fernando de Noronha, Porto Calvo e Alagoas. Apesar
do extenso território, a Cia. das Índias Ocidentais (WIC), que administrava o Brasil holandês, não estava em boa
situação financeira. A guerra destruíra boa parte dos engenhos de açúcar e a produção
caíra demasiadamente.
A
administração, a cargo do Conselho Político, vivia em choque com os comandantes
militares e as decisões eram lentas e inexpressivas. Diante das dificuldades,
os Estados Gerais, pressionados pelo príncipe Frederik Hendrik, indicam à WIC Maurits von Nassau-Siegen, oficial
alemão à serviço da Casa de Orange. Nassau, que construía seu palácio em Haia e
precisava de recursos, aceitou a proposta para ser Governador e Capitão Geral
de Terra e Mar da Nova Holanda.
Após
uma travessia de três meses entre Texel (Holanda), Falmouth (Inglaterra) e
Arquipélago de Cabo Verde, a flotilha de 4 navios de Nassau aporta no Recife em
23 de janeiro de 1637.
Seguem
trechos da carta de Nassau aos Estados Gerais poucos dias após sua chegada: Aqui cheguei a 23
seguinte, graças a Deus, em boa disposição e juntamente com os demais, e fui
recebido com muitas honras, achando o país um dos mais belos do mundo. A situação deste país
é extremamente vantajosa e forte, e se Deus nos fizer a graça de pode-lo
conquistar inteiramente, não duvidarei que todo o Estado dele tirará uma grande
vantagem e serviço.
Maurício, Conde de Nassau
Antônio Vaz de Pernambuco,
Brasil
3 de fevereiro de 1637
Maurício de Nassau conseguiu estender o território do Brasil holandês desde o Maranhão até o Rio São Francisco mas, seu maior legado foi a instalação no Recife de uma corte de cientistas, artistas e construtores que deixou sua marca para sempre.
Maurício de Nassau conseguiu estender o território do Brasil holandês desde o Maranhão até o Rio São Francisco mas, seu maior legado foi a instalação no Recife de uma corte de cientistas, artistas e construtores que deixou sua marca para sempre.
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